Um país nau sem rumo: liderança perdida e a riqueza de uma nação
Um país nau sem rumo: liderança perdida e a riqueza de uma nação

Um país nau sem rumo: liderança perdida e a riqueza de uma nação

Vamos começar com a pergunta: Qual é a principal qualidade de um administrador e de um líder de alto nível, não importa se na esfera privada ou pública?

Este artigo não é sobre esta ou aquela empresa e nem sobre este ou aquele país em particular. É sobre os princípios que valem para qualquer empresa ou nação. Tem a ver com uma constatação de Earl Nightingale que diz: “Pessoas que tem sucesso e as que falham sempre na obtenção de resultados estão sujeitas aos mesmos princípios. As mesmas leis e procedimentos que levam ao sucesso também levam ao fracasso. Tudo depende da forma como as usamos para o bem ou para o mal”. E nenhuma empresa pode crescer se os princípios da boa administração e liderança forem ignorados ou pisoteados. E o mesmo vale para um país, para uma nação.

Vamos começar com a pergunta: Qual é a principal qualidade de um administrador e de um líder de alto nível, não importa se na esfera privada ou pública? A principal qualidade de um ótimo administrador e líder, não importa de que esfera seja, é a lucidez, discernimento e sabedoria, pois sem lucidez, discernimento e sabedoria é impossível tomar boas decisões e a excelência de uma boa administração depende da excelência das decisões. E uma decisão só é verdadeiramente excelente se for muito bem implementada.

Entretanto, a capacidade de tomar e implementar decisões está na dependência dos modelos mentais de cada pessoa. Assim, por exemplo, por que Cristovam Colombo foi o primeiro navegador a tentar fazer uma viagem de circunavegação? Porque no seu modelo mental, Colombo representava a Terra como sendo redonda. E então vem as consequências do modelo mental: jamais ia passar pela cabeça um navegador que representava a Terra como sendo plana, fazer uma viagem ao redor da Terra, ou seja, de cicunavegação, ainda mais que naquela época, além de se considerar a Terra como plana, havia a crença de que, quando se chegasse aos limites deste plano haviam monstros marinhos que devoravam os seres humanos.

O que deve ser entendido é que em qualquer organização, as decisões são tomadas ao nível estratégico, tático e operacional e tudo começa pelo nível estratégico. Erros ao nível operacional causam prejuízos. Mas erros ao nível estratégico podem quebrar uma empresa ou provocar sérios danos a um país, inclusive recessão.

Quando aconteceu o chamado milagre japonês, houve muitas tentativas de explicar as razões do milagre. E as explicações foram muitas, como os CCQs ou círculos de controle da qualidade, os hinos das empresas, a cultura e o clima organizacional. E entre estas explicações estava a Teoria Z de William Ouchi que, por volta de 1980, ficou mundialmente conhecida. Mas estava errada. Quem chegou à essência da questão foi Kenichi Ohmae que, estudando o assunto, chegou ao ponto essencial da questão quando identificou que a verdadeira razão do milagre japonês estava na mente de seus estrategistas, ou seja, da liderança ao nível estratégico. E qual é o papel do líder? O líder é uma pessoa que exerce influência e está presente no imaginário dos demais porque dá direção e sentido, coordena, motiva, dá esperança, gera confiança, favorece a ação e o assumir riscos e de maneira tangível ou simbólica reforça a noção de que o sucesso será alcançado. E é Isto o que fazem os bons líderes. Já os maus líderes são a antípoda disto. Não dão direção e sentido e, pior do que isto, tiram a esperança. E isto vale para empresas, nações, ou seja lá o que for.
E para uma Nação, esta constatação é fundamental e assim vale a pergunta: qual deve ser o principal foco na mente dos estrategistas nacionais? É o projeto de nação. Da Nação que se quer construir.

Portanto, tudo começa com a decisão sobre a visão do futuro e a determinação de objetivos. E isto vale para pessoas, empresas ou nações. O Parthenon, que é um símbolo duradouro da Grécia antiga e visto como um dos maiores monumentos culturais da humanidade, começou como uma visão do futuro na mente de um arquiteto. Um estudo feito pelo pesquisador e sociólogo holandês Fred Polak constatou que aquelas nações que se impuseram, em todos os tempos da História, apesar de inúmeras adversidades, tinham uma visão positiva de seus futuros. Lideranças competentes sabem construir visões positivas do futuro. Lideranças incompetentes não sabem. Uma característica das lideranças incompetentes é ter visões simplórias e equivocadas de como funciona o mundo da economia. O mundo da economia funciona em ciclos, e isto já era sabido desde os tempos bíblicos. Ou seja, depois dos tempos de vacas gordas vem, inexoravelmente, os tempos de vacas magras. E para alertar sobre este ponto é que existe a fábula da cigarra e da formiga. Líderes cigarra ou equivocados são um perigo. Uma outra característica das lideranças incompetentes é ter visão mágica. A visão mágica é aquela que acredita que é possível distribuir riqueza sem que se gere riqueza.

Outro ponto importante a ser considerado é o das necessidades fundamentais do ser humano. Entre estas necessidades, duas merecem atenção especial, que são as necessidades de realização e as de poder, que são necessidades que todo ser humano tem, em menor ou em maior grau. Para que a necessidade de realização possa ser satisfeita, a verdade é fundamental, pois esta necessidade está baseada no processo decisório e de solução de problemas. E para se ver a importância da verdade no processo decisório e solução de problemas, basta fazer uma analogia com uma consulta médica. Se as informações estiverem erradas o médico vai fazer um diagnóstico errado e dar um remédio errado. E é isto que constitui o chamado tratamento iatrogênico. Ou seja, um tratamento que piora a situação e que provoca um mal maior do que aquele que a pessoa estava quando foi fazer a consulta. E isto vale para a medicina, para a economia, para a administração e para o governo.

Já para a necessidade de poder, a verdade não é fundamental e é como dizem os políticos: a versão é mais importante do que os fatos, ou como dizem os marqueteiros: o que importa não é a verdade, mas o que está no imaginário. E se o que conta é o imaginário, as decisões podem ser catastróficas. Portanto, existe um conflito entre as necessidades de realização e as de poder.

De qualquer forma, é precisos ter presente que o sucesso de nações ou empresas começa com uma visão de futuro, como muito bem constou Fred Polak. E esta é a função principal da liderança ao nível estratégico. A liderança competente sabe como fazer isto e, portanto, qual deve ser o foco e quais as prioridades. A liderança incompetente é uma tragédia. Não sabe nada disto, não tem noção de prioridade e, para completar, tem foco caótico, fica pulando de galho em galho e dando tiro para todo lado na esperança de que algum acerte o alvo.

Mas só a visão não basta. É preciso preparação, muita preparação e depois muita ação focada e inteligente. Sem isto nada feito. Assim, para qualquer país, a grande questão é sobre o projeto da nação que se quer construir. E é sempre oportuno lembrar Joel Barker: “Uma visão sem ação é somente um sonho. Uma ação sem visão é apenas um passatempo. Uma visão com ação pode transformar o mundo”. E é isto é que vai contribuir para a riqueza de uma nação, como constou Adam Smith, o pai da economia moderna: A riqueza de uma nação está, em última análise, no conhecimento e no talento do seu povo, bem como na sua capacidade para organizar e aplicar o conhecimento, utilizar e desenvolver com eficiência os recursos humanos. E é aí que entra a diferença entre a liderança competente e a liderança perdida. Entre a versão e entre os fatos.

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