Violência, educação e empreendedorismo.

Para quem está acompanhando a imprensa, um cineasta holandês, Theo van Gogh, foi assassinado semana passada. Theo van Gogh tinha fama de dizer o que pensava sobre os muçulmanos que vivem na Holanda, notadamente provenientes do Marrocos. Apenas explicando, os marroquinos vieram para a Holanda nos anos 50 a fim de reconstruírem o país que a II Guerra cuidou de destruir, e não mais saíram. A Holanda, com a tradição de um país livre e aberto ao diferente desde vários séculos, e que nós pernambucanos sabemos bem porque já os tivemos entre nós, acolheu esses imigrantes e reconhecem seus filhos como cidadãos holandeses. Pois bem, um desses marroquinos-holandeses matou van Gogh. A razão parece ser banal nesses tempos de guerra (cruzada?) contra o terror: porque van Gogh fez um filme aonde demostrava como a mulher islâmica é mal tratada pelos que não conhecem sua própria religião (o Islã é, como o Cristianismo ou o Judaísmo, uma religião de amor). Por ter cometido o crime de expressar sua opinião, van Gogh morreu com tiros e teve a garganta cortada pela lâmina de uma faca. A desgraça acaba por aqui. Qual a relação disso tudo com o empreendedorismo ou educação ? Aqui na Holanda há uma situação parecida com a brasileira: jovens de uma classe social (no Brasil negros e pobres, na Holanda marroquinos e outras minorias) cujas famílias não se ocupam de moldar o caráter e a escola se resume apenas a ensinar o que está escrito, nada além disso. O resultado disso é que esses jovens escutam a voz de seus ídolos, daqueles que mais se apresentam como produto do "sucesso" (no Brasil traficantes e bandidos, na Holanda os radicais islâmicos),e tendem a escutar todo a sorte de imbecilidades e maus exemplos (no Brasil que roubar é bom e trabalhar coisa de otário, na Holanda que quem morre pelo Islã na guerra contra os infiéis estará ao lado de Deus) e terminam por desperdiçar a vida, quando não carregam outros seres humanos junto (no Brasil através de guerras de tráfico, na Holanda através de atentados como ao van Gogh). Nos concentremos no Brasil agora, que ainda tem muito a percorrer até chegar ao nível de desenvolvimento holandês. Desde muito se fala sobre reformas na educação, mas pouco se faz no sentido de ensinar o jovem a pensar com a própria cabeça, a empreender. Quantos são os professores que ensinam ao aluno sobre os erros trazerem experiência ? Quantos são esses mestres que nos dizem para aprender com nossos erros ao invés de simplesmente dizerem: "CERTO", "ERRADO", "APROVADO", "REPROVADO". Quantos vão além da dicotomia simplista desse mundo ilusório aonde só existem respostas certas ou erradas, sem nada entre as duas ? Cadê o senso crítico ? Cadê o pensar ? E o criar ? O que estamos criando ? Não precisamos de robôs.. temos as fábricas que os fazem às centenas, por preço módico e com a vantagem de nunca fazerem greve ou pararem para descansar. Precisamos de cérebros, precisamos de uma revolução, mas para isso ocorrer precisamos ter pessoas que possam pensar. Um dos colunistas que gosto muito, Ricardo Magalhães, da BizRevolution, diz que devemos "quebrar tudo". Concordo com ele ! Com essas amarras que temos não podemos nos mexer muito. Como criaremos um país cada vez mais próximo desse "paraíso" que idealizamos sem pessoas que pensem, que empreendam, que assumam riscos e que desejem mais do que simplesmente viver escondidos por trás de um computador, apertando botões ?
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