Você é cego?

Onde esta o amor pela carreira, à paixão pela profissão, a alma…? Ela se foi com a exploração… Muito se engana quem acredita que a escravidão foi abolida, ela foi evoluída, isso sim, hoje somos escravos do dinheiro, da rotina, do medo.

Dei muitas, mas muitas palestras, auditórios lotados em eventos internacionais, auditórios com pouquíssimas pessoas em palestras In Company, em todas elas o mesmo assunto sempre causou resultados diversificados, até ai não existem novidades…

A última palestra que me chamou a atenção foi uma em que abordei o assunto insatisfação no trabalho. O título da palestra era, "Insatisfação no trabalho, o maior fantasma da sua empresa”. Eu tenho uma bela e uma péssima visão sobre o mercado de hoje, as empresas, em sua grande maioria, estão cegas.

Tive a oportunidade (devido a minha profissão) de vivenciar trajetórias de todo tipo de empresas, dos mais diversos segmentos, dos mais diversos portes, de pequenas a médias e grandes empresas, de fábricas a escolas passando por faculdades e empresas financeiras, e mega construtoras, todos cegos.

Pergunto-me, como pode uma empresa perder a sua essência, pior, como pode uma pessoa perdê-la?

Gestores me contratam, diretores me pedem, presidentes me ouvem, para que?

Chego ao pico das empresas e ouço os mais diversos problemas, todos os tipos de problemas que impedem uma empresa de continuar crescendo, de evoluir, empresas estagnadas torcendo o pano do lucro até pingar a última gota, todos cegos.

Pedem-me corte de custos, se surpreendem quando falo para aumentar o investimento interno, me pedem melhoria nos processos, se assustam quando menciono a palavra capacitação, me pedem cortes de cabeças, não conseguem entender quando falo ajude-os.

Por que cegos? É simples, mas talvez você que lê não veja isso, será você mais um cego?

Qual é a origem de uma empresa? Simples de responder não é?

Uma empresa não nasce para atender a uma necessidade? E essa empresa, para atender a esta necessidade necessita de pessoas, concorda comigo até aqui?

Então temos duas peças mais que fundamentais neste início de conversa, temos o cliente, aquele a quem vamos atender para sanar uma necessidade, e temos o nosso colaborador, aquele que nos fornecerá seu tempo, seu conhecimento, sua capacidade produtora para que possamos nós, utilizando-nos deste recurso atender a uma necessidade e com isso, auferirmos o nosso lucro, concordam comigo empresários, gestores, diretores e presidentes?

Então a pergunta que me tormenta é, se essas duas “pessoas” (por assim dizer) são fundamentais, ou seja, são elas a origem e o fim da nossa empresa, a quem devemos destinar o nosso esforço, a quem devemos “agradar”?

Mesmo parecendo ridículo perguntar uma coisa destas, parece que poucas pessoas conseguem ver isso, eu vejo empresas tratando seus clientes como verdadeiros fardos, vejo empresas tratando seus colaboradores como gado, é assustador ver no que o mercado corporativo se transformou, é impressionante de verdade para mim, que vim de um mundo onde os profissionais amavam o que faziam e davam a suas vidas a serem os melhores nisso, hoje não passamos de meros objetos possuidores de conhecimento que mal usamos por meros trocados no final do mês.

Onde esta o amor pela carreira, à paixão pela profissão, a alma…? Ela se foi com a exploração…

Muito se engana quem acredita que a escravidão foi abolida, ela foi evoluída, isso sim, hoje somos escravos do dinheiro, da rotina, do medo.

Se entrarmos nos sites de emprego encontramos empresas a busca do homem cibernético, o cara que tudo sabe, filho do Google e primo da Wikipédia, eles buscam repositórios de certificações, prateleiras de certificados, formações acadêmicas que antes eram motivo de orgulho aos seus possuidores e hoje é algo tão corriqueiro.

Entramos nas empresas e vemos profissionais dos mais diversos, dos mais medíocres aos mais conceituados, todos, sem exceções, desmotivados.

Profissionais que já amaram o que fazem e hoje, se sentem abusados, desgastados, abandonados, por quem? Quem é o culpado? Não somos nós mesmos?

Já foi a era em que não trabalhávamos por dinheiro, mas pelo que queríamos fazer, nos negávamos a fazer algo que não gostávamos por que sabíamos que éramos os melhores, e como isso foi mudado? Será que deixamos de ser? Não, simplesmente o conceito de melhor foi modificado.

Aqueles que antes nos viam como profissionais altamente qualificados, que brigavam por nos ter em suas empresas, hoje nos dizem que o mundo corporativo mudou, para mim?

Almoçando com alguns presidentes de uma grande construtora ouvi a frase, enquanto nós andamos de carro no ar condicionado, eles andam amontoados dentro de um ônibus, quão dolorosas essas palavras foram para mim. Em que mundo estamos vivendo? O que desejamos uns para os outros? A quem estamos enganando?

Leandro Benitez, qual a melhor forma de cortar custos? Vamos demitir? Isso mesmo, demitam e quebrem a empresa de vocês!

Então quem sabe cortamos o cafezinho, diminuímos a qualidade do papel higiênico nos banheiros, aumentamos as metas para divisão dos lucros e cortamos o auxílio faculdade dos funcionários?

Perfeito, façam tudo isso e sejam uma empresa a mais no mercado passando pelas mesmas crises de todos aqueles que não fizeram isso, porém com uma diferença, percam a confiabilidade de seus funcionários, a motivação que move a empresa e os melhores funcionários para empresas com salários maiores, cafezinhos, participação dos lucros e um papel higiênico de dupla face.

Acordem meus amigos, acordem meus clientes, meus leitores, meus seja lá o que for, ou melhor, acordem os que não forem meus também, se você não é meu amigo, meu cliente, ou leitor, acorda!

Qual é o maior motivador de pedidos de demissão de uma empresa? Simples, essa até quem nunca teve um emprego sabe responder, busca de salários melhores, busca por benefícios que não tem na empresa atual, e lá no final da lista, qualidade de vida.

Como mudar isso sem aumentar os custos, quer ver como é fácil e simples?

CAPACITAÇÃO!

Como Leandro? Mais uma pergunta simples de responder! Ensine seus funcionários a gerir o seu dinheiro, ensine a eles que não importa o quanto ganham se não sabem administrar isso, eles buscarão salários melhores, aumentarão seus custos e voltarão e ter o mesmo problema que antes, agora, se eles souberem administrar o seu dinheiro, se aprenderem a gerir o que tem, a quem agradecerão? A quem entregarão as suas vidas produtivas como forma de gratidão por hoje terem uma qualidade de vida melhor? Acordou??

Quer mais meu amigo gestor? Qualidade de vida, cortar um cafezinho do funcionário? Ridículo, não o feito, mas o fato de você achar que isso diminuirá custos para sua empresa, vai me falar que pelas suas contas sim, diminuirá?

Ótimo, eu também sei usar a HP 12C, aprendi na faculdade de economia, nos cursos de finanças e investimentos que fiz, nos anos em que trabalhei como assessor de investimentos e tantas outras experiências que adoraria citar (posso mandar o meu currículo caso queira), mas e o outro lado, você calculou? Calculou a perda financeira gerada pelo funcionário desmotivado? Calculou quantas horas seu funcionário deixará de produzir por estar chateado com a decisão de tirar o café, e as horas perdidas no corredor comentando sobre isso? E as horas indo buscar o café fora da empresa, etc, etc, etc, ops, essa você não tinha pensado ainda certo?

Sabe por que você não pensou meu amigo gestor, por que você é formado por uma faculdade, não pela vida, você aprendeu a ser chefe e não um líder, você aprendeu a mandar, impor, calcular e aplicar, e não a sentir.

Vá andar pela sua empresa, seja amigo dos seus funcionários, lidere a sua empresa e não a gerencie somente.

Crie campanhas de apoio ao esporte, à saúde, organize passeios, palestras, aulas aos finais de semana, quantos professores universitários iniciantes não tem por ai quase pagando para poder começar a trabalhar, quantos palestrantes que trabalham de graça tem por ai, qual o seu custo? Uma sala, luz e um café durante o final de semana ou todos os dias a noite? Pare para pensar nos benefícios de um funcionário motivado, nos benefícios de um funcionário que vê a sua esposa orgulhosa em casa por que ele está cuidando melhor das finanças, filhos felizes por que seu pai os leva ao trabalho fazer um curso à noite ou no final de semana, pais felizes por que seus filhos estão mudados no trabalho atual, aprendendo, crescendo, repassando conhecimento!

Quantos benefícios e malefícios ocultos causamos com as mais diversas atitudes que temos dentro de uma empresa? Incontáveis.

Onde somos ensinados a tratar as pessoas? Onde na faculdade, somos ensinados a ter alma dentro do nosso negócio?

Voltemos ao antigo dono de mercearia nos anos mais remotos, pessoas que sabiam o que seu cliente queria, que o conheciam, que o serviam, pessoas munidas das armas mais assustadoras do mundo, um bom dia, um sorriso no rosto e um café gostoso.

Hoje, entramos em uma empresa e o que vemos? Tecnologia avançada, máquinas e softwares criados por maquinas movidas a madrugadas inteiras na frente de um computador, pessoas sem vida compradas pelo dinheiro. Vemos pessoas mesquinhas, amargas, antipáticas e cheias de pé atrás, onde foi parar a “alma do negócio”?

Ela simplesmente foi assassinada.

Será que tem solução? Será que o mundo tem jeito? Será …

Bom, tudo depende, eu não sei se consigo mudar o mundo, posso mudar o meu entorno, eu posso mudar a minha empresa, posso surpreender o meu cliente com o mesmo bom dia, o mesmo sorriso e o mesmo café utilizado no passado, posso agradar os meus funcionários, posso ser um líder e não um chefe, sem dúvidas o meu retorno vem.

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