Uma receita para o webdesign

No ano passado, tive o prazer de ouvir, em Goiânia, uma palestra descontraída de Luli Radfaher sobre webdesign. "Faça um design criativo e inteligente, mas que não dificulte o acesso do visitante", foi uma das mais importantes afirmações do Luli, que hoje vive em New York e trabalha na StarMedia Network (www.starmedia.com). Mas o que ele não disse? Realmente, isso ficou para a minha reflexão e, passados os dias, cheguei a uma receita sobre desenvolvimento de sites bem-sucedidos. Essa alquimia está aberta a mudanças, na qual, espero eu, façam evoluir a própria receita. Anote os quatro ingredientes: conceito, objetivo, tema e meios. Conceito Esse é o primeiro e o mais importante elemento para pensar antes de começar um site. Tenho colocado os empresários em uma verdadeira saia-justa, ao perguntar: "mas o que é a sua empresa?", "o que é o seu produto?". Não interessa a tecnologia se o conceito é forte, pois a tecnologia passa e o conceito fica. A tecnologia não é um ingrediente, é apenas um tempero mágico. Através dela, podemos integrar o ambiente de negócio presencial com o virtual. E isso é maravilhoso! Fernando Vieira, da Lynx Informática, explica que "o site tem de ser como televisão, a informação tem de estar ali na sua frente, sem a menor necessidade de ler, torcer a cabeça, rotacionar mentalmente a imagem e tudo mais... do contrário, poucas pessoas vão prestar atenção". Para o consultor Martiniano Cunha Lopes, da Price Waterhouse, deve-se ter em mente que a tecnologia por si só não resolve o problema. Se a empresa trabalha sem planejamento, sem uma definição dos processos, dificilmente terá sucesso nos planos de automação. Mário Persona, diretor de comunicação da Widesoft, afirma que "os sites devem ser sem degraus". Ele se refere aos bancos que perdem clientes idosos ou com deficiência física porque põem degraus na entrada, dificultando o acesso às agências. "Os internautas de ontem eram nerds. Os internautas de hoje são inválidos em Internet. Vamos ajudá-los a entrar eliminando os degraus, que podem ser ante-salas (clique para entrar), plug-ins impossíveis, avisos de que o micro dele vai receber um arquivo de música (oops! dirá ele, será vírus?) ou coisas do tipo", alerta. Objetivo O objetivo de um site, às vezes, não é tão óbvio ou claro como se imagina. Principalmente quando não é pensado o público-alvo ou o objeto de sua existência. Portanto, se o objetivo do site é apresentar uma empresa a um determinado grupo de pessoas, deve falar a língua delas de forma que elas se identifiquem, sejam incentivadas a interagir com o site. Não basta ter serviços se não há quem os queira. O problema é que a maioria das empresas ainda não enxergou um site como uma filial da empresa aberta 24 horas por dia e se contenta com as famosas home pages do sobrinho. Seu sobrinho seria capaz de criar essa filial? "É provável que não, pois sistemas assim exigem um trabalho de equipe envolvendo profissionais de diversas áreas, desde projeto e desenvolvimento até o domínio de tecnologias de rede, bancos de dados e servidores seguros", analisa Mario Persona. Quem cria sites tem de ser o melhor vendedor da empresa que o contrata. Afinal, o conceito que estamos passando é de vender e não fazer um site bonitinho! Comprometimento também é um tempero. Mas o que fazer quando a própria empresa contratante não tem esses conceitos bem definidos? Bom, eu sugeriria um consultor de empresas, antes de um consultor de e-business, para uma análise de processo. Quem desenvolve sites tem de se preocupar em vender conceitos. A gente mostra a solução, mas caminha junto com a empresa até o seu sucesso. Esse é o verdadeiro e-business! Como diz Mário Persona, "o e-business tende a deixar de existir, pois os negócios que não se tornarem e-alguma coisa se tornarão ex". Segundo o webdeveloper Clayton Silva, "criatividade é tudo e é com ela que são criados os temas para os sites de sucesso". Escolhido o tema para o site, você começa a materializar o design, a identidade visual, o organograma do site e a redação, mas o que temos visto é exatamente o contrário. Chutar a bola para cima e querer que onde ela caia seja gol é o que está acontecendo hoje com quem cria conteúdos para a Web. "Não existe a melhor maneira", critica Luli. Que se criem antíteses! Subvertam a ordem, desde que esse caminho leve ao sucesso do site. Portanto, não adianta você meter o pau no pobre do webdesigner que teve de criar conceito, tema, identidade visual, baseado-se apenas em um organograma maluco e em estatísticas que você criou. Criar sites não é diferente de criar histórias. A primeira coisa que as pessoas procuram é identificar o assunto. Se não gostarem, elas nem terminam de ler. Praticamente "elas levam oito segundos para resolver se querem continuar ou não no site". O tema tem de ser interessante, cativante e sedutor. É preciso afiar o canal de comunicação com toda a equipe, pois todas as áreas diretas e afins devem opinar. Todos devem apresentar a sua visão do tema escolhido. A visão de cada um da equipe é especializada, não generalizada, e é por isso que todos devem estar com o conceito e o objetivo do site em mente, sem desfocalizá-los. Meios Existe um conceito bem definido, um objetivo bem claro, uma temática bem trabalhada, com serviços relevantes, e o site tem tudo para ser um hit. Certo? Errado. O ingrediente final para um site de sucesso são os meios nos quais ele será desenvolvido e nos quais se promoverá. Pois de que adianta haver um site com um ótimo serviço se ninguém o conhece ou o pediu? O e-marketing é outro meio. Todo mundo sabe que é a galinha que põe os ovos mais famosos do mundo, pois é a única que choca e cacareja ao mesmo tempo. Portanto, não investir na divulgação do site é condená-lo ao fracasso. A equação para a promoção de um site deve ser proporcional a cinco vezes ou mais o valor do próprio site, ou seja: se um site valeu R$ 5 mil, deve-se investir no mínimo R$ 25 mil para divulgá-lo. Exagero e desperdício? Economia e lucro garantido? Tudo depende do profissional que você escolheu. Encerro este artigo com as palavras de Luli Radfaher: "Todos nós somos pioneiros desta nova mídia, portanto não há conceitos definidos". Lembre-se de que essa receita é como Neston: existem 1001 maneiras de preparar, invente a sua!
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