6 mitos sobre o uso do débito no Brasil
6 mitos sobre o uso do débito no Brasil

6 mitos sobre o uso do débito no Brasil

Se você deixar dinheiro no banco, o governo pode tomar de volta? Mito

Há um grande potencial de conversão de uso de dinheiro em espécie para meios eletrônicos de pagamento no Brasil. Somente as classes C, D e E – brasileiros de renda familiar abaixo de R$ 3.500 por mês, 70% deles com contas bancárias – movimentam R$ 1,7 trilhão de renda ao ano, segundo o PNAD/IBGE. Mas parte dessas pessoas ainda prefere usar dinheiro em papel em compras do dia a dia. E precisávamos entender o porquê.

Foi aí que fomos a campo. Conhecemos e conversamos com famílias em São Paulo, Pará, Paraíba e Paraná, para entender quais eram os motivos que faziam com que eles usassem mais moeda em espécie do que o pagamento eletrônico. Participamos da rotina deles, acompanhamos o dia a dia das compras e levamos um choque de realidade, principalmente no que diz respeito a forma como enxergamos o cartão débito e como eles realmente o veem.

Para eles, o cartão de crédito tem um papel muito claro, é útil para a aquisição de produtos que necessitam de parcelamento – como eletroeletrônicos – ou em compras de reposição de mantimentos, quando o dinheiro em papel já está escasso no final do mês. Por outro lado, o cartão de débito tem apenas uma serventia: saque nos caixas eletrônicos. Já o dinheiro em papel, traz empoderamento, segurança e maior controle financeiro para essas pessoas.

Comento abaixo seis importantes lições e alguns “mitos” que aprendemos com essas famílias sobre o uso do cartão de débito. Com base nisso, podemos trabalhar em campanhas e em comunicação para melhor informá-los sobre os benefícios e as transformações dos pagamentos eletrônicos em suas vidas:

1. Pago uma taxa todas as vezes que uso meu cartão de débito

Muitas pessoas acreditam que são cobradas taxas pelo uso do cartão de débito como meio de pagamento – o que não é verdade. Por isso, preferem sacar todo o dinheiro da conta e desconhecem que pagam taxas para sacar dinheiro em papel que podem chegar a R$ 7 por saque.

2. Controlo melhor meu orçamento quando pago tudo em dinheiro

Sempre acreditamos (indústria de meios de pagamento) que o fato de você ter o registro digital de todos os seus gastos com o pagamento eletrônico seria uma excelente forma de controlar suas finanças, mas a imersão na vida dessas pessoas mostrou o contrário. Boa parte dos entrevistados afirmou perder o controle com o uso do cartão. Eles afirmam que, se levam uma nota de R$ 100,00 ao supermercado para a compra da semana, por exemplo, e o valor ultrapassa esse limite, eles simplesmente devolvem um ou dois produtos. Com o cartão de débito, não. Eles acabam gastando mais, ou seja, perdem o controle de suas contas.

3. Se deixar dinheiro no banco, o governo pode tomar de volta

Você conhece pessoas que a primeira coisa que fazem é sacar todo o dinheiro quando o salário entra na conta? Eu conheço e conversei com várias delas para entender o motivo de tirarem todo o dinheiro da conta. A resposta surpreende: “se eu não sacar hoje, o governo vê que o dinheiro está na minha conta e pega de volta”. Essa percepção certamente decorre de experiências passadas no Brasil e que até hoje impactam a forma como as pessoas lidam com o pagamento e com suas finanças. “Meu dinheiro está mais seguro em casa”, existe uma desconfiança da indústria em geral.

4. Não gosto de pagar compras pequenas no débito

As pessoas têm vergonha de pagar valores baixos no cartão, porque acham que isso prova que não têm dinheiro ou geraria pagamentos de taxas, o dinheiro traz empoderamento. Também existe a tensão da não aprovação da transação, mesmo que haja dinheiro em conta.

5. Sacar dinheiro já faz parte da minha rotina e por isso é prático

Muitas pessoas disseram que já têm uma prática estabelecida de sacar o dinheiro no banco a caminho do trabalho e, na volta, passar nas lojas para fazer suas compras, de acordo com a programação de descontos que os estabelecimentos oferecem especificamente naquele dia. A rotina já está desenhada e, por isso, sentem-se mais confortáveis. Por já fazer parte da rotina, essas pessoas não entendem o valor do ganho de tempo livre e de segurança que conquistariam graças ao uso dos meios de pagamento eletrônico.

6. Infraestrutura

Ainda há alguns relatos de estabelecimentos que preferem receber em dinheiro e muitas vezes dizem que a “maquininha” está sem sinal ou não está funcionando.

Ficou claro que é preciso desconstruir algumas percepções de parte da população sobre o débito, principalmente por meio de educação financeira, em uma linguagem acessível e adequada ao seu repertório de experiências. Com o aumento do uso, emissão e aceitação de meios eletrônicos de pagamento, esperamos contribuir para o desenvolvimento tecnológico, aumento da inclusão financeira e digital da população, além de ajudar a diminuir gastos operacionais e com segurança, decorrentes do uso do dinheiro em espécie. Sabemos que à medida que as cidades adotam o uso de pagamentos digitais, os impactos positivos podem ir além dos benefícios financeiros para consumidores, empresas e governos e acreditamos que o uso do débito será um dos nossos grandes aliados nessa jornada.


Ana Melo é diretora de Produtos da Visa

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