Não surpreende que surjam ideias estranhas quando 2 modelos econômicos completamente diferentes tentam dormir na mesma cama. E isso é muito bom! Quase todos os princípios das economias de átomos e de elétrons são antagônicos, como antecipou Negroponte. Por causa desses choques, a superfície do nosso Planeta Econômico está sendo modificada para sempre. E a paisagem dos empregos também!

Uma das formas de lidar com a mudança nas condições de contratação do trabalho é a relativização da carreira - ou seja, a ideia de que vale mais a pena "ser feliz" do que seguir uma carreira profissional. Ou de que a solução para todas as injustiças é transformar as pessoas em empresas. Apesar de idéias ainda ingênuas, acho muito útil observar com atenção esses movimentos como sendo sinais dos impactos emocionais que as pessoas estão sofrendo.

Outra forma de reagir às novas perspectivas, claro, é acusar a Nova Economia de responsável pela destruição dos sistemas bem sucedidos de geração de emprego, riqueza, e organização social. Ora, a gente sabe que a sociedade nunca foi nenhum paraíso. O fato é que uma Grande Rede sempre será mais poderosa que uma pequena Rede. Ou seja, mesmo não gostando, teremos que conviver com esse choque de modelos. E precisamos de um plano!

Um plano que pode parecer muito estranho começa a ganhar força. Países estão avaliando. Investidores estão interessados. Formadores de opinião já estão dando espaço ao assunto. Pesquisas estão sendo feitas. O que todos estão intrigados, é se ao invés de considerar uma ameaça, a automação das atividades não poderia ser vista como grande oportunidade para transformarmos completamente a sociedade. A ideia é que os robôs trabalhem, sim, e para as pessoas. Em contrapartida, que seja adotada a Renda Mínima Universal (Universal Basic Income - UBI).

Os robôs são uma realidade em todos os países. E não param de chegar. No quadro abaixo, a atual participação de robôs sobre trabalhadores na produção industrial.

Os países mais ameaçados pela automação, são justamente os países em desenvolvimento, pois suas economias dependem de atividades operacionais. Mas os impactos serão vistos em todas as regiões. Apenas em Nova Iorque, 40.7% dos empregos já são considerados em extinção.

No mês passado, a Suíça fez um plebiscito para que a população decidisse se concordaria com a adoção do sistema de Renda Mínima Universal. O voto foi "Não". Outros países, como Holanda, Quênia, e Finlândia estão avaliando. A conversa está crescendo. A Namíbia já adota um sistema parcial, com resultados positivos, como redução da criminalidade, da pobreza, de crianças subnutridas, e crescimento de renda geral do país, em consequência da maior circulação de moeda.

Em junho, 23,1% dos eleitores suíços apoiaram a adoção de uma Renda Mínima Universal

O estado do Alasca possui um sistema de distribuição de dividendos de um fundo de investimentos. Por causa das distribuições feitas, aumenta o nível de emprego decorrente do consumo gerado, aumenta a poupança, e a população não considera que esteja trabalhando menos por causa do Fundo Permanente de Dividendos (PFD).

Há muitos setores que serão impactados pelo corte de empregos. Estima-se que em fazendas, a automação cortará 97% das vagas. 79% de motoristas de caminhão ficarão sem empregos. Os investimentos em veículos autônomos está acelerado. ASuíça planeja construir uma malha de túneis para transferir para debaixo da superfície todos os caminhões. Eles circularão sem motoristas, levando mercadorias diretamente até os supermercados, já em 2030, sem necessidade de pessoas para essa operação!

Pela primeira vez, uma nova ideia parece estar ganhando espaço, sem que uma ideologia de esquerda ou de direita esteja diretamente associada. Dar um mínimo de dinheiro para as pessoas viverem com dignidade está trazendo resultados positivos, tanto contra o impacto negativo da automação, como para uma nova organização da sociedade. Os estudos que estão sendo feitos são sérios!

Por que não imaginar um mundo onde as máquinas possam resolver os problemas do trabalho, e liberar as pessoas para se dedicarem aos projetos de uma sociedade mais justa? Será que somos doentiamente apegados ao trabalho? Dependeremos dele para sempre? Não teríamos agora a chance de nos dedicarmos às artes, ao desenvolvimento do auto conhecimento, à promoção de uma sociedade mais igualitária, como sonharam os atenienses da Grécia Antiga?

Se é para pensar um novo caminho, e superar os paradoxos em que estamos nos metendo, por que não pensar realmente fora da caixa?

Conheça as ideias da Renda Mínima Universal aqui: www.basicincome.org

Infográfico: http://futurism.com/images/universal-basic-income-answer-automation/

Martin Haag é sócio-diretor da City