BC tem ajustado os juros para combater a inflação, diz Carlos Hamilton, do BC

A meta de inflação do governo é de 4,5% pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos

O Banco Central tem ajustado os juros para combater a inflação que, apesar de estar se deslocando para a meta, essa convergência ainda não está refletida nas projeções do banco, disse nesta quinta-feira o diretor de Política Econômica da autoridade monetária, Carlos Hamilton Araújo.

"Prefiro focar na fala do presidente (do BC, Alexandre Tombini) de que estamos usando os juros para enfrentar a inflação", afirmou o diretor ao ser questionado por jornalistas sobre eventual uso de outros instrumentos no combate à alta dos preços.

Em entrevista à revista Exame publicada nesta quinta-feira, Tombini disse que "o Banco Central vai ajustar seus instrumentos para trazer a inflação para baixo e mantê-la sob controle. Mas dependemos do cenário externo."

A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

A partir de abril do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC retirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano e elevou-a para o atual patamar de 10,5 por cento, num aperto monetário para conter a escalada preços.

Mesmo após esse aperto, a inflação continua mostrando resistência, com indicação de nova alta na taxa na reunião do comitê marcada para a última semana de fevereiro.

No mês passado, o IPCA foi a 0,55 por cento e, em 12 meses, a 5,59 por cento, abaixo do previsto para o mercado, mas ainda em meio a um cenário de resistência dos preços ao atual ciclo de aumento dos juros.

Carlos Hamilton disse que a inflação menor em janeiro decorre de fatores pontuais, como menores preços das passagens aéreas. Ele ressaltou que as decisões do BC sobre juros levam em conta horizontes mais longos.

"A inflação de janeiro foi positiva porque melhora as expectativas, mas tomamos decisões de política monetária olhando horizonte de um a dois anos."

O diretor, que apresentou o Boletim Regional em Curitiba, disse ainda que não faria novos comentários sobre política monetária além do que já constam na última ata do Copom.

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