Um texto desmotivacional

Não importa o quão bom seja em algo, o sucesso nunca dependerá só de você. Filmes como À Procura da Felicidade podem nos dar a sensação de que basta querer algo e batalhar por aquilo que conseguirá. Mas histórias como aquela são exceções. Num roteiro mais realista, Will Simth viraria morador de rua e seu filho iria para a adoção (ou você acha que Hollywood procuraria por histórias comuns?). Histórias de fracasso são mais rotineiras do que histórias de sucesso.

Em contrapartida, pessoas muito crentes nesses tipos de histórias se frustram facilmente, já que ao primeiro obstáculo não superado, independente do esforço, vão dizer que suas vidas não terão mais jeito. Correm o risco de caírem numa depressão profunda, pois acharam que era só persistir que conseguiriam, como mostrou o filme do Will Smith. Você pode persistir, persistir, persistir e… fracassar. Nada de anormal nisso.


Chris Gardner, interpretado por Will Smith no filme À Procura da Felicidade. (Imagem: David/Flickr/CC BY 2.0)

O mundo das redes sociais proliferam imagens de pessoas felizes (há alguém infeliz no Facebook?) e o mesmo ocorre com textos motivacionais e matérias contando histórias de superação mirabolantes. Toda essa overdose de felicidade pode nos fazer tomar dois caminhos: 1) nos sentirmos medíocres; 2) acharmos que o sucesso é possível para qualquer um (e se você não conseguir este, voltará para o 1).

E isso não é questão de ser bom, ótimo ou excelente. O fato é que o sucesso depende de uma combinação de inúmeras variáveis impredizíveis e a qualidade do seu trabalho é apenas uma delas. Muitas pessoas têm sucesso sendo medíocres, pois basta com que as outras variáveis se combinem de forma a garantir um resultado positivo, como numa fórmula matemática. Se o sucesso depende da combinação de X, Y e Z (um exemplo de um número de variáveis muito reduzido), sendo que X=qualidade do trabalho, Y=networking e Z=tom de voz, e a soma Y + Z for maior do que 70%, o sucesso estará lá, independente se você é bom ou não. Talvez o sucesso venha disso: uma equação com n variáveis onde a maioria é desconhecida e não-manipulável e, a minoria, conhecida e manipulável. A combinação correta das variáveis desconhecidas é que determinará a sorte e, o sucesso, será o resultado dessa enorme equação.

Depois de muito estudar o caso das Havaianas ficou muito claro para mim que houve muita sorte envolvida. E não venham me falar que foi planejamento estratégico… Falácia! Papo fiado de professor (e eu sou um!). Teve planejamento sim, mas depois de algumas doses cavalares de sorte. Fundada em 1962, a empresa vendia mais de 1000 pares por dia três anos após sua fundação! Ora, quem poderia prever? Nem o mais otimista! Isso em um país com práticas administrativas precárias e uma teoria de administração embrionária. A segunda dose de sorte das Havaianas foi em 1998, quando lançaram uma série com a bandeira do Brasil nas tiras em referência à Copa do Mundo. O sucesso foi gigantesco e não há guru ou planejamento algum que poderia prever o quanto uma simples bandeira de borracha afixada nas tiras da sandália poderia agradar tanto ao público. Sorte, sorte sorte!

Sempre vão ter alguns que dirão: – mas a sorte veio acompanhada da competência! Caros, competência é tão comum… se acha em qualquer esquina. O problema é que a sorte não aparece dobrando esquina toda hora.

Se Steve Jobs não tivesse visto disciplinas de tipografia ou experimentado ácido, talvez não teríamos iPhone. Tudo bem, o cara foi um visionário, mas se não tivesse vivido determinadas experiências ou, não tivesse passado pelo Vale do Silício, nunca teríamos ouvido falar seu nome… sorte.

Não importa o quão bom você seja em alguma coisa, o fracasso é sempre uma possibilidade. Mas isso não deve ser desculpas para que você deixe de arriscar. Se falhar, não é o fim do mundo. É apenas o resultado mais comum.

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