Um mês sem smartphone

Quando nossa vida está sempre conectada, desconectar-se pode ser um alívio

Passei fevereiro (quase) completamente sem meu iPhone. Pensei que seria difícil (e foi no começo), mas terminou sendo umas das melhores mudanças que fiz em meu "Ano de Viver Sem". Recomendo imensamente períodos sem celular: para desconexão, tranquilidade e atenção integral às pessoas com quem você está, aos seus pensamentos e à sua volta.

Não foi fácil a princípio. Ter um smartphone em todo lugar que você vai (que eu não tinha propositalmente até o verão passado) cria hábitos mentais - checar coisas constantemente, enviar mensagens, conferir determinados assuntos assim que elas lhe vêm à mente, fazer algo.
Sofri de abstinência por alguns dias, quando, constantemente, eu queria pegar o celular sempre que estava fora de casa e, algumas vezes, mesmo em casa.

Eu estava deixando de ver e-mails de colegas e Snapchats de meus filhos. Não podia marcar algo imediatamente, fazer uma reserva, procurar um fato do tipo “preciso saber agora”. Não podia ler no trem. Não podia dizer que horas eram - esse foi um grande problema, tendo em vista que eu não tenho relógio e usava meu celular para saber a hora -, e me dei conta de que sempre estou preocupado por estar atrasado.

Notei esses impulsos e achei interessante. O melhor a fazer com impulsos é ser curioso. Assim, em trens, em caminhadas, em um café, eu apenas observava meus impulsos com curiosidade. Como fiquei assim?

Mas depois aceitei minha nova realidade, após cerca de quatro ou cinco dias. Eu sabia simplesmente que quando estivesse fora de casa não iria checar as coisas, ler, procurar algo, fazer determinadas tarefas. Sabia que este seria um momento desconectado, tranquilo, atento. Essa passou a ser minha realidade e não foi nada mal. Na verdade, eu comecei a gostar dela.

Meu mundo não desmoronou porque eu não estava sendo produtivo todo segundo do dia nem porque eu deixava de ver cada mensagem instantaneamente. De fato eu sobrevivi sem saber de imediato o destino da Crimea ou quem venceu os prêmios do Oscar. Chocante, eu sei.

Meditei enquanto andava ao ar livre, sentava em um trem ou esperava numa fila. Eu realmente estava ciente do momento presente bem mais do que o de costume.

Quando nossa vida está sempre conectada, desconectar-se pode ser um alívio. Essa foi minha experiência em fevereiro. Nos primeiros dias de março, continuei o hábito. Ontem, pelo que pareceu ser uma boa razão, trouxe meu celular em uma missão… E, de repente, todos meus hábitos antigos voltaram.

Acho que deixarei meu celular em casa na maior parte do tempo de agora em diante.

O que vem em seguida? Este mês estou passando sem álcool. O que significa nenhuma taça de vinho tinto à noite. Pensei que não seria tão difícil porque passei mais de um mês sem álcool no ano passado. Mas os primeiros dias me mostraram fortes impulsos surpreendentes de beber alguns goles de vinho. Estou OK com os impulsos - eu os vejo como uma parte de mim que estou conhecendo curiosamente.

Artigo originalmente publicado no Zenhabits e cedido gentilmente ao Administradores.com.

Tradução: Dandara Costa

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