Café com ADM
#

VILÕES E MOÇINHOS – ATÉ QUANDO?

“A gente sabe como começa a vida, mas não sabe como começa a vida humana”, afirma o filósofo José Anchieta Corrêa, professor de ética médica na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Com vida humana não se brinca. Esse ditado extraído da sabedoria popular precisa inspirar e motivar todas as instituições (públicas e privadas) e o povo brasileiro por um posicionamento coletivo, suprapartidário e movido exclusivamente pela responsabilidade, para o Brasil virar a dolorosa página do caos que se abateu sobre a Saúde Pública e cuja face mais visível é o pouco investimento na acessibilidade a saúde.

"A gente sabe como começa a vida, mas não sabe como começa a vida humana", afirma o filósofo José Anchieta Corrêa, professor de ética médica na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

A integração das políticas de controle do câncer na América Latina, novas técnicas para o tratamento da doença e a reivindicação ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para que incluam na lista de procedimentos exames modernos que podem diagnosticar tumores malignos ,assuntos que foram tratados no 8º Congresso Brasileiro de Cancerologia - Concan.

O encontro reuniu cerca de 4 mil profissionais de saúde do Brasil e de diversos países – onde mais uma vez, representando o paciente como presidente da Ong Portal Saúde, eu tive a oportunidade de estar lá e passei por um sentimento extremamente dicotômico: por um lado a emoção com a evolução da medicina, tratamentos, fármacos, exames de alta tecnologia, cirurgia robótica, guiada com precisão por computador, por outro lado um profundo pesar em constatar que tudo isso ainda é para uma pequena camada da nossa sociedade.

Com 450 mil novos casos por ano, o câncer é segunda maior causa de morte no país, atrás apenas de doenças cardiovasculares.

Para o diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antonio Santini, que também é membro da União Internacional contra o Câncer, a doença atualmente é um problema de saúde pública e impõe grandes desafios de planejamento, vigilância, pesquisa e organização dos sistemas de prevenção e tratamento. Segundo ele, como órgão responsável pela normatização da política de controle da doença no Brasil, o Inca mostrou suas experiências na formação de redes de colaboração mantidas internamente e com países vizinhos.

Na minha avaliação, embora as novas tecnologias, a prevenção e o diagnóstico precoce tenham sido significativos para alterar o quadro da doença, o desafio imposto agora está na difícil equação entre o tratamento com novas drogas e o custo elevado dos medicamentos. "Não são apenas os melhores exames com os quais devemos contar, mas também é preciso dos melhores médicos para avaliar esses exames para termos bons resultados".

"É um debate de grande importância que devemos enfrentar." Precisamos acabar de vez com os títulos atribuídos a todos os pólos dessa equação. Médicos, Tecnologia, Laboratórios, Advogados, Ongs, Estado, Políticos, Impostos entre outros. Ninguém é vilão muito menos mocinho. É evidente que todos lutam em função dos seus interesses, contudo, esses interesses nem sempre como se divulga é leviano.

Para mim, enquanto Presidente de uma Ong proponho que todos se reúnam em torno de um único interesse, o da população brasileira.

"A preocupação com a própria saúde é um fenômeno que nasceu com o homem". Tal inquietação torna-se mais evidente na medida em que as biotecnociências evoluem, e a divulgação de suas aplicações pautam a possibilidade de cada um gerir seu "capital saúde" (Ruffié, 1993), tornando os homens responsáveis pelos limites do que é possível fazer diante da enfermidade e da morte.

"Sentindo na pele"

Acompanhei nesses últimos dias que o vice-presidente José Alencar, de 79 anos, foi homenageado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), que lhe concedeu o título de sócio emérito e a medalha 200 anos de história da ACRJ - Grau Ouro, a mais alta condecoração da casa. Durante a homenagem, Alencar falou sobre a luta contra o câncer na região do abdômen.

- Nós temos que perder o medo de pronunciar a palavra câncer. Vamos falar do câncer, discutir o câncer para vencer o câncer - disse o vice-presidente, que luta há 12 anos contra a doença . O vice-presidente disse que os últimos exames que realizou mostraram que houve uma "redução substancial" nos tumores .

Que Deus o mantenha sempre assim, mostrando que é com coragem e fé que podemos vencer a batalha pela vida. Mais que também abra seus olhos para realidade de que isso tudo que está colhendo é fruto de ter tido a possibilidade de contar com um tratamento de alta complexibilidade, o que não é o caso de 99% da população brasileira.

Vale ressaltar também o posicionamento que vem adotado pela Presidente Dilma Roussef após vencer uma batalha contra o câncer.

Esses pronunciamentos e depoimentos de nossos políticos é que me faz ter esperança, começar a enxergar uma luz no fim do túnel. Infelizmente a males que vem para o bem e é nisso que quero acreditar. Quero acreditar que temos dois missionários que vão propagar e investir na saúde do povo brasileiro. Quero acreditar que essas duas pessoas que ilustram o quadro político brasileiro tenham a real dimensão pelo que passa seus semelhantes acometidos pelos mesmos tipos de câncer que os dois e estão sendo tratados pela rede publica ou mesmo suplementar de baixa qualidade. Espero que não tenhamos mais que esperar por alguém com poder politico ser acometido de uma doença como o câncer para começarmos a ter esperança.

"A saúde é um direito e dever do Estado". A saúde e a doença consubstanciam-se enquanto "objetos" privilegiados ao esclarecimento de modos de conhecer e pensar a si próprio, aos outros e ao universo que se habita. Se há algo acerca do qual cada um tem suas experiências e costumes é o adoecimento, porque, mesmo quando se estabelece de forma aguda e passageira, coloca para todos a inevitabilidade da morte.

É preciso respeitar a vida do início ao fim. "A vida é um processo que se inicia na fecundação. "A humanização vai acontecendo desde a fecundação até a morte.

"O que a gente luta é pela vida"

A polêmica novamente ganha vida. Grupos se acusam de discussões apaixonadas. É apaixonante mesmo, o tema mexe com a vida, a natureza, mexe com ciência e com a morte.

Difícil não opinar apaixonadamente, seja de que lado estiver, já que o assunto pouco permite o meio-termo. O que não podemos é continuar nessa guerra fria onde de um lado temos a ciência e do outro o Estado.

No Brasil tem um "Tempo...rão" que o povo espera por soluções. Acredito sim no esforço que o Estado vem promovendo para alcançar um padrão de tratamento de melhor qualidade. Contudo, criar procedimentos administrativos complexos, tentar doutrinar nossos magistrados com informação pouco verossímil, é algo que não eleva nosso patamar na obtenção de um tratamento justo. Por corresponder a um assunto que desperta bastante atenção de toda a sociedade e ter relevante interesse no mundo jurídico pela sua abrangência, a análise da Improbidade Administrativa manifesta-se pertinente uma vez que a má gestão da coisa pública traz inúmeros malefícios que obstam o desenvolvimento de toda uma nação.

Já está na hora de qualificarmos a população no que tange aos direitos previstos em nossa Constituição Federal. Qualificar usando uma linguagem simples e popular.

"A saúde é uma questão urgente e mundial. Talvez todo meu investimento nesses últimos anos a frente da Ong Portal Saúde e como advogada na área do consumidor, tenha sido o maior aprendizado a respeito do ser humano. Sempre quis usar meus conhecimentos para transformar. Quando terminei de montar a primeira etapa da Ong..., percebi a importância de falar sobre o assunto e soube de uma informação básica: todos nós temos direito a qualquer tipo de tratamento ou medicamento de graça, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Fiquei impressionada com a minha ignorância e vi que muitos dos meus amigos não sabiam e não sabem disso".

Nessas situações de dor e dificuldade, aprendi que a relação com o "objeto de interesse" é fundamental para desenvolver esse tipo de trabalho. Nenhuma instituição pode mais permanecer de braços cruzados ou levantados superficialmente. É inconcebível sob todos os aspectos que milhares de usuários do SUS que necessitam de atendimento de urgência e emergência fiquem à mercê da própria sorte diante da incapacidade do Poder Público e Privado em lhes assegurar a garantia constitucional de que "Saúde é direito do cidadão e dever do Estado".

Nenhum ente tripartite da Saúde Pública pode mais se omitir ou tentar transferir responsabilidade para outrem. Somente com transparência contábil – sem necessidade de discursos – será possível saber o que se passa com a gestão plena da Saúde. Enquanto o caso for tratado como desafio ou queda de braço, não será possível chegar ao cerne da questão.

O tema central é: "Compromisso com a ciência, tecnologia e inovação com o direito à saúde"

"Violar a vida é o caminho da morte"
FREI ANTÔNIO MOSER

Para conversar com a advogada e Presidente da Ong Portal Saúde basta escrever para o e-mail: adrianaleocadio@terra.com.br ou através do telefone: (11) 99056373 . Site: www.portalsaude.org

ExibirMinimizar
CEO Outllok, A era da liderança resiliente. Confira os Resultados.