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Sucesso Ame-o ou Deixe-o.

Nos anos 60, o cantor Roberto Carlos, em entrevista a um tablóide disse A Fama é fogo bicho. A gente passa metade da vida correndo atrás dela e a outra metade fugindo dela.

Nos anos 60, o cantor Roberto Carlos, em entrevista a um tablóide disse “A Fama é fogo bicho. A gente passa metade da vida correndo atrás dela e a outra metade fugindo dela”.
Como vemos, a busca pelo sucesso e sua obtenção (que em alguns casos conduz à fama, ainda que setorial) revela-se muito mais complexa (e às vezes mais onerosa) do que pensamos.

Outro dia, um amigo também conferencista me disse: “Sabe, Hilsdorf, eu adoro palestrar, mas detesto viajar. Como não posso palestrar sem viajar, me submeto.”
E eu lhe disse: “Pois não viaje, palestre somente em sua cidade...”
“Mas assim ninguém vai conhecer meu trabalho, não terei sucesso”, me respondeu.
Sucesso é assim: ame-o ou deixe-o. Não podemos isolar somente os benefícios de uma atividade de sucesso, como diziam os gregos: Nem tudo são louros.

A relação do indivíduo com o sucesso é tão intensa que o sucesso passa a incorporar o cotidiano e a sua própria personalidade. Ele e o sucesso passam a ser um. A tal ponto que para ter vida privada ele precisa resgatar o seu “Eu” pré-sucesso. Pelé, para ter privacidade e fugir do ônus da fama tem que resgatar o menino Edson Arantes do Nascimento das peladas de rua. Roberto Carlos tem que voltar a ser o “Zunga” de Cachoeiro do Itapemirim, Silvio Santos tem que voltar a ser Senor Abravanel, fazendo compras de bermuda em um camelô de Miami.

Contudo basta deixarmos um indivíduo de sucesso um pouco longe da sua imagem de sucesso para que ele volte a sentir saudade da sensação de vitória e reconhecimento que o sucesso lhe trouxe – é da natureza humana!

O Sucesso nos agrega uma série de coisas e suprime outras tantas. Para obter sucesso temos que dedicar significativa parcela do nosso tempo em uma atividade com a qual estamos vital e visceralmente comprometidos. Outro colega também conferencista já com décadas de profissão me disse: “Hilsdorf, o preço do meu sucesso foi não ter acompanhado o crescimento dos meus filhos”. Sempre existe um preço.

Contudo, temos que levar em consideração que preço e valor não expressam a mesma coisa. Se analisarmos pela ótica do valor, saberemos equilibrar com discernimento nossas escolhas. Se Paster, Einstein, Freud, Jung, Flemming, Newton, Piaget, Sócrates, entre outros, tivessem dedicado o seu tempo mais à família ou ao lazer que ao seu sentido de missão teriam contribuído tanto com a humanidade? Missão, eis aqui uma palavra muito importante para refletir. Todos temos missões nos diferentes aspectos e setores da nossa vida, algumas são de caráter pessoal, outras familiar, outras social, outras globais como as dos apóstolos cristãos, ou de Gandhi, por exemplo.

Sucesso e missão: em que nível estes dois conceitos estão ligados na sua vida?

Uma coisa é seguir um profundo sentido de missão que quando autêntico visa sempre o bem estar desinteressado de um maior número de pessoas. Neste caso doamo-nos por amor à causa, fonte primeira da missão.
Outra Coisa é mergulhados numa “egotrip” nos transformando em um tipo especial de neurótico: o workaholic que na tentativa de superar sua angústia, insegurança, ansiedade e baixa-estima mergulha em um obsessivo processo de conquista baseado não em valores, mas em “preços”.

Albert Einstein aconselhava com sabedoria: “Procure ser alguém de valor, não de Sucesso!”
Eisntein sabia que as pessoas não entendiam o conceito de Sucesso de uma forma saudável, mas doentia.

O verdadeiro sucesso, aprovado e vivenciado por Einstein é traduzido como sendo: A sua especial e única contribuição para o bem dos seres que o cercam.

Para alcançar este nível de sucesso ligado à auto-realização é preciso ter vivido os outros níveis do sucesso, mesmo os egóicos. Você não pode transcender uma fase ainda não vivenciada.

Em algumas delas você reclamará do ônus do sucesso, em outras nem sequer perceberá que existe ônus. Em verdade, o que nos realiza é o cumprimento da nossa missão existencial. O reconhecimento é apenas um estímulo muito agradável, mas igualmente perigoso (vaidade). Um reconhecimento que, se você se distrair, tomará conta dos seus passos, opiniões e atitudes, estabelecendo um preço, uma espécie de “aluguel da fama”.

Preocupe-se com a realização da sua tarefa pessoal, única e intransferível perante a Vida, se houver reconhecimento, Ok, se não houver, porque se preocupar? Os maiores gênios da humanidade só foram reconhecidos muitos anos após a sua morte. Orson Welles dizia “Ame a arte em você e nunca você na arte.” O Sucesso expresso em fama perece com o tempo, já o Sucesso expresso em valor é eterno.

Lamentar o ônus é lamentar o próprio sucesso. Vamos agir com valor, arregaçando as mangas e sabendo que não se fazem grandes escultores sem calos, grandes atletas sem contusões e nem grandes seres humanos sem dores.

Seja qual for a etapa que você esteja vivenciando deste processo, uma coisa é certa: uma vez no caminho do sucesso; Ame-o ou deixe-o!

Carlos Hilsdorf

Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha). Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas. Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Referência nacional em desenvolvimento humano. Site oficial: www.carloshilsdorf.com.br

Acompanhe as novidades no Twitter: www.twitter.com/carloshilsdorf

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