Café com ADM
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Vencer ou vencer

Reenquadrar é permitir-se olhar cada curva do rio, cada situação atual como se ela fosse inteiramente diferente de tudo que já vivemos.

Havia um indiozinho que estava em conflito consigo mesmo, com suas origens, questionando tudo depois de passar uma temporada na cidade grande em companhia dos brancos. Retornando à aldeia foi convidado pelo avô para tomar banho juntos. Este estranhou o convite do avô, pois o banho é um evento importante para os índios. É neste momento que conversam sobre os diversos assuntos da aldeia. Assim, os velhos tomam banho com os velhos, os jovens com os jovens, as mulheres com as mulheres, crianças com crianças. Apesar disso obedeceu e acatou o convite. O velho ancião levou-o para uma linda cachoeira no meio da mata. Ao chegarem lá o velho índio nada disse, apenas pediu que subisse em uma das pedras e se sentasse.
O indiozinho escolheu a pedra mais alta. Após subir, o avô, com toda a sabedoria e simplicidade, ordenou.

- Agora fique em silêncio e ouça o que o rio tem para te dizer.


O indiozinho ficou ali estático por mais de uma hora. O silêncio da mata só era quebrado pelo cantar dos pássaros e pela voz do rio que ele tentava decifrar. O velho índio manteve-se afastado depois retornando ajudou-o a descer da pedra e indagou.
- O que disse o rio?


O indiozinho sentia-se acuado, pois na verdade não conseguira entender o que dissera o rio, mas ouviu muito bem o que o avô tinha a dizer.

- Você percebeu que o rio segue cantarolando sem se alterar, sabe por quê?
O indiozinho nada respondeu, seus olhos denunciavam grande curiosidade.
- O rio não se altera, porque ele sabe exatamente o seu destino, sabe onde quer chegar.
- Caminha em direção ao mar arriscou o indiozinho.
- Isto mesmo - concordou o velho índio - apesar de todas as dificuldades que vai encontrando, com naturalidade vai se desviando das pedras, das árvores, enfim, de todos os obstáculos que encontra pela frente.
Os olhos do indiozinho estavam brilhando e em seu coração o carinho e o respeito pelo querido avô.
- Filho! A vida é assim, muitas serão as dificuldades, muitas serão as mudanças, muitos serão os obstáculos que você irá encontrar pelos caminhos. Se você sabe onde quer chegar, não haverá nenhuma dificuldade, nenhum obstáculo que possa comprometer sua caminhada. Ao encontrá-los, faça como o rio, desvie, contorne, passe por cima, mas sem se alterar, sem ferir as pessoas, com toda humildade e sabedoria. Temos a tendência de super valorizar os problemas, e na maioria das vezes, muito mais do que verdadeiramente são.
A mensagem desta estória serve perfeitamente para o nosso mundinho corporativo. Muitas empresas e muitos gestores, assim como o indiozinho, acabam entrando em conflito consigo mesmas, deixam de notar as mudanças no ambiente e ficam se esforçando para alcançar resultados esperados até que se afundam na própria falta de visão.
Fazemos isso quando não conseguimos "ouvir" aquilo que quem está de fora da situação, assim como rio, nos aponta como solução mais eficaz e, assim, perdemos a oportunidade de "reenquadrar" nossa empresa ás novas realidades. E ficamos paralisados, presos aos velhos hábitos, com medo de errar.
Reenquadrar é permitir-se olhar cada curva do rio, cada situação atual como se ela fosse inteiramente diferente de tudo que já vivemos. Reenquadrar é buscar "ver" cada obstáculo através de novos ângulos, de forma a perceber que, fracasso ou sucesso, tudo pode ser encarado como aprendizagem. Dessa forma, todo o medo se extingue e toda experiência é como uma nova porta que pode nos levar a um novo oceano.
Para que uma empresa não seja mais uma na multidão é preciso ousar e fazer com que apresente algo a mais do que o convencional para se diferenciar. Heráclito, mais ou menos no ano 500 a.C., dizia: Nada dura para sempre, tudo flui, tudo se transforma, ou seja, tudo muda... não podemos entrar duas vezes no mesmo rio. O medo de errar é na verdade o grande responsável pela falta de iniciativa de muitas empresas e gestores que preferem repetir, repetir e repetir ações que deram certas, mas que não garantem sucesso no futuro, não levando em consideração o que nos ensinou Heráclito há tanto tempo.
Se fizermos uma análise do mundo empresarial iremos constatar uma presença maciça de empresas competindo pelo mesmo nicho de mercado, mas se prestarmos ainda mais atenção descobriremos que algumas delas se destacam e se sobressaem perante as demais, chamando nossa atenção e passam, de alguma forma, a fazer parte da nossa lembrança. A questão é, porque as demais empresas nem são notadas e, se são, acabam facilmente esquecidas assim que passamos os olhos por elas?
Talvez a resposta seja porque as primeiras se apresentam de uma forma especial, inesperada, de uma maneira diferente, saem do lugar-comum. Este, por exemplo, é o segredo da Disney. Seus parques fascinam as pessoas independentemente da nacionalidade, cultura ou idade, pois cada canto, cada mínimo detalhe, transmite informações, sentimentos, lembranças do passado, ou mesmo de um futuro que cada pessoa imagina a sua maneira.
Sabemos que nenhum negócio é declinante em si, o que torna um negócio obsoleto é a mentalidade que ignora mudanças. Isto significa que o sucesso do passado não garante de forma nenhuma sequer uma presença de futuro. Quem não se lembra de marcas famosas como Mesbla, Disapel, Hermes Macedo, só pra citar algumas empresas da década de 80 e início dos anos 90? Em pouco mais de dez anos estas marcas de empresas poderosas deixaram de existir. Todas elas, provavelmente, fizeram vistas grossas as mudanças que estavam acontecendo no mercado.
É preciso que as empresas despertem para as constantes alterações em seu ambiente e no seu nicho de mercado. Se antes as empresas eram afetadas somente pelas mudanças locais, hoje ela é afetada por mudanças que acontecem no mundo global.
Já se falou muito do fenômeno da globalização, um fenômeno que produz sentimentos extremos de paixão e ódio, que em geral desembocam em grande confusão de idéias. É óbvio que a globalização ocorre em diferentes velocidades, sendo extremamente ágil, mas também é óbvio que esta globalização trás com ela mudanças significativas que afetam diretamente o ambiente e até a própria empresa. Não estar preparado para estas mudanças é um suicídio.
Portanto, se uma empresa quer vencer, quer estar propensa a novas experiências, deve abrir seus ouvidos, seus olhos e seu coração para o que acontece na próxima curva do rio. Não deve ter medo de errar, nem de fracassar. Talvez a receita seja deixar o medo para o concorrente e ousar, experimentar novas formas de gerir o negócio. Boa sorte.



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