VAGA PARA C DE CEO

Iniciou-se nos tempos de Taylor, Ford e Cia., e progrediu geometricamente desde então, a cobiça por vagas de trabalho em cargos cujos nomes sejam compostos por três letras, dentre as quais a primeira seja, invariavelmente, um C: CEO, CFO, COO, CIO e muitos outros. O cargo de Chief Executive Officer é, dentre eles, o mais cobiçado. Isso se explica por um fato muito simples: É o C de CEO que manda em todos os demais Cs corporativos. É também ele o que ganha os maiores salários e os melhores louros. Essa mania de Cs para todo lado avolumou-se com o surgimento de executivos legendários, supercompetentes, famosos e, também, pagos extraordinariamente bem. Dentre os exemplos dessa rara espécie de seres humanos que conseguem combinar capacidade de realização com, por que não, sorte, o exemplo vivo mais divulgado é Jack Welch. O ex-Zécutivo chefe da General Eletric, que multiplicou várias vezes o capital da empresa, implantou o Six Sigma e, no decorrer de alguns anos, amealhou uma fortuna que quase UM BILHÃO de dólares, continua sendo símbolo do que um cargo de CEO pode proporcionar, diga-se, dinheiro, status e bem-estar. No entanto, todo o glamour e o prestígio inerentes ao cargo de CEO parecem ter superado, na sociedade moderna, as barreiras do normal e desejável para se tornarem verdadeiros geradores de infelicidade. Para muitos profissionais e estudantes a busca por um cargo no topo da pirâmide organizacional tem causado inúmeras tristezas ao invés de alegria. É incrível observar como um número infindável de pessoas investem dinheiro e tempo em cursos de networking, marketing pessoal e boa etiqueta sem, primeiramente, preocuparem-se em gostar de si mesmos antes de tentar gostar dos outros. Não assombra que esses cursos têm se mostrado cada vez mais ineficazes. São muito comuns também os casos de profissionais que abrem mão de ter uma vida pessoal para dedicar-se ao trabalho full-time. Outros decidem-se por não reconhecer tal fato, dizendo que a vida pessoal e a profissional caminham lado a lado, não sendo possível separá-las. Sou cético quanto a isso. A menos que você namore a secretária, ou seja esposa do patrão, é difícil acreditar que passando 14 horas dentro de uma organização você irá viver a vida em sua plenitude. Para outras pessoas, a vontade de ser um CEO supera todos os outros limites existenciais e, não raro, supera até a moral. São vários os casos de executivos que deixaram de lado seu princípios morais para alcançar o posto mais alto da organização. Acredito que a busca por um cargo de CEO é uma busca nobre, pois expressa uma profunda vontade de se realizar projetos de vida, planos de carreira. Porém, essa busca deve ser sadia, produtiva. Não deve fazer com que a pessoa deixe de lado valores que, apesar de não serem cotados em dólar, têm um significado muito grande. Alguns desses valores são lealdade, amizade a amor. Dentre os três citados, creio que o AMOR seja o mais importante. A busca pela realização profissional em qualquer que seja a profissão deve expressar, antes de mais nada, um profundo AMOR pela atividade desempenhada, uma vontade de vencer desafios muito maior do que qualquer obstáculo que possa aparecer pela frente. Enfim, dentre todos os Cs existentes nas empresas, o C que deve prevalecer para que um profissional seja bem-sucedido e feliz na carreira que escolheu não é o de CEO, CFO, nem nenhum desses. Na verdade, o C mais importante ainda é o C de CORAÇÃO.
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