Uma metáfora para um ex-presidente

No Futebol quando o Juiz apareceu muito num jogo, é sinal de que o torcedor saiu insatisfeito porque certamente quem deveria aparecer - o jogador - não apareceu o suficiente para dar espetáculo

Temos um ex-Presidente que gosta muito de futebol e nada mais familiar e identitário no país que possui "milhões de técnicos" tanto quanto "milhões de árbitros" de futebol.

Conhecemos o futebol por dentro e por fora, pela arte, pela técnica e pelas regras. "A regra é clara!" garante o comentarista consagrado Arnaldo Cezar Coelho. Gol de letra, gol de placa, pintura de gol, frango, bater roupa, rebote, drible, drible da vaca, chapéu ou lençol, caneta, elástico, calcanhar, dando condição, impedimento, escanteio, pênalti, falta... ih! São muitos termos, expressões e suas peculiares semânticas, num dicionário de muitos milhares de verbetes, mas pode ter certeza que o povão conhece a cada um deles. Os senhores cronistas esportivos dedicam - creio eu - 99% do que produzem para o futebol, porque aí estão os leitores do caderno esportivo nos jornais, sobretudo dominicais, e das revistas esportivas com periodicidade semanal ou mensal.

O futebol é o nosso passatempo favorito e em boa medida é parte do acervo dos saberes mais encravados no ideário brasileiro. É uma paixão nacional, cujo alcance vai de tataravô a tataraneto. E as mulheres - quem diria? - é o público que mais cresce e os Templos dos Deuses do Futebol estão, cada vez mais, cheios da leveza, da graça e beleza femininas num universo em que os marmanjos, ainda, marcam muito e nem sempre com cortesia. Democracia futebolística? Sim! Está melhorando. Nossos estádios estão virando lugar de confraternização entre famílias, e isto é muito bom.

É usual fazermos comparações e metáforas usando os fundamentos e as verdades do futebol e uma delas reza sabiamente:

"Quando o árbitro aparece muito numa partida, o espetáculo do futebol fica comprometido". O jogo não é bom e o torcedor sai no prejuízo.

O nosso ex-Presidente era exímio artesão de metáforas e se apoiava bastante nas "verdades terrenas do futebol" para sustentar as "verdades palacianas", quase sacro-santas.

Certa feita, ele referenciou o filho Lulinha como "fenômeno" numa alusão a Ronaldo, este sim, "fenômeno". Tratava-se da venda da participação acionária de Lulinha na Gamecorp em 35%, para a Telemar, em 2005, numa fenomenal transação pela qual embolsou mais de R$ 5 milhões. O insólito é que a BrT (pública) tinha a preferência e foi "atropelada" pela Telemar (privada). A disputa ou, melhor, a concorrência estava acirrada no "fenomenal" Capitalismo Sindical: A Escola de Lulinha vem da parceria com os filhos do Sindicalista Jacó Bittar, compadre e amigo de Lula desde 1978. Claro, sob os auspícios do Estado, por sua vez, conduzido pelo paizão de Lulinha, e Jacó Bittar como Conselheiro da Petros. Os Fundos de Pensão das Estatais sempre envolvidos nessas transações de dirigibilidade estatal-sindical. Este episódio está bem reportado no livro "Operação Banqueiro" do jornalista Rubens Valente, às páginas 164-170. É oportuno mencionar que Peter Drucker no livro “A Revolução Invisível – Como o Socialismo Fundo-de-Pensão invadiu os EUA” descreve muito bem o risco de os Sindicalistas capturarem as muitas virtudes dos Fundos de Pensão como “moto contínuo” na Economia, subtraindo vantagem para eles, em detrimento dos trabalhadores associados: os verdadeiros proprietários. Ninguém é imune a esse risco: nem ativos nem inativos.

Bem, mas a metáfora que o nosso mui digno Presidente jamais ousaria fazer em seus “ensinamentos de Estadista" é a seguinte:

"Quando o Estado aparece muito numa sociedade, o espetáculo da cidadania fica comprometido". O jogo não é bom e o cidadão sai no prejuízo.

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