Universidade cria programas para transição de carreiras
Universidade cria programas para transição de carreiras

Universidade cria programas para transição de carreiras

E considerando inúmeras variáveis foi que a Universidade de Stanford recebeu um grupo de 25 estudantes bastante incomum em seu “campus”, pois todos estavam na faixa entre 50 e 60 anos de idade

Embora com um pouco de atraso, o mundo acadêmico começa a olhar com maior atenção e interesse os profissionais que estão cruzando a linha da meia-idade.

A cada dia que passa, fica mais evidente que o aumento da longevidade também tem impactado o mundo corporativo. E de forma especial as perspectivas, aspirações e modelos de carreira dos executivos de alta e média gerência.

Já não basta recrutar, admitir, integrar, motivar e desenvolver os profissionais contratados. Afinal, novas variáveis têm surgido, tais como: carreiras mais curtas; dificuldade em lidar com o sucesso rápido; maior competitividade acompanhada da ambição de crescer rapidamente; preocupação com o equilíbrio entre a qualidade de vida pessoal e profissional; internacionalização dos mercados; transitoriedade dos modelos de gestão; fusões e incorporações que agregam novas culturas corporativas e transnacionais; transferências compulsórias para realidades e mercados muito distintos; maiores exigências dos acionistas e controladores do capital; etc.

E considerando inúmeras destas variáveis foi que a Universidade de Stanford recebeu um grupo de 25 estudantes bastante incomum em seu “campus”, pois todos estavam na faixa entre 50 e 60 anos de idade.

Eles se tornavam as “cobaias” para uma iniciativa pioneira da Universidade, que resultou na criação do Instituto para Carreiras Eméritas (Distinguished Carreers Institute, ou DCI, na sigla em inglês - . O mesmo foi criado para pessoas que desejam seguir mais de uma carreira ao longo das suas vidas além de voltar a estudar.

Para o fundador do programa, Prof. Philip Pizzo, “as pessoas vem descobrindo que suas carreiras iniciais podem durar 20 ou 30 anos e que, então, precisam se preparar para novos trabalhos que possam durar mais um par de décadas”.

O programa é muito similar a chamada Iniciativa de Estudos Avançado, da Universidade de Harvard, lançado em 2009, com duração de um ano. Ambos se destinam a altos executivos interessados em transformar a segunda metade de suas vidas profissionais de forma planejada e buscando se reinventar com novos sentidos e propósitos para sua existência.

Iniciativas similares também estão em andamento na Argentina e México.

Paralelamente também entidades sem fins lucrativos, como é o caso da Encore.org, vem estimulando Universidades a utilizar a educação como uma forma de ajudar na transição de carreiras dos profissionais na meia-idade.

Eles reúnem presidentes de Empresas e Universidades no sentido de estudar e encorajar o mundo acadêmico a direcionar novos programas para estudantes mais velhos que buscam mudanças em suas vidas profissionais.

Como exemplo interessante desta iniciativa o DCI de Stanford os alunos podem escolher entre nove áreas de foco acadêmico, que vão desde artes e humanas até engenharia, saúde e ciências sociais.

Também são estimulados a participar de Seminários semanais para discussão e dinâmicas em que se discutem novas formas de liderança e aconselhamento intergeracional.

Este público mais idoso, retornando aos bancos acadêmicos, provoca no mínimo uma forte curiosidade dos jovens estudantes. Segundo um dos participantes “todos nos recebem bem e procuramos nos encaixar, embora tenho certeza de que nos distinguimos dos demais, porque todos nos parecemos com os pais ou avós dos jovens que circulam no “campus”.”

Estas iniciativas apenas demonstram que a questão da longevidade é um tema atual e pode ser atendido nos mais diferentes segmentos do mercado.

Preparar-se para uma vida mais longa não é mera questão de preenchimento de tempo, lazer, ócio ou tentativa de resgatar o que não se viveu anteriormente. Muito menos para arrependimentos.

A cada dia é mais importante que as pessoas que atravessam a etapa da meia idade necessitam criar projetos de vida para esta nova fase. Até mesmo porque ela pode durar muito mais do que a média dos quarenta. E esta é uma responsabilidade que não pode ser delegada a ninguém. O projeto e as ações devem ser de cada um de nós.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento