Tudo se politiza

O totalitarismo se caracteriza pela politização de TUDO: se politiza o amor e o sexo, a cor da pele, o útero, a fé de uns e de outros, se politiza a criança, o pobre e o rico, o branco e preto, se politiza o animal, o vegetal, o clima, a água e o ar

Arte é a expressão dos sentimentos do artista por meio da Estética. A única consideração possível do espectador diante de uma obra de arte é ditada pelo conceito de Belo. É óbvio que a arte pode e deve incorporar a visão política do autor ou intérprete, mas sempre como expressão da cultura de uma dada sociedade num dado momento histórico. Novamente, o artista deve ser julgado pela qualidade do seu estilo, e não da sua opinião política em si, sob pena de se configurar censura, pouco importando se é ou não oficial.

O totalitarismo se caracteriza pela politização de TUDO: se politiza o amor e o sexo, a cor da pele, o útero, a fé de uns e de outros, se politiza a criança, o pobre e o rico, o branco e preto, se politiza o animal, o vegetal, o clima, a água e o ar. Regimes autoritários querem controlar seu direito de ir e vir, seu direito de se expressar e de ter, mas regimes totalitários não precisam fazer isso, porque eles controlam a sua ALMA. E não há maneira mais eficaz de controlar a alma do que controlar a arte e a cultura. Regimes autoritários são donos dos instrumentos de repressão, mas regimes totalitários são donos de GENTE, porque a única cultura produzida é a que seus líderes autorizam. Num regime totalitário, a arte é medida não por sua beleza, mas por sua maior ou menor adequação ao politicamente aceito.

Não poderia haver expressão mais eloquente de totalitarismo que a vaia imposta ao ator que explicita uma posição política divergente da plateia no meio de uma obra de arte. E isso é desdobramento do politicamente correto: quando ele defende a prisão de um herói idolatrado e idealizado pela plateia, ele como que viola o "espaço seguro" de adultos mimados e intolerantes, refratários à reflexão e ao contraditório, incapazes de aceitar sequer a existência de uma opinião diferente da sua, e dispostos a suprimi-la por meio da violência, do constrangimento e da coação se necessário. Se a plateia está disposta a julgá-lo não por seus méritos artísticos, e sim por sua orientação ideológica, HÁ CENSURA VELADA.

As pessoas que bovinamente vaiaram o artista por conta de sua posição política são as mesmas que puxariam o gatilho de um fuzil num pelotão de fuzilamento, para varrer da superfície da Terra uma opinião da qual elas discordam.

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