Café com ADM
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Você é ambidestro?

Ser Ambidestro é ter a habilidade de se comunicar tanto em comunicação tradicional quanto em comunicação on-line, de uma forma integrada, maximizando recursos e obtendo muito mais retorno sobre o valor investido pelos clientes. Tudo isso com apenas um briefing

Quando era guri, uma das minha interações prediletas era pedir ao meu avô para escrever com uma mão e depois escrever o mesmo texto com a outra. Nunca entendi como ele fazia aquilo com tanta perfeição, mas um dia ele me explicou que quando também era criança, na escola, as professoras proibiam ele de escrever com a mão esquerda [ele era canhoto de nascença], segundo ele, os costumes da época condenavam os que eram canhotos, pois acreditavam que eles “não eram do bem”, e dai as professoras amarravam a mão esquerda dele atrás da cadeira, é isso mesmo, amarravam a mão daquele pequeno ser inofensivo, mas canhoto, atrás da cadeira. Foi dessa forma que ele teve que aprender a escrever com a mão direita também, e é claro executar todas as outras tarefas, vovô se tornou o que chamamos de Ambidestro.

Na definição:

Português – Adjetivo: am.bi.des.tro

1. que habilmente utiliza ambas as mãos

2. que defende os dois lados de uma questão

Então o que é ser Ambidestro em comunicação?

Ser Ambidestro é ter a habilidade em criar tanto em comunicação tradicional quanto em comunicação on-line, de uma forma integrada, maximizando recursos e obtendo muito mais retorno sobre o valor investido pelos clientes. Tudo isso com apenas um briefing.

A história completa:

Escrevendo com apenas uma mão

Quando comecei em propaganda, no final dos anos 80, escrever só com uma mão já era difícil, quem já atuava na área nesta época sabe o parto que era pra produzir um anúncio de jornal em policromia, tinha que mandar o cromo pra Belo Horizonte fazer a seleção de cores e esperar ansiosamente que os fotolitos viessem corretos. Depois tinha que mandar compor os tipos na saudosa SMW, claro que depois de selecioná-los naquele livro gigante de tipos, determinar o tamanho das fontes que não eram em corpo e sim em “picas” e rezar pra que o redator não tivesse esquecido uma “letrinha” na hora de digitar o texto na olivetti portátil de última geração, senão tinha que recorrer às famosas letrinhas decadray pra fazer o acerto final, e pra finalizar, colocar o overlay com a determinação de cores e seus percentuais em padrão CMYK. Pra produzir uma anúncio destes demorava-se em média 15 a 30 dias.

No início dos anos 90 muita coisa veio pra agilizar isso, os PCs e seus asseclas, também conhecidos como impressoras laser, scanners, etc, daí era só montar o arquivo, gravar em Zip Drive e enviar para A Gazeta que tinha um departamento especifico para fazer estes partos, chamados de “saída do fotolito”.

Aprendendo a escrever com a outra mão

No inicio de 97, meu irmão tinha ido ao Rio de Janeiro e quando voltou trouxe na bagagem uma revista fininha com uma chamada de capa mais ou menos assim: “Desvendando a Internet”, e colado nela um disquete com o Netscape Navigator 2, um dos primeiros navegadores da internet. Li a matéria e comecei a ficar deslumbrado, procurei, procurei e descobri que o Sebrae/ES estava oferecendo o serviço de acesso a internet aqui no ES, com a surpreendente velocidade de 14.4kbit/s. Rapidamente fizemos nossa conta e instalamos o disquete.

Imagine a cara de uma criança que gosta de brincar de carrinhos, ganhando um formula 1 com controle remoto, essa foi a sensação daquele momento, e pensei “Eu quero aprender a me comunicar por aqui, isso é uma extensão do nosso mundo”.

Não foi necessário amarrar a minha mão atrás da cadeira, pois eu queria aprender a escrever com as duas mãos, queria continuar fazendo a publicidade tradicional, mas também acreditava na possibilidade de que algum dia poderia fazer algo de comunicação no mundo online e isso se concretizou logo em seguida, com o lançamento do nosso primeiro website, em abril de 97, após uma intensa imersão no assunto online.

Exercitando as duas mãos

Após a imersão vem a euforia sobre o assunto. Em todas as conversas sempre citava essa tal de internet e seu potencial futuro, encontrei neste exercício várias pessoas que ou eram entusiastas ou era totalmente contrárias, muitas delas defendendo que isso era uma moda passageira e outras dizendo que isso acabaria com a comunicação tradicional.

No dia a dia ia tentando inserir as ações online no processo de comunicação tradicional e aprendendo com isso, confesso que quase desisti, tamanha a resistência ao novo.

Ainda hoje encontro essas resistências, mas o que mais me incomoda não é isso, o que me incomoda mesmo são os novos profetas da comunicação, que em seus podcasts dizem que a mídia tradicional está morta.

Se isso fosse verdade o Google não enviaria mala direta oferecendo bônus de R$ 100,00 em AdWords nem anunciaria no SuperBowl ou contaria com assessorias de imprensa municiando diariamente jornalistas com seus releases e eventos.

Aprendendo a ser Ambidestro

Das duas uma, ou o Google acordou que a comunicação deve ser feita de forma integrada e pelas duas mãos, a tradicional e a online, o que chamo de comunicação Ambidestra ou eles não tem onde mais gastar o suado dinheirinho deles e resolveram rasga-lo em comunicação tradicional, respondam-me os novos profetas da comunicação.

Na minha opinião vejo hoje, em 2013, a comunicação online totalmente integrada à tradicional, não vejo o online como ameaça ao tradicional, pelo contrário, vejo o online ajudando e muito a comunicação tradicional e principalmente o vice-versa. Nunca se viu tanto anúncio de jornal, revista, TV e outdoor com chamadas “veja mais em nosso site”.

Estamos aprendendo a ser Ambidestros, integrando o tradicional com as novas possibilidades, estamos aprendendo na TV, nos Jornais e nas revistas o que é Twitter, Facebook e Tumbler.

Quando me perguntam como vejo a comunicação no futuro, digo simplesmente que - Ambidestra – inserida no rádio, na TV, no jornal, no folheto, mas também num podcast na iTunes Store, numa mensagem no blog ou Twitter, num vídeo do Vimeo, num e-mail personalizado, dentro de um game do XBox ou até mesmo saltitando nas costas de um canguru cybernético.

Todos são meios, e tem a sua força, alguns cairão ou irão crescer, mas o que terá importância mesmo será a relevância do conteúdo e a linguagem adequada a cada meio de forma integrada, assim como Vovô, escrevendo bem com as duas mãos.

Ps.: Todos os termos publicitários utilizados acima podem ser consultados no "Grande Oráculo" chamado google.com

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