Toda arrogância será castigada

Tratando-se de pessoas, o currículo, know how e mesmo as vivências do cotidiano podem ser agregadores de valor e redundar em sucesso. E o tal sucesso ao ser atingido pode causar sérios danos ao bom senso do indivíduo ao ponto de ele humilhar outras pessoas sem pestanejar

Entre as atribuições do Marketing está a de fazer algo aparecer para o público, potencializar um produto ou pessoa através da imagem, não em detrimento do conteúdo, claro. E neste quesito a comunicação é uma ferramenta de Marketing importantíssima, bem como as mídias de um modo geral. Em se tratando de pessoas, o currículo, know how e mesmo as vivências do cotidiano podem ser agregadores de valor e redundar em sucesso. E o tal sucesso ao ser atingido pode causar sérios danos ao bom senso do indivíduo ao ponto de ele humilhar outras pessoas sem pestanejar. A história a seguir remete-nos a uma reflexão sobre o proposto tema.


No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:

- Quantos rins nós temos?
- Quatro! Responde o aluno.
- Quatro? Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer
em tripudiar sobre os erros dos alunos.
- Tragam um feixe de capim, pois temos um asno na sala. Ordena o
professor a seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era Aparício
Torelly Aporelly (1895-1971), o 'Barão de Itararé'. Ao sair da sala, o
aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
- O senhor me perguntou quantos rins 'nós temos'. 'Nós' temos quatro:
dois meus e dois seus. "nós" é uma expressão usada para o plural.
Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

Certa feita, ao visitar uma pequena emissora de rádio no interior, vivi algo bem interessante. Depois de o locutor contar meia hora de histórias e vivências no rádio, ele sempre levando a melhor em todas elas, soltou uma "pérola" que jamais esqueci. – Agora você vai sentir a emoção de perto. Encheu o peito para falar, vangloriando-se de ser comunicador da rádio. A frase deu-se por que dentro de alguns segundos, eu teria a oportunidade de vê-lo falar ao vivo, literalmente. Naquele momento acredito que ele tenha imaginado que eu fosse um ouvinte dele e morava lá mesmo na cidade. A única coisa que ele havia me deixado falar, até aquele instante, era que ali me encontrava para conhecer a rádio.

A frase poderia ser comum, não fosse o contexto, a entonação e a forma com que foi proferida, deu a entender que eu estava prestes a viver uma experiência junto a uma das maravilhas do mundo. Vê-lo comunicar, de dentro do estúdio, seria algo extraordinário para mim. Na hora de ir embora, não resisti e falei que também era profissional do rádio. Mencionei a emissora e a cidade onde eu trabalhava, que estavam muito além da realidade dele, e naquele momento o cidadão, constrangido que ficou, percebeu que havia cometido uma gafe.

Essas situações acontecem rigorosamente todos os dias no ambiente de trabalho e até familiar. Existe uma necessidade desenfreada de cada um falar de si, mostrar-se, como se o que fosse relativo ao outro não tivesse importância. Já reparou que é só alguém dizer alguma coisa que lhe aconteceu e imediatamente queremos contar algo parecido? Às vezes até interrompemos a outra pessoa. Eu mesmo poderia ter ficado calado diante do radialista, não precisava ter falado que trabalhava em uma emissora maior que a dele. A vida exige muito mais compreensão, discernimento e bom senso do que conhecimento. Diplomas perdem-se comparados com a humildade. É preciso ter empatia, ou seja, capacidade de colocar-se no lugar do próximo. Às vezes as pessoas, por terem um pouco mais de conhecimento ou acreditarem que o tem, se acham no direito de subestimar os outros... aí meus queridos... não há capim que chegue.

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