Você já ouviu falar no olho da agulha?

O olho da agulha era o nome de uma passagem localizada na antiga Jerusalém. A passagem era muito estreita, com pouquíssimo espaço para quem escolhesse atravessá-la.

Muitos chegavam ali com seus camelos carregados de todos os seus pertences, e ficavam atônitos com a impossibilidade de continuarem seus trajetos.

Carregavam muitas vezes todos os seus bens acumulados em anos de trabalho árduo. Não fazia sentido deixarem tudo isso para trás, afinal eram partes de suas vidas.

Desistiam então das suas jornadas e voltavam para casa.

Mas hoje não se anda mais de camelo, e você que leu este texto até aqui deve estar se perguntando qual é a relação desta história com transição de carreira. Pois eu explico...

No meu trabalho com desenvolvimento executivo, já perdi as contas de quantas vezes vi pessoas tentando mudar de carreira usando apenas aquilo que elas adquiriram nas suas funções anteriores. Não preciso nem dizer que praticamente todos falharam...

Obviamente não estou sugerindo que você desconsidere toda a sua experiência. Experiências passadas podem, sim, servir como base para crescimento futuro.

O problema é quando nos apegamos tanto à elas, que esquecemos de olhar para o caminho que se apresenta à nossa frente.

É como tentar atravessar o olho da agulha, sem retirar nada de seu camelo: Você vai entalar.

Mudar de carreira exige que você deixe para trás tudo o que é supérfluo e carregue o seu camelo apenas com o que é essencial para a sua vida do outro lado desta passagem.

Isto significa que muitas habilidades, históricos de sucesso e até parte do seunetworking se tornam obsoletos.

Se você está neste processo, eu sei o que está sentindo: vulnerabilidade. Sim, você está vulnerável. E, sim, isto é muito bom! Significa que você construiu - até aqui – uma carreira de sucesso. A vulnerabilidade está justamente no fato de se distanciar deste sucesso.

Quem já fez esta transição sabe que parece que nos distanciamos do nosso porto seguro, ao ponto de questionarmos a nossa própria identidade. “Quem sou eu, se não aquilo que eu fui até aqui”? E isto pode ser bastante difícil.

Pois bem... então qual é a solução?

A solução é “abraçar” esta vulnerabilidade e vivê-la ao máximo.

Ao invés de sofrer, comemore! Você foi sorteado para entrar no grupo seleto de pessoas que criarão suas novas identidades, baseada na sua melhor possibilidade de futuro. Baseada não naquilo que você trouxe até aqui em seu camelo, mas no que você vai encontrar do outro lado do olho da agulha.

Quanto mais vazio estiver o seu camelo, mas ele será capaz de carregar as suas próximas conquistas. Afinal, não é lá que você quer chegar?

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