Tirar férias das pessoas

Um texto leve e divertido sobre a busca do seu "eu".

Tirar férias das pessoas

Vou contar a estória de uma pessoa muito bem relacionada. Trabalhando com comunicação se expandindo e transmitindo suas ideias, Zé é o não típico trabalhador brasileiro.

Instruído e sabendo do valor das pessoas, seja das mais simples, Zé levava uma vida agitada. Falava – diariamente – com muitas pessoas. Falava com tantas pessoas que mal conseguia "falar com ele mesmo".

Telefones, emails, redes sociais, almoços, jantares, encontros de família...férias. Zé sempre estava fazendo contatos sejam eles íntimos ou profissionais. Com familiares ou com parceiros de negócio. Zé não parava nunca.

Outro dia, em férias, se deu conta de que precisava se ouvir mais. Então pensou em procurar um analista, pois seu tempo era tomado por pessoas que mais queriam ser ouvidas do que ouvir.

Zé nunca foi uma pessoa mal humorada, mas em determinadas situações ficava insuportável. Mas também quem não ficaria assim tento que ouvir e se relacionar 100% com as pessoas ao seu redor?

A verdade é que Zé era uma cara tímido. Sim. Profissionalmente ativo e por vezes agressivo, Zé era tímido sim. Fazia isso – relacionamentos – por questão de sobrevivência. Como se a sua espécime estivesse ameaçada e sem as pessoas ao seu redor não pudesse perpetuar seu DNA.

Sim ele precisava disso. Ele vivia disso, mas ele também adquiriu o direito de ter paz. De ficar em silêncio e ouvir sua pura consciência (se é que ela ainda tinha voz). Então ele parou – em um momento raro, mas puro de iluminada visão – e soube que precisava escrever e diria para todos o quanto é necessário tirar férias das pessoas.

Tirar férias das pessoas II

A convivência com suas relações humanas já estava se expandindo a um ponto insuportável. Zé não tinha mais dúvidas de que uma pausa de tudo aquilo e aqueles, faria com que sua mente entendesse e continuasse a respirar.

Ele sabia, também, que seria bastante complicado e engenhoso. Pensou em inúmeras ideias como plantar, surfar, se enterrar em um silencio escabroso de uma biblioteca. Nenhuma dessa ideias daria certo, pois estava na praia. Sim, todo povo já tinha voltado da Festa do Povo, mas assim mesmo sons, ruídos, atos de pessoas – que até mesmo ele gostava – estavam incomodando.

Não sabia o que faria, mas era preciso fazer. Resolveu escrever e com isso passar – mesmo que silenciosamente – sua experiência de vida. Sabia que se não tivesse mais a capacidade de refletir, então a vida acabaria de perder sentido.

Então sentou. Escreveu. Expos seus sentimentos – na tentativa do mais idolatrado silencio – e com isso chegou até aqui. Um fim chato. Sem graça. Não inspirador, mas revelador. É preciso, sim, tirar férias das pessoas.

Comentários

Participe da comunidade, deixe seu comentário:

Deixe sua opinião!  Clique aqui e faça seu login.
    café com admMinimizar