A síndrome do CEO centralizador

Essa síndrome é extremamente prejudicial para qualquer tipo de empresa, pois é praticamente impossível que qualquer executivo consiga gerenciar com cuidado todos os indicadores

11 junho 2014

Não é incomum vermos CEOs das empresas estressados, com elevada carga de trabalho, mas com gestão pouco efetiva em termos de resultados.

Essa síndrome, que denominamos aqui de "síndrome do CEO centralizador" é extremamente prejudicial para qualquer tipo de empresa. Primeiro porque é praticamente impossível que qualquer executivo consiga gerenciar com cuidado todos os indicadores da empresa, que podem superar a casa de centenas. Nem um polvo consegue!

Dessa forma, o estresse ocorre não pelo excesso de produtividade, mas porque, ao concentrar todas as tarefas em si mesmo, o papel principal do presidente da corporação, passa a ser de bombeiro, somente apagando incêndios. Dessa forma, a essência da função do CEO, que é pensar quais as estratégias a serem adotadas para o alcance das metas, perde-se no tempo. O CEO centralizador tranca o processo de decisões da empresa.

As iniciativas simplesmente não fluem! Além disso, os colaboradores não se sentem parte do processo e tornam-se cumpridores de tarefa, sem buscar entender seu papel dentro da organização.

Isso ocorre não apenas em empresas familiares, onde geralmente o gestor é o próprio criador da companhia. Pelo contrário, acontece em qualquer tipo de empresa, atingindo até mesmo as grandes companhias abertas. O motivo? Tais empresas não possuem um processo estruturado de gestão. Quando há a estruturação da gestão, é possível delegar funções e monitorar os indicadores de resultados sem perda de controle.

O CEO pode e deve estar atento às metas da empresa, visando cumprir com o planejamento estratégico. O acompanhamento de cinco a dez indicadores é suficiente para o cumprimento de seu papel. Parece estranho pensar assim, quando sabemos que existem inúmeros indicadores, que vão desde o turn over do RH ao Market Share. No entanto, o ideal é que o gestor atribua responsabilidades para cada nível hierárquico dentro da empresa, de forma a estar atento apenas àqueles indicadores que envolvem as diretrizes orientadas para o planejamento estratégico.

Para que isso ocorra de forma saudável, é preciso definir com clareza a "responsabilidade e autoridade" de cada funcionário da organização, em todos os níveis. Tais desdobramentos passam por todas as áreas da empresa e levam a um processo estruturado de gestão, em que cada colaborador se sente parte do processo e sabe que sua participação faz a diferença. Ao mesmo tempo, reduz o número de atribuições do CEO, o qual passa a desempenhar seu real papel: pensar na estratégia que gera valor à empresa.

Américo Predebon - Engenheiro Mecânico pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) com pós-graduação em Engenharia de Segurança no Trabalho, na PUC/RS, (1989) e em "Administração de Marketing" (FGV/SP), é diretor Comercial na Qualitin desde 2011. Atuou na criação do modelo de gestão da AmBev e no projeto de fusão entre Brahma e Antarctica como líder da área de Gestão.

Comentários

Participe da comunidade, deixe seu comentário:

Deixe sua opinião!  Clique aqui e faça seu login.
    café com admMinimizar