Tempos de crise: como não perder oportunidades?

Em tempos difíceis os erros custam mais caro. Isso vale tanto para as empresas quanto para os profissionais. Para não continuar perdendo oportunidades e negócios se faz necessário melhorar a eficácia das nossas ações. Não estar mais ocupados e sim mais produtivos

Em tempo de crise e de normalidade, testemunhamos empresas perdendo negócios por não atender os clientes, por não retornar suas ligações, por demorar em elaborar uma proposta, por não flexibilizar a oferta para atender o cliente, etc. As oportunidades batem na porta, mas processos e atitudes ineficientes as deixam ir embora.

Pesquisas apontam que nos melhores cenários, entre 70% e 80% das inciativas e projetos nas grandes empresas falham. Essa alta taxa de mortalidade das iniciativas vem acompanhada de uma grande diversidade de “explicações”: as previsões que não se realizaram, a economia que não cresceu, etc. Em tempos de crise temos mais uma explicação conveniente para assumir as perdas: a crise. Grandes empresas podem amargurar prejuízos no final do ano fiscal, mas para pequenas empresas e na vida profissional, essa falta de eficácia pode determinar a sobrevivência no mercado. O que podemos fazer para melhorar nossa eficiência? Começaremos por ilustrar a relação entra a eficiência e as atitudes.

Eficiência e atitudes

Uma lenda conhecida no mercado conta que um pai trabalhador conseguiu educar seus filhos com um negócio ambulante de comidas rápidas. Seu filho economista, reclamava da “crise”, repetindo as noticiais que assistia na mídia. O humilde trabalhador agiu de acordo com as reclamações do seu filho, passando a fechar mais cedo, pois na “crise” teria menos clientes. Fechando mais cedo, as vendas começaram a cair até levar a o fechamento do negócio, o qual tinha sido seu sustento por 30 anos.

Esta história ilustra como a crença na crise fez o comerciante provocar ele mesmo sua própria crise. Não foi o mercado ou a crise que provocou a falência do comerciante, mas sim a atitude por trás das suas ações. Fenômenos similares afetam o desempenho das grandes empresas e o desempenho dos profissionais. O que poderia ter sido feito diferente? Seguem alguns insights.

Deixar de culpar fatores externos e assumir responsabilidade pelos próprios resultados.

Este primeiro passo costuma ser difícil em alguns clientes de coaching pessoal (coachees). Implica mudar um paradigma, sair da nossa zona de conforto aonde culpamos tudo exceto nos mesmos. Mas nada do fizermos mudará os fatores externos, pois estão fora do nosso círculo de influência. Podemos sim definir o que fazer para enfrentar o cenário externo. O primeiro passo na direção de melhores resultados consiste em abandonar os pensamentos que levam “ao nada feito” e ao “esperar e ver se melhora”, como fez o comerciante no caso citado. No lugar disso, devemos assumir o comando e declarar: “eu quero, eu posso, vou fazer tudo o que depende de mim!”. As oportunidades estão aí, quem chega primeiro e as aproveita aquele que corre atrás.

No exemplo, o comerciante poderia ter pensado: “eu não posso mudar a crise, mas posso encontrar uma saída criativa! ”, poderia ter estendido o horário de atendimento no lugar de fechar mais cedo, procurado reforçar a propaganda e oferta de produtos. Faz sentido?

Eficiência pessoal: ocupado vs produtivo

Havendo assumido a responsabilidade pelos nossos resultados, como podemos melhorar a eficácia das nossas ações?

Se olharmos nossas rotinas, descobriremos que muitas vezes estamos ocupados, mas não produtivos. Perdemos horas em detalhes pequenos, respondendo o e-mail que chegou, o tramite que surgiu, nos deslocando de um lugar a outro para resolver assuntos menores.

Podemos melhorar nossa eficiência pessoal nos perguntando se estamos ocupados ou produtivos? O que estamos fazendo contribui a atender nossas prioridades? Estou aproveitando as oportunidades? Ou detalhes fizeram perder negócios? Deixei de retornar um contato ou enviar uma proposta por atender um assunto menor?

Se a minha prioridade é atingir o objetivo X, dediquei a maior parte do meu dia para esse objetivo ou me deixe desviam do meu foco? As ações que estou executando contribuem realmente para atingir esse objetivo? Ou será que estamos trabalhando duro, mas na direção errada? Haverá alguma alternativa mais inteligente, que ofereça mais resultados com menos esforço?

Se o comerciante se tivesse perguntado: “estou investindo meu tempo em vender meu produto (sua prioridade)? ”, como ele teria agido?

Autogerenciamento

Já aconteceu de termos um objetivo e as ações não serem suficientes para atingi-lo? Por exemplo, infinitas reuniões e o projeto não sai do lugar? Querer perder peso e não conseguir? Podemos acreditar que estamos agindo em direção ao objetivo ao comprar roupas ou matricular uma academia, mas ninguém emagrece por vestir roupas esportivas!!! precisa-se mais do que isso. O que nos impede de dar os passos necessários?

As nossas ações são resultados de pensamentos e sentimentos. Quando o sentimento por trás da ação é fraco, nos dedicamos ao objetivo quando sobra tempo. Mas quando é forte, não há quem nos detenha, trabalhamos dia e noite se for preciso. Eis a necessidade de aprofundar no autoconhecimento para poder nos auto gerenciar e auto motivar melhor. É necessário entender as dezenas de fenômenos que ocorrem na nossa mente, pequenos duendes mentais que devemos conhecer e driblar se queremos obter melhores resultados.

Estes duendes são os que nos fazem gostar da zona de conforto, de ficar contentes com reclamar cruzados de braços, de justificar o nada feito, que nos enganam nos fazendo perder tempo com aquilo que não é a nossa prioridade ou que nos levam a nos conformar com obter X quando poderíamos obter muito mais. Para visualizar melhor estes “duendes”, lembremos daqueles que afetaram o comerciante. A sua crença na crise o fez criar sua própria crise; culpando fatores externos o preveniu de agir. O mesmo acontece nas grandes empresas: deixa-se de executar as ações que geram resultados, toleram-se processos e atitudes ineficientes, pois se tem a “crise” para justificar o baixo desempenho. E este é somente um exemplo, existem mutiso outros fenomenos, alguns deles listados nas "101 causas frequentes de falhas" do livro Murphy On projects.

Os resultados das empresas são a soma dos resultados individuais de desenas de profissionais. Por tanto a eficiência individual está refletida também nos resultados corporativos. Será que a eficiência individual contribui a diferença entre os resultados de empresas japonesas, alemãs e as latinas??? Entre a economia suíça e a de um pais sul americano?

No final do ano empresas contabilizam o prejuízo e os profissionais as metas não atingidas; sonhos que não saem do papel e que viram promessas para o próximo ano. Deixo um convite a procurar desenvolver a eficiência pessoal, um soft skill essencial, com ajuda de coaching ou treinamento especifico, em tempos que se faz mais necessário desperdiçar menos os esforços e aproveitar mais as oportunidades.

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