Teoria e Prática: Um Par Perfeito.

Por vezes ouvimos alguns desabafos de administradores que, frente a determinadas situações, sentem-se impotentes. Mais freqüentemente quando se tratam de questões culturalmente arraigadas e passam a questionar a aplicabilidade das teorias vistas na Administração. As dificuldades da gestão apresentam-se a todos os gestores, mas somente alguns se desesperam e agigantam os problemas dando-lhes uma dimensão maior quando simplificá-los os aproximaria das soluções. A atribuição de responsabilidades deve, inexoravelmente, vir acompanhada do respectivo poder delegado. Por sua vez, estas responsabilidades e o correspondente poder deve recair sobre aquele que reúne as competências e as habilidades necessárias para exercê-los a contento. Nesta relação não há espaços para romantismo. O que for importante fazer deve, incondicionalmente, ser feito. A chave da realização de mudanças está, muitas vezes, na forma com a qual se faz o que é preciso, importante e premente. Posso, confortavelmente, afirmar que não há nenhum conflito ou incoerência entre teoria e prática posto que é o par, o casamento perfeito. As teorias nos conferem o embasamento necessário para que tenhamos uma visão mais compreensiva das situações com as quais nos deparamos cotidianamente. A prática nos permite experimentar os efeitos da aplicação das teorias e, como resultante, formam a bagagem de experiências que facilitarão a tomada de decisões e o estabelecimento das ações. Por analogia, sabemos que as conseqüências nocivas do ato de fumar são ampla e massificadamente difundidas sobre os indivíduos que fumam e não é de se esperar que aquele que fuma deixe de fazê-lo tão somente por que nós o alertamos sobre os riscos existentes; estaríamos apenas fazendo o que já vem sendo feito e, por certo, obteremos os mesmo resultados. É importante compreendermos que fumar é um vício, que o fumante está sob efeitos de substâncias químicas, que é preciso desintoxicá-lo e que este procedimento é demorado; devemos, realmente, tomar a atitude de encaminhá-lo a um atendimento especializado se quisermos obter um resultado diferente de vê-lo realmente deixar o fumo. Assim é, também, na empresa "cheia de vícios" como alguns afirmam. É preciso tomar a atitude de desintoxicá-la! Percebe-se, com isto dito, que as questões culturais envolvem um processo cuja mudança é longa e gradual; exige um mix de ações sutis e de impacto, cuja transmissão deve-se dar mais pelo exemplo de comportamento a partir do topo, envolvendo e estimulando todos os empregados de todas as hierarquias. Elencar aqui ações para tanto, seria de imensa irresponsabilidade posto que cada caso é sempre um caso, porém de forma abrangente e simplificada é imprescindível elaborar-se um perfeito diagnóstico da situação para que se estabeleçam as estratégias e as ações adequadas. A partir daí; como tudo só pode ser feito com pessoas; é de fundamental importância conhecer-se o perfil de cada uma delas percebendo com clareza quem são os seus aliados e quem são seus opositores; lembrando-se sempre que não se mudam pessoas, mudam-se somente comportamentos. De forma participativa, séria, transparente, honesta e na justa medida necessário se faz explanar sobre a situação encontrada e aquela que se deseja estabelecer. Deve-se sugerir a este grupo as estratégias e ações inicialmente elencadas aprimorando-as com a participação de todos, desta forma obter-se-á o envolvimento necessário à mudança. O fato é que não podemos, em nenhum momento da gestão, esquecer que nós administradores somos contratados para solucionar problemas, somos remunerados para promover mudanças preservando o clima organizacional, no mínimo, satisfatório. Não devemos nos resumir a sermos profissionais de manutenção. Nenhuma empresa contrata alguém para reclamar ou relacionar as dificuldades. Não existe esta função em nenhuma estrutura organizacional. Problemas são a razão da nossa existência como administradores e solucioná-los deve ser a nossa energia - remuneração é outra estória. As sensações de incapacidade e incompetência são freqüentes, mas estes sentimentos não devem ser compartilhados, devem ficar conosco no nosso mais profundo íntimo - escondidos de nós mesmos - eles emergem na medida em que queremos ver no curto prazo os resultados que só podem vir no médio ou longo prazo. São frutos do imediatismo que não se confunde com praticidade, pragmatismo ou objetividade e deve ser abolido do nosso dicionário. Contra estas frustrações precisamos ter o equilíbrio emocional e usarmos da nossa inteligência e perspicácia, competências e habilidades para estabelecermos ações eficazes pois quanto mais o forem mais sustentáveis serão os resultados. Amar a profissão pode não bastar se não sustentarmos este amor. Parece recomendável substituirmos a adrenalina que nos enrijece e nos deixa em estado de defesa pela endorfina que contribui com a nossa auto-estima e nos dá a grata sensação de prazer e felicidade.
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