Tecnologia: mudando hábitos e como vetor de inclusão

Um visão para que a tecnologia continue sempre nos encantando com o seu potencial de facilitar nossas atividades, criar novos modelos de negócios, viabilizar novas formas de comunicação e interação, incluindo e aproximando pessoas

Sou entusiasta da tecnologia aplicada e como ela vem mudando de forma disruptiva o nosso cotidiano, nos tornando praticamente dependentes de devices (smartphones, tablets, smart watches, wearables) e aplicativos, usando-os de forma tão natural que é difícil imaginar nossas vidas antes deles.

Seja para nos comunicar com amigos, família, clientes e equipes de trabalho, de forma individual ou em grupo. Seja para pedir um taxi (ou alguma alternativa de transporte equivalente). Seja para reservar um hotel ou mesmo uma casa, apartamento ou quarto, em quase qualquer canto do mundo. Para consultar opiniões e dicas antes de uma viagem ou para escolha de um restaurante, e para avaliar a experiência após ocorrida. Para fazer check-in de uma viagem aérea, e até mesmo checando se estamos atrasados ou se podemos antecipar o voo de acordo com o trânsito. Para procurar emprego, comprar ingresso, checar o clima, o resultado do jogo, para monitorar o seu exercício físico (seja lá qual for), lances de escadas que subiu em um dia ou quilômetros andados, calorias, e até pulsação e monitoramento do sono! Seja para pedir comida, para transações bancárias e até pagamentos ou transferências com o celular. E poderia preencher páginas e páginas com os mais diversos, úteis e outros não tão úteis, tipos de aplicativos que veem mudando, de forma exponencial, a forma como executamos nossas tarefas diárias e lutando ferozmente para conquistar um espaço cativo na primeira “página” ou tela no vasto depositório de aplicativos que cada um de nós carrega em seu, em alguns casos seus, smartphones (já que alguns aficionados possuem mais de um smartphone, seja por motivo profissional ou mesmo para testar diferentes sistemas operacionais e devices).

Agora, até mesmo as ditas “coisas” se comunicam... carros que avisam nossas casas que estamos chegando e que o ar condicionado e iluminação devem ser ligados. Geladeiras que solicitam reposições automáticas diretamente do supermercado, entre outras tantas aplicações que invadem nossas empresas e nossas casas diariamente com a missão de nos proporcionar mais produtividade e qualidade de vida.

A fantástica capacidade de inovação do homem, ampliada de forma inimaginável, até há pouco tempo atrás, pela tecnologia, torna um exercício de ficção tentar prever o que vem pela frente em um futuro próximo.

O fato é que a boa aplicação da tecnologia tem tornado nosso dia a dia mais fácil, simplificando tarefas antes tediosas, redefinindo modelos de negócios, escalando exponencialmente nossa capacidade de nos conectar às pessoas, comunicar, de sermos mais produtivos e colaborativos e com mais tempo livre para atividades mais nobre e prazerosas. Gosto de qualificar como “boa” aplicação da tecnologia, porque é bem verdade que todo este potencial pode, e infelizmente algumas vezes é, ser usado para ações destrutivas e nocivas às pessoas e sociedade. Espero que a ética e moral do ser humano experimente cada vez mais uma evolução tão exponencial quanto esta que vivenciamos com a tecnologia. É esta ética e moral o principal direcionador da qualidade do que podemos produzir com tanta tecnologia e dos seus efeitos para nós mesmo e nossa sociedade.

É também verdade que a adoção destas novas tecnologias não acontece na mesma velocidade para todos. Mas, na minha visão, é cada vez menor as diferenças impostas por todo o tipo de diversidade como classe social, localização geográfica, idades, gêneros, dentre outras. Há mais celulares no Brasil do que pessoas... muito longe de achar que a tecnologia resolve o nosso grave problema de desigualdade social, mas realmente acho que encurta esta distância. Vejo hoje pessoas de todos os níveis sociais, idades, e todos os lugares com um celular na mão, usando algum aplicativo para facilitar o seu dia a dia e para se conectar e comunicar a outras pessoas.

E é gratificante constatar que até mesmo um grupo de pessoas, por vezes indevidamente negligenciado, tem também sido presenteado com aplicativos cuidadosamente desenhados e desenvolvidos para atender suas necessidades. Eu me refiro àquelas pessoas com algum tipo de deficiência. No Brasil são aproximadamente 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, representando 24% de nossa população. Trabalhadores, líderes, professores, donas de casa, consumidores, estudantes... Pessoas que se comunicam, pegam taxi, usam o banco e todas outras necessidades do nosso dia a dia, com especificidades referentes às suas deficiências, mas como qualquer outra pessoa. Sem dúvida é louvável o empreendedorismo e inovação voltado à inclusão e a facilitar o dia a dia deste público, reduzindo as eventuais barreiras de tais deficiências.

Paras aqueles que enxergam, ouvem e falam sem problemas utilizar um smartphone e seus aplicativos pode parecer uma atividade extremamente simples e banal. Mas para uma pessoa com alguma deficiência física, estas mesmas atividades se tornam um desafio um pouco maior, dificultando ou inviabilizando completamente o uso. Atualmente temos ótimas opções de aplicativos que permitem traduzir voz para a língua de sinais ou mesmo ler em voz alta o conteúdo da tela do celular.

Para termos uma melhor dimensão do impacto destas soluções, vamos considerar apenas o universo de pessoas com deficiência auditiva. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) são 360 milhões de deficientes auditivos no mundo, sendo 9,7 milhões no Brasil (IBGE 2010). A maioria dos surdos, aproximadamente 70%, têm dificuldade de ler e escrever a língua portuguesa, e dependem exclusivamente da língua de sinais, as Libras.

Ou seja, são pessoas que com a falta de proficiência para leitura do português, considerando apenas o nosso Brasil, não conseguem interpretar um site informativo, não conseguem usar uma loja virtual, ler placas de informação em um shopping ou aeroporto, entre outros, dificultando a sua inclusão social. Eles dependem exclusivamente da Libras para se comunicar.

Entra aí a criatividade e empreendedorismo brasileiro no desenvolvimento de tecnologias para vencer esta barreira. Para citar um bom case de sucesso nesta arena, a startup alagoana Hand Talk, desenvolveu uma plataforma digital, que através de um intérprete virtual, chamado Hugo, traduz o português para as Libras, sendo um verdadeiro amigo para o surdo. Premiada e reconhecida mundo afora, esta plataforma pode ser inserida de forma simples em sites, tornando-os acessíveis aos surdos, bem como em totens de informações em locais públicos e também como um tradutor de bolso em smartphones e tablets. Sem dúvida uma ideia que virou realidade, usando a tecnologia para incluir e conectar pessoas, reduzindo as barreiras que existiam devido às deficiências físicas.

Que a tecnologia continue sempre nos encantando com o seu potencial de facilitar nossas atividades, criar novos modelos de negócios, viabilizar novas formas de comunicação e interação, incluindo e aproximando pessoas. Mas que nós, seres humanos, nunca nos esqueçamos que o melhor mecanismo de inclusão social é, e sempre será, o respeito incondicional ao nosso próximo!

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