Café com ADM
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Trabalhar, brincar, estudar

Qual a sua opinião sobre as seguintes questões: Jogadores de tênis jogam pela competição ou pelo dinheiro? Professores ensinam por uma missão ou pelo dinheiro?

Qual a sua opinião sobre as seguintes questões: Jogadores de tênis jogam pela competição ou pelo dinheiro? Professores ensinam por uma missão ou pelo dinheiro? Biólogos pesquisam pela descoberta ou pelo dinheiro? Cantores e atores interpretam pelo reconhecimento ou pelo dinheiro? Se você acha que será sempre a segunda alternativa, então não precisa continuar a ler este texto. Mas se você acha que é a primeira opção, pode ser que eu tenha algo que mereça a atenção de sua leitura.

Entre todos os profissionais que atuam nestas áreas, uma coisa você verá em comum: O prazer que sua atividade proporciona. Mesmo aqueles que atingem o estrelato e conseguem acumular um alto padrão de vida dentro dos moldes capitalistas, trocariam tudo se não gostassem de seu trabalho. Até mesmo porque uma coisa não está dissociada de outra, ou você conhece algum jogador de futebol de sucesso que não goste de jogar bola? Portanto vamos ao mantra que repetimos em toda descrição de perfil empreendedor: Escolha qualquer ramo de atividade para seu empreendimento, mas acima de tudo, escolha algo que lhe dê PRAZER, pois com prazer, não vemos o tempo passar, encaramos os problemas com mais tolerância, somos mais determinados diante das dificuldades, vendemos melhor nosso trabalho e construímos aquela auto-motivação intrínseca que nos mobiliza a encarar qualquer desafio.


Para o empreendedor, o dinheiro é apenas mais um tipo de reconhecimento que advém de seu trabalho. Não é um fim em si mesmo e aí está a grande diferença entre grandes empreendedores e demais empresários. Quando se objetiva o lucro acima de tudo, aos poucos a ambição e a ganância vão tomando o espaço do prazer. Obrigando o empreendedor a se tornar empresário, trilhar um caminho em direção à lucratividade, rentabilidade, acúmulo de capital, retorno sobre o investimento, e conseqüentemente, afastando-o daquilo que, na essência, o levou a construir seu negócio. Existe um mito de que no mundo corporativo a regra que impele todas as ações e decisões é o dinheiro. Dinheiro é a principal motivação do mundo capitalista e as empresas representam a mais fidedigna imagem desta concepção. A multiplicação do capital foi defendida por todo um século por diversas teorias econômicas. Em Administrando para o Futuro, Peter Drucker critica os economistas que insistem em afirmar que a organização de resultados é a organização que gera lucros, quando, na verdade, os lucros não refletem o desempenho da empresa no médio e no longo prazos e sim outros fatores como taxa de crescimento, sustentabilidade, rotatividade e outros indicadores que, no seu conjunto, determinam uma organização de alto desempenho.

Trata-se, no entanto, de um caminho inevitável para o empreendedor, pois no processo inerente à criação e desenvolvimento de um negócio, todo o ciclo deve ser considerado. Estou cansado de ouvir histórias como a do programador que criou um excelente aplicativo para a Internet e foi incentivado a abrir sua empresa. Quando se deparou com a necessidade de estabelecer uma estratégia de vendas, lidar com conflitos com funcionários, administrar o caixa da empresa, constituir alianças políticas, e outras exigências empresariais, ele perdeu o gosto pela coisa e se arrependeu por deixar sua ambição afastá-lo daquilo que lhe dava prazer: construir programas.

Não perca contato com a essência que serve de combustível para seu espírito empreendedor. Não corra o risco de se desmotivar com responsabilidades que te tiram este prazer. Se quiser acumular capital, faça-o com o intuito de ter gente qualificada para estas atividades. Se for abandonar seu emprego para enfrentar todas as dificuldades de abrir um negócio, veja suas motivações antes. Não o faça por dinheiro, e sim pelo prazer que o desafio lhe proporcionará. Se não houver prazer, nada mais faz sentido, nem mesmo o dinheiro.

Uma vez um casal de amigos me pediu uma opinião sobre qual escola escolher para seus filhos. Ao invés de responder que deveria ser a que melhor ensinasse, disse que deveria ser a que eles se divertissem mais, ou seja, aquela que fizesse com que seus filhos esperassem ansiosamente acabar o fim de semana para voltar à escola, ou esquecer qualquer outra atividade enquanto não terminarem a lição de casa, ou chegarem da escola afoitos por contar o que aprenderam. O aprendizado neste ambiente vem por conseqüência, sem imposição, mas pelo prazer de aprender. Essa é a melhor escola.

Outro dia, flagrei minha caçula de 2,5 anos sentada na minha mesa mexendo no teclado do computador e no mouse, tentando repetir os gestos que vê quase todos os dias (uma parte do dia eu trabalho em casa) de seu pai. Interpelada sobre o que fazia, me responde laconicamente: Tô trabalhando!. Pensei então com meus botões: Espero que, quando você começar a trabalhar, tenha a mesma sensação de diversão que está tendo agora!, porque no fundo, trabalhar, brincar e estudar deveriam ser a mesma coisa.


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