Trump: posse e reflexos internacionais

Perspectivas sobre a então eleição do Presidente dos EUA, Donald J. Trump no cenário internacional e brasileiro.

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) marcou a história por inúmeros fatores entre eles destacamos a hegemonia de uma nação, os Estados Unidos da América. A partir disto, as relações internacionais tanto para cooperação quanto para conflitos passaram a ter um caráter diferenciado, uma vez que, a título de superpotência os EUA1 passaram a influenciar diretamente as decisões globalmente. De fato, as eleições são um período de atenções redobradas. A recente eleição à presidência dos Estados Unidos deu a vitória ao, então, não favorito Donald J. Trump, sua trajetória eleitoral foi marcada por intensos debates que dividiam as opiniões. Diante do exposto o atual trabalho pretende apresentar uma resenha crítica dada a eleição de Donald Trump sob a ótica de interferência a nível pessoal, ambiente de trabalho e as relações internacionais do Brasil, tanto com os EUA, como com outros países.

Primeiramente, cabe ressaltar, que, embora um indivíduo não tenha a pretensão de estabelecer qualquer vínculo com os EUA isso não significa que não será afetado pelas decisões proferidas pela alta cúpula estadunidense. Sob o âmbito pessoal podemos utilizar, como exemplo as transações comerciais à nível domiciliar. De fato, não é de hoje a fama que brasileiros tem pela preferência em compras nos Estados Unidos, para isto costumava-se ter volumosas pesquisas em buscadores como Google e ser um dos principais destinos de viagens.

“Na decisão de compra, duas coisas importam: renda e preço. A economia cresceu 7,6% em 2010 e o câmbio era extremamente favorável. Isso criou um ambiente perfeito para o consumidor ir aos EUA”, afirma Clemens Nunes, professor da FGV. A degradação na economia brasileira, contudo, fez com que as buscas pelo consumo no país norte-americano despencassem (GAZETA DO POVO, 2016).

Outro fator que torna-se preponderante nesta decisão são os possíveis impedimentos que o brasileiro pode vir a sofrer impedindo seu visto, mesmo como turista, para a ida ao país norte americano. Embora, os dados apontem que “O Brasil está entre os dez principais países que mais enviam turistas aos EUA - em 2016, mais de 840 mil brasileiros foram ao país -, afirma a embaixada dos EUA em Brasília (REVERBEL, 2017)”. Quadro este que pode se reverter já com as mudanças iniciais propostas entre elas estão:
a) Entrevista exigida à todos com intenção de ida ao país, válido para qualquer pessoa no mundo;
b) redução do tempo para revalidar o visto de 48 meses para 12 meses, necessitando de nova entrevista;
c) Agora, apenas brasileiros e argentinos menores de 14 anos e pessoas com mais de 79 anos estão liberados dessa etapa de entrevista, para o primeiro visto (REVERBEL, 2017).

Sob o âmbito profissional será discorrida uma situação hipotética, tendo em vista que o autor não exerce função profissional atualmente e sua ultima experiência em nada contribuiria para levantar apontamentos. Supondo que um individuo estivesse sob um processo seletivo para trabalhar no Vale do Silício, situado na Califórnia, Estados Unidos, região esta denominada pólo industrial e que concentra diversas empresas de tecnologia da informação, computação entre outras (ADAMI, ano desconhecido), para todo imigrante que pretende ingressar nos Estados Unidos como residente e trabalhador assalariado é exigido o visto H1-B, que sob a perspectiva do presidente norte americano Donald Trump é oferecido em excesso prejudicando trabalhadores nacionais. No entanto, para a obtenção dente se faz necessário estar dentro de padrões como nível acadêmico de distinção, além de não haver cidadão americano em situação de equivalência.

“De acordo com FitzGerald, [..] existe um teto de 85 mil vistos H-1B emitidos anualmente, número determinado pelo Congresso americano [...]
Além disso, ele diz não ser possível que o trabalhador com o H1-B ajude a baixar o salário dos americanos, pois, ao pedir esse visto, ele deve comprovar que receberá salário maior que o praticado no mercado americano em sua área. (REVERBEL, 2017)”

Para tornar o processo menos moroso ao trabalhador imigrante existe um processo, para emitir o visto H1-B expresso, denominado Premium, também conhecido como expresso, que reduz o tempo para obtenção deste visto em cerca de duas semanas (CANO, 2017). Contudo, a partir de 03 de abril de 2017 este procedimento deixará de funcionar. Ou seja, esta medida torna quase impossível para o setor tecnológico que requer agilidade, para um dos fatores de grande importância, a força de trabalho.

No ano passado, pesquisadores da National Foundation for American Policy, um centro de análises sem associação partidária, estudou 87 empresas iniciantes americanas privadas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão. A entidade descobriu que mais da metade delas foram fundadas por uma ou mais pessoas de fora dos EUA. E 71% delas empregavam imigrantes em postos executivos cruciais. Companhias como Uber e Tesla estão nesse grupo (MANJOO, 2017).

Do ponto de vista nacional ainda que o Brasil não tenha tido muitas menções, os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil (NINIO, 2017), isto representa US$46 bilhões, dados referentes a 2016, o posicionamento protecionista inversamente comum ao lado republicano levanta várias incógnitas ao que pode acontecer com as relações amistosas antes estabelecidas com o país. De fato, a curto prazo tudo parece ainda incerto. De um lado, a vertente negativa aponta a tendência de que haja uma saída de investimentos do Brasil com o viés de alta dos juros nos EUA, declaração feita pelo Leonardo Freitas, sócio da consultoria Hayman-Woodward, especializada em desenvolvimento de negócios nos EUA. Sob outra perspectiva, com a saída do Estados Unidos do Tratado da Parceria Transpacífica: “assinado em 2015 por doze países, após oito anos de negociação, é o maior acordo comercial da história [...] com o objetivo de aprofundar laços econômicos entre países membros, com reduções de barreiras alfandegárias (NINIO, 2017)” , que mesmo o Brasil não fazendo parte, subentende-se que modificaria as relações multilateralmente realizadas anteriormente com o Brasil, que possibilitaria a relação atualmente a ser tratada de forma bilateral.

Dentro do espírito de globalização e abertura de fronteiras que vigorou no mundo entre a queda do muro de Berlim e a crise de 2008, teria sido bem mais simples firmar um acordo bilateral com os americanos que apostar nas soluções multilaterais. A fidelidade ao Mercosul e ao multilateralismo, porém, jamais deixou tal ideia prosperar (Gurovitz, 2017).

No entanto, a pauta comercial brasileira é substanciada justamente pelo alvo da campanha protecionista de Donald Trump. O Brasil representou em 2016 cerca de 60% das exportações de produtos manufaturados aos Estados Unidos, isto poderia simbolizar um impasse às relações de comércio exterior, uma vez que, os Estados unidos pretendem incentivar a produção nacional de tais produtos a fim de alavancar a geração de empregos.

Pode-se concluir, que as relações entre Brasil e Estados Unidos apresentam-se estáveis, embora a imagem negativa e até pejorativa estabelecida entre a superpotência e os demais países latinos não esteja em total equilíbrio. A grande questão diante desse cenário é a visão perturbadora que Donald Trump apresenta diante a questão migratória e seus argumentos mal embasados. Certamente, uma grande nação não é construída da noite para o dia, mesmo assim, acreditar que se tem o poder para resolver tudo quase que sozinho é ser pretensioso demais. Além disso, historicamente, sabe-se da relevância que os imigrantes representam não somente como força de trabalho, mas também para revigoramento cultural. Dessa forma, caso perdure tal p

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