Tempo, tempo, tempo

Há tempos venho tentando entender uma forma de conviver mais pacificamente com a falta de tempo

Outro dia assisti a uma entrevista na TV sobre administração do tempo: ansiedades e angústias. Há tempos, sem trocadilho, venho tentando entender uma forma de conviver mais pacificamente com a falta dele: do tempo.

Então, para tentar compartilhar um pouco do que foi discutido nesta entrevista, imaginei uma conversa entre um aprendiz e seu mestre, cujas indagações referem-se ao tempo.

Qualquer semelhança é mera coincidência. Confira:

- Mestre, se o tempo é igual para todos, por que para alguns ele passa mais rápido do que para outros?

- Porque cada tem o seu próprio tempo. Uns vão viver muito, outros vão viver pouco. Uns podem atravessar o tempo amanhã, outros podem ficar presos a ele pela eternidade.

- Mestre, como posso ter o meu tempo se não sei como controla-lo?

- Todos tem o seu tempo. O teu hoje, pode ser o ontem de outros. Não se pode controlar o tempo. O tempo passa, a cada batimento de seu coração. Tê-lo não significa controla-lo, assim como o filho ao assumir sua possibilidade de voar sozinho. Você o acompanha, mas não o controla.

- Mestre, e por que nos preocupamos tanto com o tempo se não temos controle sobre ele?

- Não nos preocupamos com o tempo. Mas nos preocupamos com o tempo que está porvir.

- Mestre, não controlamos o presente, mas temos como controlar o futuro?

- O futuro não existe. O que existe é um fluxo, conjunto de uma série de ações, da soma do acaso com o destino, do passo após passo, do divino, da esperança, de esperançar e não de esperar.

- Mestre, por que planejamos então?

- Planejar é uma forma de controlar. Em pensamento, tudo o que faremos amanhã já está feito. Precisamos da sensação de controle para que possamos ter poder. O poder nos consola.

- Se o poder nos consola, por que não temos poder sobre o tempo?

- O tempo não exige poder. O tempo exige compreensão.

- Mestre, o que precisamos compreender?

- Compreender que estar presente é a única forma de andarmos juntos ao tempo. Precisamos sincronizar nossos passos, para que não exijamos do outro a mesma compreensão.

- Mestre, se temos tempo diferentes, como exigir a mesma compreensão?

- Só temos tempos diferentes, porque não estamos presentes ao mesmo tempo. Enquanto estou aqui agora, tu estas no teu futuro ou estás no teu passado.

- Mestre, e como me concentrar no presente, sem estar no passado ou no futuro?

- Respire!

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