Você de fato acredita que pode ser um empreendedor de sucesso?

A ação, a persistência e o desempenho dependem da motivação, esta por sua vez depende da opinião que você tem de si e o quanto você acredita na sua capacidade

Estudos da Psicologia, da Neurociência, e de outras ciências correlatas, estão cada vez mais se popularizando e nos ajudando a compreender as dinâmicas do processo de memorização, percepção, filtros mentais, o papel das emoções e dos pensamentos positivos, enfim, dos processos complexos da mente e seus reflexos nos nossos comportamentos e nas nossas motivações e, sobretudo, nos nossos diálogos internos, bem como nas nossas percepções do que acreditamos ser realidade. Dentro da perspectiva de diálogos internos, ou seja, diálogos que mantemos com nós mesmos, inclui-se a AUTOIMAGEM e a AUTOESTIMA. Entretanto, para mudar as crenças pessoais para obter comportamentos mais produtivos, torna-se necessário desenvolver a autoconsciência. Conceitos e importância da autoconsciência, da autoimagem e da autoestima para os empreendedores de sucesso são o cerne deste artigo.

Tratando-se de autoconsciência, o Ph.D em Psicologia Hendrie Weisinger ressalta que você “[...] precisa primeiramente compreender o que o faz agir como age, antes de começar a alterar seu comportamento em busca de melhores resultados”. Buscar compreenderaquilo que é importante para você, o que quer, seus valores e missão de vida, seus talentos, como se sente em relação a si mesmo e como isso reflete nos seus diversos relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais, é um passo de coragem e uma estratégia eficaz para atingir melhores resultados na vida e na construção da sua identidade pessoal.

Já para o eminente Psicólogo Daniel Goleman, autoconsciência envolve a atenção permanente do que sentimos, dos nossos estados interiores e emoções, isto de forma não julgadora e reativa. O conceito de Inteligência Emocional defendido pelo psicólogo, contempla a necessidade do desenvolvimento da autoconsciência, sobretudo, daconstrução de uma autoimagem e de uma autoestima positiva de si mesmo.

O conceito de comportamento, por sua vez, segundo estudiosos da área, em sua essência, é qualquer coisa que um indivíduo diz ou faz, tanto externamente (visível aos olhos), quanto internamente, (“dentro da pele”). Logo, pensar, sentir e o conversar consigo próprio também são comportamentos.

Levando em consideração esse conceito mais amplo e complexo de comportamento, desafio o leitor a pensar:

  • Quais os comportamentos positivos você está tendo com você mesmo?
  • Quais os comportamentos que estão de alguma maneira te prejudicando? Onde você vai chegar com esses comportamentos daqui a um ano?
  • O que pretende fazer para mudar?

Mudar depende de uma motivação. Motivação pode ser entendido como um conjunto de fatores, em especial, psicológicos e emocionais, que possibilitam o indivíduo entrar em ação e persistir nela com intensidade até que atinja o objetivo pretendido com aquela ação. Quanto mais motivada a pessoa está, mais persistente ela se manterá na atividade realizada, tendendo a obter melhores resultados. Embora haja algumas fontes de motivação como o ambiente, um mentor, amigos, entre outros, a automotivação é a força impulsionadora comportamental mais poderosa. Tudo começa de dentro de você!

Um dos trabalhos mais interessantes que impactaram na minha vida foram os estudos da Psicóloga Social Carol S. Dweck contido no livro Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não. A pesquisadora salienta que há dois tipos de pessoas: as que possuem e mantém o pensamento fixo (código mental fixo) e as que possuem e desenvolvem pensamentos construtivos (código mental construtivo).Pessoas com o código mental fixo acreditam que suas qualidades são limitadas e imutáveis. Código mental construtivo, em oposição, baseia-se na convicção pessoal deser capaz de desenvolver e cultivar qualidades e talentos por meio dos próprios esforços e experiências. Indivíduos com esse padrão de pensamento acreditam que podem se transformar e tornar pessoas melhores por meio da sua automotivação, busca de conhecimento, instrução e dedicação. Fruto do trabalho de mais de mais de 20 anos, Carol S. Dweck resume:“a opinião que você adota a respeito de si mesmo afetará profundamente a maneira pela qual você leva sua vida. Ela pode decidir se você se tornará a pessoa que deseja ser e se realizará aquilo que é importante para você”.

Michael Jordan, no início da sua carreira, cortado do basquete, chorou por horas no quarto! Walt Disney perdeu o emprego no jornal sendo criticado por falta de imaginação e por não ter ideias originais! Einstein começou a falar aos 4 anos de idade e seus professores diziam que ele não iria muito longe! Logo, o que fez a diferença para eles?Quais foram seus códigos mentais? Se o leitor respondeu com um sonoro código mental construtivo, acertou! Esse também deve ser o código mental da Bel Pesce (FazInova), Ozires (Embraer), Bill Gates (Microsoft), Sílvio Santos (SBT), Mark Zuckerberg (Facebook), entre outros empreendedores de sucesso. O código mental que você adota faz toda a diferença no significado da palavra “fracasso” e “esforço”. Ah! Fique tranquilo, é possível aprender e desenvolver pensamentos mais construtivos.

“Quais são os padrões de crenças e comportamentos das pessoas bem sucedidas? Como essas pessoas conseguem esses resultados? Qual a diferença entre o que elas fazem e o que fazem as pessoas que não são bem-sucedidas? Qual a diferença que faz a diferença?” (O´Connor; John Seymour, 1995).

Há 5 maneiras, segundo o Coaching, de pensar de forma mais positiva e que impactam significativamente nossas crenças e comportamentos. São elas:

Primeira: pensar e ter atitudes voltadas para os resultados, e não para os problemas. É mais produtivo pensar: frente ao resultado que desejo, que recursos tenho, que recursos preciso e como usá-los para atingir dado objetivo?

Segundo: focar em perguntas do tipo: como? De modo a entender as questões desafiadoras que acontecem, e não na palavra comumente usada: por quê? Por exemplo: em relação a dado problema, como posso enfrentá-lo, resolvendo ou amenizando de forma eficaz?

Terceiro: frente aos resultados inesperados ou indesejáveis, é mais produtivo pensar que esses são feedbacks ou correções necessárias para alinhar as estratégias do que verdadeiros fracassos. Pensar que são feedbacks ajuda a manter o foco em alternativas e aprimorar as estratégias, as ações e as abordagens.

Quarto: Focar em possibilidades, alternativas, opções, o que pode ser feito. Aqui o exercício da criatividade nos é muito útil. Em outras palavras, concentrar-se em possibilidades em detrimento de se concentrar nas limitações da situação.

Quinto: para encontrar novas alternativas, opções, reformular crenças e pontos de vista desafiando pressupostos,é necessário o exercício e atitude da curiosidade, do fascínio. Antes de acreditar nas próprias verdades e respostas, o que acha de fazer novas perguntas?

Penso que nesse momento o leitor deva estar refletindo na relação estreita entre pensamentos, emoções, comportamentos e resultados.Acredito que não é por menos que instituições de referência na educação empreendedora como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Endeavorpregam a ideia de desenvolver “comportamentosempreendedores de sucesso”.

O Ph.D Paulo Vieira cita “as crenças que você tem sobre si mesmo vão determinar desde o seu valor próprio até a sua autoimagem e todos os seus resultados e comportamentos” (Vieira, 2015).

Seus resultados, que chamaremos de merecimento, são proporcionais à qualidade de suas decisões e atitudes, entretanto, se a sua autoestima estiver baixa e você não tiver uma crença positiva e fortalecedora da sua identidade pessoal, qual o ímpeto e energia dedicará ao fazer? Muito pouco, provavelmente!

Para o Ph.D e coachPaulo Viera, a autoestima envolve uma combinação de 3 crenças: “crença de identidade, que se refere ao ser (eu sou); a crença de capacidade, que se refere ao fazer (eu posso ou eu sou capaz); e, finalmente, a crença de merecimento, que se refere ao merecer (eu mereço)”(Vieira, 2015). Esses aspectos, para Vieira, vão determinar o quanto a pessoa se valoriza (sua autoimagem), o quanto acredita que pode aprender a fazer algo, ou ainda, o quanto acredita que merece ser recompensada, elogiada ou merecedoradaquela vitória.

Outros especialistas em comportamento e coaches como Villela da Matta, Flora Victoria e Brian Tracy acrescentam e defendem o “autoconceito como o programa mestre da performance”, que a meu ver é análogo aos princípios da inteligência emocional.

Autoconceito, para eles, é o conjunto de crenças, paradigmas e modelos mentais que você tem sobre si e que refletem na sua percepção de mundo. “Ao longo dos anos, você absorveu uma complexa série de ideias, dúvidas, medos, opiniões, atitudes, valores, expectativas, esperanças, fobias, mitos e outras impressões entrelaçadas, incorporando-os na mente e os aceitando como verdadeiros. Essas são as instruções operacionais de seu computador subconsciente, as quais controlam tudo o que você diz, faz, pensa e sente. Na ausência de qualquer alteração deliberada de sua parte, você continuará a fazer, pensar, dizer e sentir quase as mesmas coisas indefinidamente”.

O autoconceito é dividido em 3 aspectos:

Eu ideal: o eu ideal envolve seus objetivos e quem você gostaria de ser, determinando assim, em grande medida, o rumo que vai tomar na sua vida.

Autoimagem: é o que você pensa, sente e vê sobre si mesmo, como um “espelho interno”. O que você pensa ao seu respeito gera comportamentos coerentes fazendo com que você se comporte de tal forma. Se você pensa que não é capaz, é exatamente assim que agirá e se comportará.

Autoestima: pode ser definida como o quanto você gosta, aceita e respeita a si mesmo como uma pessoa de valor e digna. É ela que determina o seu grau de motivação, entusiasmo e energia direcionada à determinada ação. Quanto mais envolvido e concentrado com atividades diárias que te levem à “pessoa que gostaria de ser (eu ideal), maior será a sua autoestima.

Em outras palavras, “seu eu ideal é a pessoa que você mais quer ser, em algum momento no futuro. Ele determina a direção de sua vida, de seu crescimento e de sua evolução. Sua autoimagem, por outro lado, determina seu desempenho no presente, caracterizando a forma como você se vê agora, hoje, neste momento. Sua autoestima é, em grande parte, determinada pelo relacionamento entre sua autoimagem e seu eu ideal, ou o seu desempenho nas atividades diárias em comparação com o desempenho se você fosse a melhor pessoa que pudesse ser”. (Villela, Victoria, Tracy, 2014).

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Referências

BUTLER-BOWDON, Tom. 50 grandes mestres da psicologia. Trad: OK Linguistica. São Paulo: Universo do Livro, 2012.

VIEIRA, Paulo. O poder da ação: faça sua vida ideal sair do papel. 7 Ed. São Paulo: Editora Gente, 2015.

O`CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução à programação neurolinguística: como entender e influenciar pessoas. Trad: Heloísa Martins-Costa. Ed. 5. São Paulo: Summus, 1995.

MATTA, Villela da; VICTORIA, Flora. Personal& Professional Coaching: livro de metodologia. São Paulo: SBCoaching Editora, 2014.

MATTA, Villela da; VICTORIA, Flora. TRACY, Brian. Estratégias avançadas de vendas. São Paulo: SBCoaching Editora, 2014.

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