Violência, Morte e estupros; Quem liga para isso na midia do descaso?

Quando escandalizamo-nos com a violência, o"show circo de Horror" promovido pela imprensa ávida por IBOPE não releva reflexões mais importantes que o próprio crime.

Nesses dias um assassino acabou com a vida de dezenas pessoas numa boate gay e mobilizou todos os Estados Unidos, e há semanas aqui no Brasil dezenas de criminosos “acabaram “com a vida de uma adolescente- estuprada no RJ que “estrelou” a mídia brasileira levando a uma repercusão grandiosa nacional e internacionalmente raramente vista.

Independentemente do local e da natureza do crime importa ressaltar o modus operandi e o timing de resposta do poder público - nos EUA a ação imediata normal da polícia – aqui – somente após a incursão da mídia e o estabelecimento de um escândalo público é que as autoridades se mexeram.

Diante do episódio brasileiro do estupro e a exposição da imprensa o quê você imagina ser mais relevante ?

Descobrir de quem foi a culpa ? Capturar e punir os agentes criminosos?Ou identificar responsáveis pela divulgação obscena e criminosa?

Nada disso importa!

Os únicos fatos mais significativos do assunto foram justamente sobre coisas que estamos cansados de saber- que esse e outros crimes tem atores e coadjuvantes pertencentes ao narcotráfico (entenda-se o poder paralelo e a violência que sitia-se onde o estado não entra) e que por pouco , não fosse a exposição criminosa do ato na internet, a vitima nem procuraria uma delegacia. (* embora a mesma tenha subido ao morro para conversar com chefe do tráfico de drogas da região, após a violência- antes de procurar autoridades)

Porque Não é o sobre o estupro que precisamos falar?

Só falamos do estupro porque ele pulou aos nossos olhos e ouvidos pelos meios de comunicação - impregnando a Tv , o rádio e até nossos smartphones, mas ele sempre esteve presente em nossa realidade.

O que importou aqui foi que a escória do ser humano, a pessoa vil que se aproveitou da evolução da comunicação e postou na web em tempo real o crime, foi traída pela própria rapidez da mídia que utilizou. A Web permitiu sua identificação , e a mobilização de todas as pessoas escandalizadas.

Temos aqui o melhor exemplo do poder da internet e da mídia- e de como os meios de comunicação podem ajudar a melhorar a sociedade!

Nesse caso a crueldade, a impunidade e a banalização oferecidas na internet continuam crescentes junto a vítima , que além das ameaças do mundo real, (a bandidagem do mundo do crime na favela, a ironia e falta de tato do delegado que tomou seu depoimento ),passou sofrer também um vilipendio virtual – gente adulterando sua imagem, criando e disseminando informações falsas de seu perfil humano, protegidos pelo anonimato.

O que aconteceu com a moça, um ser humano como todos nós foi na verdade o violentar dos princípios de civilidade que deveriam reger a nossa sociedade, um atestado de morte da instituição família, da moral e dos costumes.A selvageria da ação só denota mesmo a banalização da violência que infelizmente não nos traz novidade no mundo das favelas .

Todos nós temos mulheres no nosso convívio distantes ou próximas-na família ,irmãs, primas , mãe – e salvas as proporções- e somos todos, em maior ou em menor grau , também expostos a violências e ao banditismo no cotidiano das cidades – de forma que podemos imaginar o horror da vítima. Não precisamos de imagens nem de palavras,nem na WEB nem na TV para descrever isso.

Se na mídia TV, mais controlada nós encontramos algumas incursões dispensáveis (* a exemplo da descrição que foi ao ar na TV Globo“ quando acordei, tinha um cara debaixo de mim e outro em cima.. daí comecei a gritar”...) na internet a rapidez e a “blindagem” do anonimato conferem um aspecto mais complicado a disseminação da informação que pode ser deturpada.

Logo de inicio as autoridades brasileiras demonstraram despreparo e fragilidade

Mesmo com todas as evidencias e identificação do divulgador das imagens, vimos na TV o individuo entrar “rindo” na delegacia, e sair esquivando-se da imprensa. Um deboche da “lei” que não tinha “evidências “ para sua prisão. Será que isso aconteceria num país feito os EUA? (* lá o assassino da boate gay vai ser enterrado antes mesmo de suas vítimas)

Somente por conta das exposições jornalisticas durante semanas ouvimos estatísticas da violência sexual, de quantas mulheres são estupradas por minuto no Brasil, além de todas as manifestações da sociedade civil e de autoridades – que acabaram " forçadas" a tomar ações efetivas e rápidas por conta da comoção pública.

Por tudo isso é que essa barbárie deve servir para ensejar uma reflexão de uma questão maior que o próprio estupro – a "rapidez e o poder da informação que a população desconhece na mobilização da mídia".

A mulherada marchou na rua mas não é só essa marcha importante a fazer!

As mobilizações disseminam muita informação - no geral todos ficamos sabendo que acontecem estupros no Brasil aos milhares , 1 a cada dez minutos , ou menos.. Esse crime no entanto é só mais uma mazela da sociedade e mais uma vertente de preocupação da falha segurança pública – ele precisa ser combatido sim- mas tanto quanto todo o resto da violência contra gays, negros,crianças e tudo o mais .

E se falássemos em assassinatos ao invés de estupros?

Ocorrem centenas por dia ( 143 das estatisticas de 2014) . Os números podem ficar mais alarmantes ainda se como nos crimes sexuais considerarmos o percentual de pessoas que não presta queixa formal e não é portanto inserido nas estatísticas.

Morre tanta gente aqui que supera muito ambientes de guerra civil de outros países que nos deixam estarrecidos diante do telejornal. Ou seja – há muitas marchas a fazer!

A violência sexual é mais um detalhe dentro de todas as outras mazelas da insegurança a qual os governos nos deixam expostos ,como os homicídios, as deficiências do sistema carcerário,a falta de estrutura das polícias ,as falhas do sistema judiciário - com números quase sempre no topo de rankings mundiais.

Não adianta evidenciar por conta do triste ocorrido só um pequeno ponto na ferida aberta da segurança pública e da ausência do Estado.

Toda manifestação é válida, e sem sombra de dúvidas a mobilização de muita gente na rua, conferiu um alerta vermelho para as autoridades e políticos de plantão, justamente num momento em que o pais não precisa de mais problemas.

Me escandaliza mais o Estado ausente que a presença do próprio agente criminoso!

Nesse caso cruel de estupro a partir da exaltação pela midia , conseguiu-se em tempo recorde a manifestação de autoridades de todas as esferas – nacionais (e até internacionais) de presidente a deputado , de governadores a secretários de segurança publica além de artistas na TV , pessoas na Web, nas Ruas, membros das nações unidas – muita gente solidarizando-se frente a algo com repercussão internacional. Com tudo isso, pessoas foram presas rapidamente ( quando rotineiramente não é assim que acontece) e até uma mudança repentina e de tempo recorde da lei penal para esse tipo de crime ocorreu.

É imperativo no entanto se mobilizar para melhorar também os sistemas que permitem que o Estupro e outros acontecimentos hediondos.- assassinatos banais - mortes e execuções que quase diariamente assolam as comunidades carentes , sem representar novidades – não só em favelas do RJ mas em todo o país.

Assim só se conclui , infelizmente , que o agente de disparo dessa discussão e das mudanças sociais foi a exposição de um problema ( velho e cotidiano infelizmente) frente aos holofotes da mídia.

Não foi graças a exposição de “podres” da “lava a jato” pela imprensa , e das pessoas irem as ruas - que estamos num governo provisório? .

A comunicação social é poderosa – e é disso que precisamos falar – ela promove mudanças quando sua ação suscita na mudança da opinião pública ( e indignação de uma massa)

Se cada um de nós civilizados e, bem intencionados cidadãos da era digital pudermos com nossos celulares e computadores mobilizar, expor problemas a serem resolvidos, levarmos mais mazelas a mídia (e a revolta da opinião pública)- certamente esse pais vai melhorar. Leis e sistemas que não funcionam vão mudar e seus protagonistas vão virar réus igualmente aos “violentadores”. O poder de um governo emana do povo – desde que não esteja contra ele!

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