Troco o "prato" de cortesia por um atendimento mais cortês

Atendimento ainda é o grande diferencial...a famosa “cereja do bolo”

Almoço de final de semana merece um lugar diferente..

Gosto de buscar novos restaurantes, na maioria por indicação de amigos, para conhecer a diversidade da culinária dos estabelecimentos aqui em BH.

Mas é claro que quando pensamos em um BOM estabelecimento, pensamos na harmonia entre os principais fatores que são:, ambientação, qualidade da comida e qualidade do atendimento.

Vamos então a uma restaurante bastante conhecido aqui em BH, mas que para preservar a imagem do mesmo, prefiro não citar o nome, uma vez que o próposito desse artigo é promover uma reflexão sobre QUALIDADE no atendimento.

Chegando ao restaurante, ainda na porta aguardando para me identificar e verificar a disponibilidade de mesa, verifico que os atendentes usam rádio comunicador para se comunicarem com o salão interno.

Pensei...uau! Que bacana...tecnologia em prol da qualidade no atendimento.

Reparei também um telão ondem apareciam os números ( ou senhas ) das próximas mesas a serem ocupadas.

Estava ainda nesse deslumbramento quando chegou a minha vez…

Não recebi nem um “boa tarde” e já fui informada que o restaurante estava cheio e que teria que esperar…( diante de tanta frieza achei que deveria estar muito cheio mesmo, pois parecia que já estavam me dispensando ali mesmo no pré-atendimento).

Sem problemas, eu e meu marido resolvemos aguardar.

Nos apontaram a sala de espera e uma lojinha de artesanato.( Ainda não recebi nenhum sinal de cordialidade...sorriso então, nem pensar!)

Resolvi visitar a lojinha...estava mesmo precisando de um porta-chaves, quem sabe ali encontrava algo interessante.

Já na entrada avistei a atendente atrás do balcão...identifiquei nela a mesma fisionomia séria e de “ poucos amigos “.

Mesmo assim me arrisquei a perguntar: “ Você tem porta-chaves?”

Recebi como resposta um braço estendido apontando na direção onde deveria estar o objeto.

Nada mais...Novamente sinto falta de algo mais cordial...um sorriso talvez, quem sabe...mais ainda não foi ali.

Desisti então da compra...ao colocar esse objeto em minha casa não teria boas recordações.

Fomos para a “sala de espera”... Novamente vejo muitos atendentes se comunicando com seus rádios, um telão enorme organizando a disponibilidade das mesas no interior do salão, um local muito lindo com sua decoração rústica ...mas nenhuma cordialidade...ninguém ainda tinha ao menos me cumprimentado.

Será que era sonho...eu não estava lá, por isso ninguém me via?

Porque era essa a minha sensação...ninguém estava me vendo…

Não ficamos nem cinco minutos aguardando quando uma atendente e seu fiel rádio comunicador, vieram nos buscar e encaminhar para a nossa mesa.

Ainda não estavam nos vendo… chamaram o nosso número e já deram as costas adentrando o salão, nós que tivemos que nos apressar para acompanhar.

Sentamos em nossa mesa e logo um garçom chegou colocando o cardápio e saindo novamente apressado...Não ganhamos nem mesmo um “boa tarde”

Não...ninguém nos vê!

Comecei a folhear o cardápio.

Uma linda história da fundação do restaurante.

O carinho da proprietária na construção daquele sonho é perceptível em cada frase.

Lendo a história apresentada no cardápio da vontade mesmo de conhecer o local...parece tão aconchegante...tão acolhedor.

O garçom volta e sem nos dar muita atenção pergunta o que iríamos beber. Recebendo a resposta, já sai apressadamente sem deixar na mesa, se quer um gesto de cordialidade.

Nesse momento é que vejo o contraste…

O atendimento que recebemos desde a nossa chegada em nada se parece com o local apresentado no cardápio.

E assim decorreu durante toda a nossa permanência.

Fizemos os pedidos.

A minha opção de refeição tinha como cortesia um prato pintado e exclusivo.

Achei muito interessante tanto a descrição do preparo da comida quando a cortesia do prato.

Realmente a comida é muito boa! Não achei espectacular,mas muito boa.

Entretanto fiquei me perguntando...em que momento se separaram: sonho e realidade.

E o que achei mais interessante, é que a falta de cordialidade não foi apenas do garçom que nos atendeu...parecia PADRÃO de todos os funcionários.

Todos transitavam apresados, levando e trazendo os pedidos para as mesas, mas sem enxergar ninguém.

Resumindo...senhores proprietários, não troquem a importância de um bom atendimento por um aparato de recursos tecnológicos.

O que mais se valoriza hoje no mercado é a capacidade de promover boas experiências ao cliente.

O mercado é dinâmico, e precisamos estar atentos e preparados para as mudanças, inovando sempre.

A tranquilidade de um restaurante movimentado e cheio de clientes hoje, pode levar o estabelecimento a achar que não corre perigo, que está garantido.

E estará mesmo garantido até que algum concorrente, ou novo investidor identifique em sua falha uma ótima oportunidade para se diferenciar e ganhar essa disputa.

Atendimento hoje é o grande diferencial...a famosa “cereja do bolo”.

Ninguém compra recursos para agilizar fila, o que compramos são os benefícios que esses recursos nos proporcionam.

Se ele não contribuir para promover uma boa experiência ao cliente, foi um investimento desnecessário.

Agilidade ás custas de um atendimento precário não vale á pena.

Saí desse restaurante com uma certeza: “Trocaria o meu prato exclusivo, por um atendimento mais simpático.”

Espero que tenha sido apenas uma dia ruim ou uma ruim coincidência, mas infelizmente não tenho vontade de retornar para esclarecer essa dúvida.

Uma boa comida deve ser harmonizada com um bom atendimento.

Para se deliciar uma comida bem preparada, devemos estar em uma ambiente agradável.

E não foi essa a minha percepção.

Deixo então aqui a minha conclusão final: Eu trocaria o meu "prato exclusivo", oferecido como cortesia, por um sorriso e você?

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