Análise - Financiamento estudantil é uma dívida de valor que deve ser utilizada

Uma dica para o jovem que já está ou entrará no FIES e que esteja trabalhando e se atentar à importância de poupar, isto é, guardar parte do dinheiro que está ganhando

Grande parcela dos jovens que não consegue ingressar no ensino superior em função da falta de condições financeiras. Infelizmente se observa uma grande distorção com as universidades estaduais e federais sendo ocupadas em sua maioria por jovens que tiveram a oportunidade de estudar em um colégio privado de melhor qualidade e os jovens dos colégios públicos não conseguem competir em igualdade. Por mais que se tenham as cotas, o resultado é que a maioria das vagas das universidades públicas fica com os estudantes com maior renda e quem os estudantes com menor renda ainda necessitam arcar com faculdades particulares.

Com isso se inicia outro problema, pois este aluno de menor renda ainda terá que arcar com o valor das mensalidades, o que leva às dificuldades em pagar uma universidade privada, e consequentes dívidas ou evasão escolar. Na busca de reverter esta desigualdade, possibilitando aos jovens que não têm a mesma chance de obter o conhecimento a ter acesso aos cursos superiores, o Ministério da Educação concede o crédito estudantil com a chancela FIES – Financiamento Estudantil.

A cada ano o governo vem melhorando e desburocratizando o acesso a este instrumento de apoio à educação, tornando-o uma grande oportunidade para que a desigualdade de acesso seja diminuída. Até brinco que deviam mudar o nome de Financiamento Estudantil para Investimento Estudantil, pois, com certeza esta linha de crédito é uma dívida de valor, pois agrega um valor imprescindível, o conhecimento.

Além de ser uma dívida de valor é importante ressaltar o baixíssimo juros cobrado pelo Governo Federal 3,4% ao ano, ou seja, 0,29% ao mês. E, para melhorar ainda mais esta oportunidade, o FIES possibilita uma carência de dezoito meses após o término do curso superior para que se inicie a amortizar (pagar) a dívida, dando ao jovem a oportunidade de ingressar em sua área de atuação e conseguir saldar em suaves prestações que se estendem em até três vezes o período do curso. Por exemplo, em um curso de quatro anos, o aluno iniciará a pagar as parcelas após dezoito meses de sua formação, tendo doze anos para pagar. É um longo tempo, porém, muito válido pela baixa prestação que, em média, será um terço do valor da prestação mensal do curso financiado.

Uma dica para o jovem que já está ou entrará no FIES e que esteja trabalhando e se atentar à importância de poupar, isto é, guardar parte do dinheiro que está ganhando. Para se ter idéia, se um jovem resolve guardar uma quantia aproximada de R$ 350,00 mensais até a data que pagará a primeira parcela do financiamento, a possibilidade de quitar o financiamento é grande, visto que os juros serão no mínimo o dobro do cobrado no FIES. É preciso aproveitar a oportunidade e guardar dinheiro para o sonho de quitar o financiamento, não se esquecendo de outros sonhos.

O FIES é uma ótima ferramenta de mudança em nossa sociedade, pois os jovens com benefícios como esse começam a ter acesso à instrução e a educação é a grande ferramenta para desenvolvimento de nossa sociedade. Também é importante utilizar esta oportunidade para que o jovem inicie o hábito de administrar o dinheiro corretamente.

Veja pontos para melhor entendimento do FIES:

- Não precisa estar matriculado em uma instituição de ensino superior para solicitar a inclusão no programa, possuindo assim, baixíssima burocracia, e não necessitando de fiador;

- A faculdade escolhida deverá ter nota acima de 3 no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade);

- A principal vantagem deste programa são os juros baixos de 3,4% ao ano, 0,29 ao mês, muito abaixo dos praticados no mercado;

- Se o aluno poupar aproximadamente 50% do valor da mensalidade, terá grande chance de quitar o financiamento quando for pagar a primeira prestação do FIES;

- O pagamento da prestação do financiamento será o equivalente a 2/3 do valor da prestação do curso;

- O estudante terá que pagar uma pequena parcela a cada três mês durante o curso de R$ 50,00;
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O prazo de financiamento será sempre três vezes o prazo total do curso exemplo: para um curso de quatro anos o financiamento será de doze anos.

As inscrições no Fies podem ser feitas em qualquer época do ano pelo site do programa e ainda o aluno poderá financiar de 50%, 75% até 100% do valor do curso.

Os candidatos que têm 60%, ou mais, da renda familiar mensal bruta per capita comprometida com a mensalidade podem pedir financiamento de 100%. Estudantes com comprometimento de renda igual ou superior a 40% e inferior a 60% podem pedir financiamento de 75%. Já alunos com comprometimento de renda igual ou superior a 20% e inferior a 40% podem financiar 50% da mensalidade.
É importante que o aluno faça a opção pelo curso correto, que agregará valor em sua vida, pense que após o termino do mesmo terá uma dívida de longo prazo, é o mesmo de pagar por aquilo que não utilizará.

Reinaldo Domingos - educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor dos livros Terapia Financeira, Eu mereço ter dinheiro, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.

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