Tubarão, lobo, águia ou gato?

Por que nós seres humanos sentimos tamanha necessidade em nos classificar?

Recentemente, ao realizar um teste sobre qual o meu tipo de personalidade, uma questão veio a minha cabeça: por que nós seres humanos sentimos tamanha necessidade em nos classificar? Digo no sentido de nos rotular ou mesmo encontrar um denominador comum que nos assemelhe a um grupo de outros indivíduos e nos classifique no mesmo? Se você observar atentamente poderá perceber que existe uma série de ferramentas e testes, científicos ou não, desta e de outras naturezas semelhantes como testes comportamentais, profissionais, entre outros que constamente utilizamos durante o nosso dia a dia.

Assim, após um determinado período de incubação da questão, recorri a uma adaptação de uma ferramenta utilizada principalmente em processos de Coaching, conhecida como pirâmide dos níveis neurológicos, para buscar uma ou mais hipóteses que contribuíssem para a formulação de uma resposta para a pergunta. Visto que a pirâmide possui o objetivo de ilustrar a hierarquia neurológica para compreensão das motivações, processos de aprendizagem, transformações e evoluções do ser humano, me propus a analisá-la com este fim, o que me possibilitou identificar 2 níveis relacionados ao nosso inconsciente e que poderiam contribuir para a formulação das hipóteses: os níveis de identidade e afiliação.

De fato, nós seres humanos somos seres sociais. Biólogos não hesitam em vincular o sucesso evolutivo de nossa espécie à cooperação entre grupos de indivíduos e a consequente formação de sociedades, além de outros aspectos particulares. E nesse processo a necessidade de autoclassificação pode se encaixar de maneira satisfatória, uma vez que os resultados encontrados nos relacionam a um grupo comum o que, consequentemente, aumenta a nossa percepção de pertencimento e afiliação, compondo a primeira hipótese.

No que diz respeito ao nível relacionado ao processo de identidade, sabemos que desde nossos primórdios nos perguntamos sobre quem somos realmente, por quais motivos estamos aqui e qual o verdadeiro siginificado do "eu". Nesse contexto, tais ferramentas e testes podem se apresentar como poderosas ferramentas para auxiliar na resposta dessas perguntas e contribuir para a construção do "eu persona", compondo a segunda hipótese. Reações do tipo "nossa, me descreveu perfeitamente" ou "que máximo, retratou-me na essência", comumente observadas ajudam a corroborar a hipótese.

Por fim, cabe aqui ressalvar que não é de minha intenção discutir sobre as validades científicas ou não desses testes, até porque muitos deles de fato funcionam como uma espécie de alavanca para aumentar a percepção de si mesmo e de seu modus operandi. Minha principal motivação aqui é além de entender as motivações e os objetivos de sua utilização, atentar para o fato de que tão importante quanto utilizar essas ferramentas é saber interpretá-las de maneira correta e positiva para que, na busca pela expansão do nosso autoconhecimento ou do sentimento de afiliação, não nos limitemos aos resultados encontrados. Como abordado por Bogda (2008) uma ferramenta não deve encaixotar uma pessoa, pelo contrário, deve mostrar a caixa dentro da qual o indíviduo se encontra e oferecer um caminho de desenvolvimento para fora dos seus limites.

REFERÊNCIAS:

BOGDA, Ginger Lapid. Liderança e o Eneagrama: como identificar que tipo de líder vocè é para alcançar o sucesso total. São Paulo: Cultrix, 2008.

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