Vamos invadir sua praia

Essa eu tenho que contar pra vocês... Estava o Clayton Silva (meu Web developer) dando uma de caçador-de-e-mail e acabamos por criar uma pesquisa... no mínimo curiosa. - Missão: Achar e-mails de mais 23 advogados conectados a Internet para fechar a lista de convidados a participar de um workshop. - Material utilizado: lista telefônica na seção de advogados. - Quantidade de ligações: 106 - Pergunta: Você tem e-mail? - Resultado: -- Não souberam responder ou não atenderam: 41% -- Não tem e-mail: 36% -- Tem e-mail: 23% - As respostas mais interessantes: -- Nós ainda não temos convênio com os Correios. -- Tem o quê?! -- Pra quê cê qué saber? -- Tinha, mas pifou e até agora o rapaz não veio concertar. -- Tenho, mas não uso. -- Deixa eu perguntar para a minha secretária. -- No último exame médico só deu HPV. -- O quê, 1/2 ??? Não dá para ser inteiro??? -- Tem meu filho que é meio homem e meio mulher... -- Só um minuto. -- escuta-se voz distante do gancho -- FILHO, ONDE FOI QUE VOCÊ GUARDOU AS EMENDAS? Claro que eu dei uma exagerada, mas como diria um outro "eu aumento, mas não invento!". Apesar de todas as respostas houve uma que... na verdade... não houve. Só houve uma pergunta sem resposta. Pois bem: Já era o período da tarde depois do almoço. O Clayton, já cansado de tantas respostas divertidas, discou para mais um número de escritório de advocacia. Do outro lado uma pessoa ensaia um "alô" meio desprevenido, no estilo de quem estava na cama dormindo e estendeu o braço para atender o telefone. Há um "ruumm ruumm" e finalmente o... -- Alô. -- disse a voz bem séria e FIRME. -- Boa tarde, doutor! -- disse o Clayton bem entusiasmado tentando não constranger o senhor. -- O senhor tem e-mail? -- Â!!! Clayton ficou imaginando que tinha despertado o homem de seu sono e por isso aguardou educadamente. -- Eu disse: e-mail, doutor!!! O senhor tem e-mail? Houve um breve silêncio e então... -- Ah sim, pera aí! Houve mais um silêncio. Clayton pensou que esta conferindo seu cartão de visitas. Afinal de contas, tem gente que não decora nem o endereço da própria casa... Ai veio o ruído do fax "PIIIIIIIIIIIIIICRUCRUCRUCRUXIXIXIDRU XIXIXIUUUUUUUUUUUUUUU". Estava do lado do Clayton quando escutei o doutor dando o sinal do fax. Se não estivesse, eu teria dito que era conversa! Olhamos uma para a cara do outro e caímos na gargalhada. Aquela tinha sido a piada do dia ou veio a mostrar o quão longe estamos de uma outra realidade? A esta realidade podemos dar o nome de mundo off-line. Os desconectados, o são, não pela sua própria vontade, mas pela falta de oportunidade, condições sócio-econômicas, etc. Mas há também os tecnofóbicos, que se apoiam no comodismo, salvos em redutos de argumentos gagás. Se sentem invadidos, desprotegidos, marginalizados, fora do processo de globalização. Ora, segundo Philip Kotler "a Internet nada mais é do que a maior ferramenta da globalização. Ou você está nela ou será refém dela". Isso realmente é muito agressivo e fatal, mas há gente que vai continuar arriscando. Os desconectados vão ter que pagar por um micro ou vão continuar pagando mico. Vão ficar isolados, deixar de ser convidados para workshops, deixar de receber promoções, deixar de fazer negócios, ficar sem notícias dos amigos e parentes. Vão deixar todo o ônus e bônus que a vida on-line pode proporcionar. Fico imaginando a cena: -- Em qual agência bancária eu pego o edital do concurso para mestrado! -- Não precisa, é só entrar no endereço www.mestradoadistancia... -- Mas isso é um absurdo! Pra quem eu reclamo? -- Basta mandar escrever para reclamacao@mestradoadistancia... É uma realidade que eu imaginava já estar muito menor. Há muito tempo que os off-line deixaram de ser meu público-alvo. Hoje eu procuro os meus clientes dentro da própria Rede. Deixo esta árdua tarefa para Terra, Globo.com, Zip.Net, UOL, que tem como pagar inserções de VT's no horário da novela. Procuro pessoas que, no mínimo, cumpriram o mínimo de exigência de uma pessoa "on": se conectar a Internet, abrir uma conta de e-mail e ter o hábito de verificar suas mensagens. O resto fica por conta dos bons e-profissionais: criar mecanismos que facilitem a navegação dos "ex-off". Para os que ainda estão off. Eu mando um recado: Nós vamos invadir sua praia, quer você queira, quer não! Se o seu telefone está na lista telefônica, você irá receber telefonemas de pessoas, vendedores e clientes, pedindo o endereço eletrônico e o endereço do site. Pessoas que um dia pararão de ligar, pois a lista telefônica já ficou pré-histórica e o fax já está no museu do lado do telégrafo e do telefone. Data de Publicação: 01/11/2000
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