Albertoni, o homem que copia
Albertoni, o homem que copia

Albertoni, o homem que copia

Ele já fez similares do Apple, Atari e Lego. Agora, vai vender genérico do Land Rover para a Arábia

O engenheiro mecânico Julio Ivo Albertoni, 62 anos, se especializou em genéricos. Não os medicamentos lançados em 1999. À frente da Milmar Indústria e Comércio, Albertoni faturou alto, nos últimos 21 anos, fabricando genéricos do computador Apple, do videogame Atari e até mesmo dos blocos de encaixar da Lego. A combinação de uma economia fechada com o não reconhecimento de patentes estrangeiras facilitou sua atuação. Produzia legalmente e pagava todos os impostos, argumenta. Na década de 90 o País abriu os portos e a Lei de Patentes foi aprovada. Albertoni não ficou para trás. Fez uma versão genérica do utilitário esportivo Land Rover e agora está exportando o carro para a Arábia Saudita. Até meados de 2004, vão ser embarcadas 200 unidades do Cross Lander, garantindo receita de US$ 3,8 milhões para a Cross Lander Indústria e Comércio, a nova tacada de Albertoni. O robusto veículo é feito sob licença da romena Aro. Inicialmente, a intenção era ocupar o espaço deixado pelo Toyota Bandeirante, cuja produção foi interrompida em 2001. Albertoni, no entanto, não esqueceu sua origem. Está vendendo o carro como um genérico do britânico Land Rover. Com algumas vantagens: Nosso modelo é mais barato, mais resistente e tem um motor mais possante, enumera. John Peart, diretor comercial da Land Rover no Brasil, rebate: Somos tecnologicamente mais avançados.

Polêmicas à parte, o certo é que o negócio já consumiu R$ 20 milhões. Como nos demais projetos nos quais Albertoni se meteu, esse também foi obra do acaso. Em julho de 2001 ele jantava em um restaurante de Miami, quando foi apresentado a John Perez, que tinha um plano de distribuir o Cross Lander nos EUA. Albertoni, então, propôs sociedade ao americano e começou a produzir o utilitário em Manaus (AM). O motor é da International e o câmbio é da Eaton, os mesmos fornecedoras da Land Rover. O chassi e a carroceria vêm da Romênia. O primeiro CL-244 saiu da fábrica em 2002, mas o motor não foi aprovado nos testes de emissão de gases nos EUA. Em vez de processar a International, Albertoni buscou compradores no Oriente Médio, África e América Latina. Já acertou encomendas com vários deles. Hoje, a montadora fabrica 70 veículos por mês, distribuídos por 28 revendas do Brasil. Em 2003, suas empresas, a Cross Lander e a Milmar (que faz os barcos Bayliner), renderam US$ 25 milhões. A maior fatia (75%) vem da venda de carros. Albertoni diz que não vai parar aí. Roberto Marinho começou a construir um império com mais de 60 anos, cita. Era só o que faltava: um genérico da TV Globo!

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