Você é egoísta?

Há tempo para mudar!

Fico impressionado como as pessoas reagem a determinadas afirmações que fazemos em relação às suas performances de trabalho ou mesmo em relação à sua maneira de lidar com sua equipe.

Numa dessas situações, durante um treinamento, chamei um líder de egoísta e o mesmo foi reclamar com o pessoal de Desenvolvimento Organizacional que tinha me contratado.

Ao ser comunicado que um líder importante da empresa tinha ficado bravo comigo, minha primeira atitude foi pedir desculpas, afinal além de não ser bobo, também sei o quanto uma pessoa dessa é capaz de sabotar um treinamento quando se encontra magoada. Provavelmente eu não iria pisar naquela empresa tão cedo.

Após minhas sinceras desculpas, pedi para ter uma reunião com a pessoa ofendida, que de cara não quis marcar. Mandei um e-mail para ela dizendo que gostaria que me ajudasse num determinado assunto referente a próxima etapa do treinamento. Copiei a responsável pela contratação do treinamento e assim consegui minha reunião, inclusive com a presença da responsável pelo RH.

Ao chegar na reunião, novamente pedi desculpas pelo mal entendido para quebrar o gelo, logo em seguida entrei no novo assunto.

A nova etapa do treinamento tratava de um assunto assustador para líderes centralizadores, o tema era como reconhecer os potenciais e as qualidades dos liderados e fazer com que os mesmos se desenvolvessem nas rotinas referentes a estas descobertas.

Então, pedi para o líder presente que compartilhasse comigo o nome de pelo menos três participantes de sua equipe, sendo que o ideal seria que ele escolhesse liderados próximos a ele. Já com uma postura desconfiada, tentou se esquivar da atividade só que eu já tinha me prevenido em convidar a responsável pelo RH, ou seja, não tinha muito como escapar.

Ele me passou o nome dos três. Convidei para que ele contasse para nos quais eram os principais pontos positivos daquelas pessoas e aproveitei neste momento para justificar o quanto seria importante para todos a participação dele nessa atividade. Mencionei inclusive que usaríamos estes dados como exemplo para os demais já que ele era muito considerado por todos.

Daí em diante comecei a ter mais colaboração dele e em poucos minutos ele estava falando bastante sobre os seus liderados, até para mostrar conhecimento da sua equipe.

Depois de um bom tempo relatando sobre as qualidades dos seus liderados, pedi para que ele relacionasse aonde que essas qualidades podiam ser mais exploradas no seu departamento.

Mais uma vez precisou de um pouco de ajuda para que ele começasse a falar e raciocinar sobre o assunto, depois que pegou o embalo, despejou um monte de detalhes (nessa hora eu já estava dando pulos de alegria por dentro, pois só eu até aquele momento sabia onde ia dar essa conversa.....hehehe).

Em seguida, sem deixar ele respirar muito, perguntei onde existiam os maiores gargalos de tempo para ele, ou seja, onde ele tinha mais dificuldade de conseguir cumprir prazos, levando em consideração que somente ele conseguia fazer determinadas atividades.

Nessa hora, ele estufou o peito e saiu metralhando tudo o que fazia e como aquilo não aconteceria se não fosse ele. Obvio que não falou desta maneira, porém entregou vários motivos que justificavam a sua falta de tempo e de recursos para entregar o que lhe era pedido.

Neste momento da conversa eu já tinha todos os elementos necessários para comprovar minha tese, afinal tudo começou com a falta da aceitabilidade por parte daquele líder de ter sido intitulado de egoísta. Lembra?

Pois bem, minha próxima colocação para ele foi: “sabendo mais um pouco sobre seu cotidiano e sobre sua equipe, queria refletir contigo por qual motivo muitas das atividades que você não consegue dar conta, não são remanejadas para seus liderados. Sempre levando em consideração o que você me contou sobre as qualidades deles”.

Depois dos primeiros 15 segundos de mutação de cores em seu rosto (branco, roxo, verde), ele virou para mim e disse: “conseguiu me pegar, hein?”.

Mais uma vez pedi desculpas pelo ocorrido e pelo entendimento dele neste sentido. Expliquei que minha intenção não era “pegar ninguém”, muito menos provar algo para alguém.

Declarei de pronto que minha vontade era despertar num profissional como ele, uma melhora que poderia ajudar no seu crescimento profissional. Afirmei ainda, que pela sua maneira de enfrentar algumas colocações mais fortes, arrisquei em ter essa dinâmica para mostrar a ele que seu excesso de zelo para com seus liderados fazia com que os mesmos não tivessem oportunidade de se expor e com isso crescerem.

Aproveitando que enquanto eu falava ele ia concordando, já emendei uma pergunta crucial:

Diante desta nova ótica, você acredita que é egoísta?

Para meu maior prazer, ele deu uma risada muito gostosa e respondeu: “Aí sim.....”

Peço agora que você reflita, e você .....

Tem dado oportunidade para a sua equipe trabalhar?

Tem passado funções que sejam desafiadoras?

Tem destinado tempo para ajuda-los a conseguirem entregar o trabalho?

Talvez seja interessante passar pelos mesmos questionamentos que eu propus para o líder acima:

- Anote o nome de pelo menos três liderados seus;

- Relacione os pontos positivos deles (as qualidades);

- Verifique no dia a dia do seu setor, onde essas qualidades podem ser mais uteis;

- Reconheça quais das suas atividades podem ser executadas pelos seus liderados mediante suas qualidades;

- Cruze os dados e verifique o que pode ser remanejado para alguns de seus liderados;

- Dê para as pessoas a oportunidade de mostrarem que são capazes.

Depois de passar por estes pensamentos, acredito que você possa responder:

Eu estava sendo egoísta?

O bom da vida é que sempre existe tempo para modificarmos nossas atitudes.

Se for o seu caso, mãos à obra.

Abraço

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento