Você é mesmo um bom profissional?

Identificar e superar nossas próprias fraquezas não é tarefa simples, mas a auto avaliação constante é característica essencial para o bom profissional

Era terça-feira, cerca de duas horas da tarde, eu andava apressada pelo centro da cidade quando a minha sandália resolveu quebrar. Rapidamente, entrei na primeira loja de calçados e logo avistei uma igualzinha à que eu estava usando. Gostei da ideia de poder resolver meu problema sem comprometer o meu look e pedi, sem titubear, o número 37 daquele modelo. A vendedora me olhou com desdém e demorou horrores para trazê-la, visivelmente contrariada. A minha presença realmente parecia ser um enorme desprazer para ela. Corri para fazer logo o pagamento, quando percebi o motivo da antipatia: a bendita estava custando cerca de 20% do valor que eu havia pago no outro par. Estava em promoção! Ao mesmo tempo em que (mentalmente) comemorava a minha boa sorte, resolvi que mesmo assim não voltaria a comprar naquela loja, devido ao mau atendimento.

Chamou a minha atenção o comportamento daquela vendedora. Por causa de uma comissão baixa, ela conscientemente optou por me atender muito mal, e praticamente me fez decidir não voltar mais. Para ela, se o retorno não for imediato (uma comissão mais voluptuosa), não vale a pena cumprir o seu papel para com a empresa que a contratou. Talvez ela devesse reavaliar suas prioridades.

São muitas as pessoas que, sob diferentes formatações, possuem a mesma postura daquela vendedora. A professora que negligencia o aluno, o motorista que fura o sinal, a secretária que acessa o facebook em horário de expediente. O mais extraordinário de tudo é que provavelmente todos se consideram excelentes profissionais. E creditam à injustiça o fato de não serem promovidos, de ganharem pouco ou serem demitidos.

O ser humano é, inerentemente, lisonjeiro consigo mesmo. A auto piedade impera e por isso que temos tanta dificuldade em reconhecer defeitos em nós mesmos. Aquela vendedora estava precisando fazer uma auto avaliação. E eu? E você? Fazemos auto análises? Ou já nos consideramos permanente e imutavelmente perfeitos? Há quanto tempo eu não vou a um seminário? Quando foi a sua última reciclagem? Como podemos melhorar? Somos mesmo bons profissionais? Por quê eu não usei o meu profissionalismo para compreender e ajudar a vendedora?

Pensando bem, a correria daquela tarde de terça-feira aconteceu porque ultimamente ando deixando os prazos para a última hora. Eu bem que poderia ler aquele artigo sobre gestão do tempo que chegou na minha caixa de feeds. E, quer saber? Vou passar naquela loja e sugerir para a moça que monte uma listinha com nome e whatsapp de todas as clientes novas, para disparar mensagens avisando quando tiver mais promoções, então ela vai conquistar mais clientes e aumentar os ganhos com comissão. Assim, ela ganha mais dinheiro, eu economizo com calçados e todo mundo fica feliz. E você? Já se auto avaliou hoje?

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento