Você já falou com seu filho sobre carreira?

Planejamos diversos tipos de conversas com nossos filhos, como sexo, amor, entre outros... Mas, e carreira?

Você já falou com seu filho sobre carreira?

Cena da série How I Met Your Mother

Ah, a carreira...

Para nós, mais velhos, isso é assunto em 95% das nossas conversas, “E aí, como está no trabalho?” ou “O que você faz?”. São coisas fáceis de falar, afinal, estamos todos decididos sobre o que queremos não é mesmo? Nós já passamos pela fase de escolher nossas carreiras aos 18, 19, 20 anos. Isto é, será que fizemos corretamente?

Isso me leva a uma reflexão: “Nós decidimos nossa vida toda em alguns meses antes de escolhermos qual vestibular fazer.”

Quero dizer, você tem meses para decidir os anos restantes da sua vida inteira!!!

Já parou para ver como funciona o ensino médio nos EUA? Os estudantes escolhem quais disciplinas vão ser estudadas por ele durante todo o ano letivo. A escolha é feita por ele, mais ninguém.

Isso desenvolve a capacidade de tomada de decisão de um aluno que tem em média 15 anos, com quinze anos esse aluno já começa a tomar, sozinho, as decisões de todo seu futuro.

-“AH, TUDO SE COMPARA COM OS EUA!” – diz o leitor de saco cheio.

Tá, no Japão, além de aprender as disciplinas que conhecemos, eles aprendem desde cedo a cuidar do que é patrimônio público, tarefas domiciliares entre outras coisas, tá no currículo escolar!

CARA, OS ALUNOS LIMPAM A ESCOLA!

O Ensino Infantil (ou Escola Primária, dos 6 aos 11 anos) e o Ensino Fundamental (ou Escola Média, dos 12 aos 15) são obrigatórios. Porém, o ensino médio (ou Escola Secundária Alta, dos 15 aos 17 anos) não é obrigatório – aqui no Brasil nenhum deles é – mas mesmo assim, mais de 90% dos cidadãos a fazem.

Nesse nível os alunos estudam disciplinas como atividades cívicas e domésticas (já lecionadas nos ensinos anteriores) e disciplinas específicas direcionadas as áreas econômicas e industriais, por exemplo, e também são de escolha do aluno!

Isso tudo faz com que ele se prepare desde cedo para ser um bom cidadão E um bom profissional, e claro, de novo, o aluno escolhe o que quer cursar!

Bom, chega de exemplos... Acho que deu para você entender que os melhores profissionais do mundo foram formados discutindo suas carreiras desde cedo, certo?

Aqui no Brasil não temos esse tipo de cultura e nem modelo educacional parecida (Embora em 2015 tenha sido discutido a possibilidade de modelo semelhante no Estado de São Paulo, pelo ex-secretário da Educação, Herman Voowald), mas o que podemos fazer pra melhorar isso? Como posso ajudar meu filho a tomar uma decisão como essa?

Calma, não vai inscrever o (a) garoto (a) no Kumon à tarde, Cultura Inglesa à noite e mandar ele limpar o banheiro quando chegar. A questão é:

- VOCÊ JÁ CONVERSOU COM SEU FILHO SOBRE CARREIRA? -

Bom, hoje você já deve estar decidido sobre a sua profissão, afinal, você já está trilhando seu rumo para alcançá-la ou até já alcançou o que almejava (PARABÉNS!).

Agora, se você tivesse alguém que te instruísse mais cedo sobre isso, alguém que te explicasse de modo “neutro” como o mercado funciona, o que cada profissão faz ou o que os cursos da faculdade podem fazer por você isso não seria mil vezes mais fácil?

Também não é para chegar em casa com 5 tipos de testes vocacionais, um Coach de carreira e recrutador de Harvard, MIT e Princeton para falar com seu filho de 12 anos.

Estou falando para abrir espaço para um diálogo natural sobre isso, mostre seu filho como é seu trabalho (muitas empresas dão espaço para Family Day), deixe com que ele te faça perguntas, mesmo que para você essa pergunta pareça muito óbvia.

- “MAS O MEU FILHO QUE SER MÚSICO”, diz o pai com o coração na boca!

Minha resposta é: O que você tem a ver com isso?

Não de uma maneira ofensiva, mas sim para te fazer ver de fora o que está acontecendo, afinal, assim é sempre mais fácil de planejar-se,certo?

Claro, você é pai e responsável por essa pessoa... O sucesso dela é seu sucesso, você sempre quer o melhor para ela, mas o que nós não pensamos é que cada pessoa tem uma percepção sobre o mundo lá fora, cada um tem seu MAPA.

Note que com o passar das gerações os valores procurados pelos jovens nas empresas mudam.

É possível que o leitor tenha um filho pertencente a mais nova geração, a geração Z, por exemplo.

Como saberemos quais os valores eles realmente carregarão consigo quando ingressarem no mercado de trabalho?

- “MAS DESENHISTA NÃO, NÉ?”, pensa outro pai.

Acalmem-se pais, é muito provável que seu filho não queira ser piloto de fórmula1 até os 18 anos, a questão é que é seu dever permitir com que eles se sintam livres e empoderados quando precisarem tomar as próprias decisões.

Dê a eles além da informação, a oportunidade de que eles possam ser exatamente o que querem ser.

Converse com seu filho, ajude-o para que ele possa ir ainda além de um profissional bem sucedido, mas sim, uma pessoa realizada.

Pense nisso, fale com seu filho e conta pra gente como foi.

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