Zuckerberg, Jobs e Obama têm preguiça de se vestir
Zuckerberg, Jobs e Obama têm preguiça de se vestir

Zuckerberg, Jobs e Obama têm preguiça de se vestir

O que era uma característica desses líderes por evitar fadiga decisória, não tem fundamento, apontam estudos

O que parecia ser uma verdade incontestável e até características de líderes como Barack Obama, Steve Jobs e Mark Zuckerberg, agora está na berlinda. Esses três são conhecidos por sempre se vestirem da mesma forma, todos os dias, como uma forma de diminuir a quantidade de decisões que tomam por dia, logo evitar a fadiga decisória e serem mais produtivos.

O artigo do El País, escrito por Javier Salas e publicado na segunda-feira, 13 de maio, traz o seguinte: “uma pessoa adulta toma cerca de 70 decisões por dia, ou 3.500. Dependendo da fonte”.

Ou seja, todo os dias, durante o dia inteiro, a pessoa se questiona pelo menos 70 vezes sobre se deve fazer algo ou não; escolher aquela roupa, ou não; dobrar a direita ou a esquerda; ignorar ou atender uma ligação.

E esse volume de decisões pode chegar a ser até 50 vezes maior.

O texto defende que, por anos, a teoria da fadiga decisória foi defendida com base em dados que comparavam o dia a dia de profissionais e consumidores.

Médicos variam a quantidade de requisição de exames durante o dia, de forma decrescente após cada descanso deles. Assim como uma pessoa que evitava uma caixa de chocolates durante todo o tempo no supermercado, acaba sucumbindo quando chegava ao caixa.

Esses casos acontecem, segundo acreditavam os psicólogos comportamentais até meados de 2016, porque ao longo das tomadas de decisões na jornada do profissional de medicina, o cérebro vai fatigando e deixando de decidir melhor o que fazer no fim do expediente;

Enquanto o consumidor acabava colocando a caixa de chocolates no carrinho quando chegava ao caixa porque já tinha passado todo o roteiro pelos corredores do supermercado, comparando preços, marcas, lembrando o que precisa em casa e, no final, acaba atropelando aquela primeira escolha de não comer o chocolate.

Eis que entre 2014 e 2016 dezenas de estudos questionaram e colocaram à prova o que Roy Baumeister nomeava de fadiga da decisão - e que estaria dentro de um quadro psicológico: o esgotamento do ego.

Os estudos recentes sugerem que a força de vontade não seria finita e nem se renova, o que não atrapalha o processo de decisão, como defende o pesquisador da Universidade de Toronto Michael Inzlicht.

De acordo com Inzlicht, o fenômeno da fadiga de decisão até poderia ser legítimo mas é um estado de coisas “estranho e triste”. E que o motivo de escolhermos aquele Sonho de Valsa na fila do caixa é desconhecido.

Logo, a economia nas decisões durante o dia ao escolher o mesmo jeans azul e camisa preta com manga ¾ de Steve Jobs nas suas apresentações, não passaria de uma decisão pelo fato de ele não se preocupar com suas roupas ou não gostar mesmo de se vestir, por exemplo.

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