Vamos melhorar o Brasil

Temos enfrentado desequilíbrio nas contas externas, desde longa data, o que tem sido o grande problema ainda não equacionado em sua profundidade

Estamos enfrentando o apagão mental resultante da indolência e do comodismo, o que conduz ao apagão ético, moral e profissional. Em vez de serem guindadas ao limite de sua potencialidade, desalentadas, as novas gerações estão sendo incentivadas ao próprio rebaixamento com o uso de drogas e busca de prazer, sem aproveitar o precioso tempo para evoluir e progredir.

Faltam seriedade e sinceridade. Há descrença nos governos e empresas. A espiritualidade ficou perdida em meio às banalidades e ninharias da vida. O mundo regride. Falta respeito à paternidade responsável. Famílias se desestruturam. Faltam creches capacitadas. Falta preparo para a vida. As novas gerações vão se tornando exigentes, pondo de lado a lei do equilíbrio de retribuir por tudo que recebem. Um pai seriamente preocupado com a educação dos filhos pergunta como poderia combater o apagão mental e educar as crianças nesta época tão diferente de alguns anos atrás.

Desde cedo as crianças devem ser orientadas a aprender a aprender, com curiosidade e vontade. Pôr as crianças em contato com a natureza suas belezas, sua lógica. Solo, florestas, água, ar, tudo interligado pela vida. Isso vai ajudá-las a pensar como criaturas humanos. O importante é levar os jovens, ao limite de suas potencialidades humanas, como agentes da melhora geral. Desenvolver o raciocínio lúcido para despertar a intuição. Indispensável é também a compreensão do significado da vida com amplitude para assim ter perseverança, foco, trabalho em equipe, boa comunicação, flexibilidade. É preciso ainda situar-se nas condições da época atual olhando para o futuro, sem que isso acarrete o afastamento da essência humana.

Temos enfrentado desequilíbrio nas contas externas, desde longa data, o que tem sido o grande problema ainda não equacionado em sua profundidade. O governo do PT também não olhou para isso, pois foi favorecido com o crescimento das exportações de primários, manteve o real barato e descontrolou as contas internas e externas, sem que tivesse sido dada prioridade a essa grave situação de dependência de dólares que atinge os emergentes. O economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) previu que essa dependência traria enormes desequilíbrios entre os povos. A situação é desconfortável e possibilita inúmeras manobras especulativas de vulto. Menos afetada foi a China com utilização da farta mão de obra barata, degradação ambiental e câmbio favorável para promover as exportações.

Precisamos observar o que se passa nos Estados Unidos, cuja economia apresenta melhoras após a crise de 2008. Penny Pritzker, secretária do Comércio dos Estados Unidos, empenhada no crescimento das exportações, assim se expressou: "Nosso foco está no salário mínimo, no crescimento da economia, nos investimentos em infraestrutura, em promover trabalho para a mão de obra qualificada e em preparar os demais para atender as demandas do século 21. Daí surgirão oportunidades, pois os empregos são criados pelo setor privado...estamos trabalhando em acordos comerciais...O que precisamos é obter um aumento do salário médio dos americanos".

Sem dúvida uma bela proposta que precisamos imitar. No entanto, a deslocalização industrial para a Ásia derrubou os custos da mão de obra e consequentemente os custos de produção, constituindo-se num dos mais importantes acontecimentos econômicos do século 20. O setor privado, gerador dos empregos, precisa ajustar-se, pois alguma fórmula deve ser encontrada para restabelecer o equilíbrio entre produção, comércio, empregos e consumo.

Os empresários sérios que promovem o desenvolvimento e geram empregos não podem ser abandonados pelo poder público quando necessitarem de crédito para expandir a produção. O que precisa é acabar com empréstimos de fachada, com juros abaixo do mercado para serem utilizados especulativamente. O apagão mental precisa ser combatido por todos, ou o futuro do país ficará seriamente comprometido. São alguns dos desafios que estão na linha de frente de todos que desejam um Brasil melhor. O bom preparo, a começar na primeira infância, promove o surgimento de cidadãos lúcidos e com bom senso.

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