Brasil está protegido de calote argentino, afirma Meirelles
Brasil está protegido de calote argentino, afirma Meirelles

Brasil está protegido de calote argentino, afirma Meirelles

O Brasil está protegido do impacto de um eventual calote hoje da Argentina no Fundo Monetário Internacional (FMI), na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

09 março 2004

" A melhora dos fundamentos da economia brasileira no ultimo ano faz com que o Brasil esteja mais protegido a crises externas " , declarou Meirelles, após um dia inteiro de reuniões com as principais autoridades monetárias do planeta, na sede do BIS.

Falando em nome do G-10, grupo das nações mais industrializadas, o presidente do Banco Central Europeu, Jean- Claude Trichet, franziu a testa em sinal de preocupação ou desagrado, dependendo da interpretação, ao confirmar que a situação argentina foi examinada na reunião.

" O que se discute aqui é em caráter privado " , insistiu o presidente do BC argentino, Pratt Gay.


Durante o encontro, os bancos centrais de países que controlam o FMI foram extremamente duros com a Argentina. Foi dito com todas as letras, na expressão de um participante europeu, que o dever de Buenos Aires é pagar o que deve e não tentar fazer barganha. Ou seja, primeiro a Argentina paga e só depois se discute financiamento futuro.

A irritação dos BCs é ainda maior porque o calote deflagrado pela Argentina em outubro de 2002 não afeta apenas os bancos, como ocorria antes, mas milhares de pequenos poupadores. Só na Itália, são 300 mil pessoas que compraram bônus argentinos. Na Alemanha, os jornais não cessam de receber e-mails reclamando dos argentinos.

O comitê mundial de credores da Argentina quer marcar o mais rápido possível um encontro com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, em Buenos Aires, Santiago do Chile ou Lima (Peru). Pelos cálculos do comitê, desde o calote de outubro de 2002 a Argentina deixou de pagar US$ 18 bilhões de juros. A divida total chega agora a US$ 100 bilhões.

O comitê representa credores de US$ 36 bilhões da Argentina. Só da Itália, são US$ 14 bilhões; da Suíça, US$ 8,5 bilhões, e americanos representados no grupo têm mais de US$ 10 bilhões a receber. Todos querem discutir com Buenos Aires sobre o principio do pagamento de apenas 25% do montante do total da divida.

Indagado se espera o apoio do Brasil, Pratt Gay retrucou: " sem comentários " . Fechou a porta do carro e partiu do BIS.

No outro lado da rua, minutos depois o pianista do elegante Hotel Hilton tocava a música " Não chores por mim Argentina " .

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