Três lições para empreender fora do Brasil
Três lições para empreender fora do Brasil

Três lições para empreender fora do Brasil

Para garantir uma atuação internacional empreendedora, é importante tomar decisões com base em alguns cuidados. Veja neste artigo quais são

Dediquei 15 anos da minha vida ao mercado internacional. Em 1982, pressentindo a globalização da economia, decidi mudar minha trajetória e saí da zona de conforto, como diretor de RH e como vice-presidente de Planejamento Estratégico, para ousar. Passei a me dedicar ao desenvolvimento de negócios internacionais e a viajar com frequência mensal para vários países, buscando abrir mercados para uma grande empresa brasileira, que iniciava o sonho de se tornar uma das maiores multinacionais brasileiras.

Após participar de conquistas de contratos na América Latina, fui residir na Europa e consegui alavancar parceiros e financiamentos em países como ex-União Soviética e Japão. Posteriormente, ajudei a operar a empresa nos Estados Unidos, onde permaneci durante 11 anos.

Sumarizo a seguir os três principais aprendizados nessa atuação internacional, que podem servir para embasar e inspirar decisões:

Sócio local — É imprescindível ter um sócio local em qualquer que seja o País. O conhecimento da realidade de negócios, da estrutura de custos, da legislação, do funcionamento formal e informal do país é essencial para evitar erros, mitigar riscos e aproveitar oportunidades. Ao penetrar no mercado americano, a escolha de um sócio local em Miami foi fundamental para a vitória na primeira licitação. A experiência dele para orçar serviços de fornecedores foi determinante para conseguir o menor preço em alguns dos itens de maior valor unitário.

Gente local - A tendência das empresas que se internacionalizam é enviar expatriados para fora. Pode ser um erro: aprendi que identificar, selecionar e desenvolver o maior número possível de pessoas locais é a maneira ideal de aumentar o comprometimento e a produtividade. Em Angola, lembro-me de um momento em que o cliente, ao visitar o canteiro de construção, muito nos elogiava pela qualidade dos trabalhos realizados e chegava a enaltecer “a qualidade da mão de obra brasileira”. Ficou surpreso e até desconcertado quando revelamos que a grande maioria daqueles funcionários era composta de angolanos treinados por nós, e não de brasileiros.

Flexibilidade cultural assertiva - É uma alavanca importante para o sucesso internacional. O encaixe das pessoas que viverão nos países com a cultura local é muito importante. E nós, brasileiros, temos uma nítida vantagem pela nossa cultura e pelo fato de não termos tido um passado de colonizador. Isso nos ajuda na construção dos relacionamentos saudáveis e na aceitação por parte de alguns países. A cultura empresarial dos norte-americanos e de certos europeus, às vezes arrogante, pode criar ressentimentos invisíveis que se refletem na hora da verdade da aceitação e da adaptabilidade necessárias numa atuação internacional.

Na minha experiência, o maior de todos os aprendizados é o que tenho observado na preparação de líderes empresariais, executivos e gestores brasileiros. Nessa década e meia em que convivi com líderes nos quatro continentes, posso afirmar com convicção: a maioria dos executivos brasileiros tem a capacidade de liderar e trabalhar em várias empresas e países, sem ficar atrás no grau de capacitação que percebo nos executivos internacionais.

Não encontro motivos para qualquer tipo de sentimento de inferioridade. Os executivos brasileiros mostram conhecimento, habilidade empreendedora e atitude. Tudo isso combinado com uma cultura flexível, que nos permite ter o jogo de cintura, a criatividade e a capacidade para lidar com crises e ambiguidades. Esses são fatores diferenciadores do management desenvolvido no Brasil.

Publicado originalmente em http://www.revistapib.com.br/noticias_visualizar.php?id=1099

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