Valeu ou "O bem com o mal se paga"

O publicitário que desceu o sarrafo geral na publicidade em Cannes, Amir Kassaei, tem razão em muita coisa. Faz tempo que quero falar sobre campanhas e/ou peças publicitárias que me incomodam

O publicitário que desceu o sarrafo geral na publicidade em Cannes, Amir Kassaei, tem razão em muita coisa. Faz tempo que quero falar sobre campanhas e/ou peças publicitárias que me incomodam.

Acabo de rever um vídeo que já tinha me causado um baita mal-estar. Dois caras num quarto de hospital, um dizendo pro outro: "Fulano, você me doou um rim, não dá pra acreditar! Você salvou minha vida!" O amigo, cansado, em silêncio, bate no peito, como quem diz: "aqui você tem um irmão, você é parceiro, é brother, mora no meu coração!"

E aí o primeiro abre um chocolate, começa a comer. O amigo doador estende a mão, olhos melosos, claramente pedindo um pedaço, uma mordida, um tequinho de nada, mas o receptor do rim, que lhe salvou a vida!, dá uma encarada na mão do amigo, no rosto do amigo, troca o chocolate de mão e pega a mão do seu salvador e fala um básico "valeu", ainda mastigando, com a boca cheia.

O narrador diz: "Bis extra. Mais bis pra VOCÊ! Muito mais chocolate pra VOCÊ!" Dando ênfase no "você". É esta a sociedade em que vivemos. Onde a publicidade ruim (ainda que criativinha e engraçadinha, o como se o humor estivesse sempre acima de tudo), exalta (incentiva?) o que há de pior na sociedade, o desamor, o egoísmo.

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