Sua empresa está preparada para o S2S Business

Com os ERPs assumindo uma visão cada vez mais estratégica, tendo o alto nível de integração com a cadeia de suprimento como um dos seus objetivos, os negócios também sofrerão uma transformação e os processos organizacionais neste ambiente deverão ser totalmente integrados e adaptados ao ecossistema do ERP

Como os softwares de ERP deixaram de ser meros automatizadores de rotinas empresariais e assumiram funções muito mais estratégica (veja o artigo sobre o futuro do ERP), uma nova forma de negócios aparece como consequência desta evolução: System-to-System ou S2S

Fruto da integração da cadeia de suprimentos, que amplia a cadeia de valores da organização, o System-to-System ou S2S representa os negócios fechados diretamente entre os sistemas de gestão envolvidos neste processo, incorporando toda a inteligência organizacional necessária ao negócio e, consequentemente, concluindo todas as transações comerciais sem nenhuma interferência humana, gerando rapidez e agilidade e ampliando a vantagem competitiva.

Para que a integração da cadeia de suprimentos seja efetiva, os acordos comerciais precisarão evoluir de forma significativa, especialmente com foco na integração dos processos e no intercâmbio das informações, o que exigirá regras muito bem definidas e um alto grau de integração e adaptabilidade dos sistemas de gestão envolvidos.

Como fruto desta integração, muitas das transações comerciais necessárias terão a maioria de seus parâmetros predefinidos, o que permitirá a automação do processo decisório em relação a estas transações, não só para tornar esta integração mais efetiva mas, especialmente, para a redução do custo e do tempo das operações, sem a perda de confiabilidade, o que irá melhorar o desempenho operacional de toda a cadeia.

Tal integração afetará a cadeia de valores definida por Porter (1985), que incorporará não só as atividades desempenhadas pela organização mas também atividades desempenhadas por outras organizações envolvidas no ciclo operacional. Os processos exógenos assumirão relativa importância na base de informações necessárias para a tomada de decisão e a estrutura funcional da operação dará lugar a uma estrutura cujo fundamento será o processo de negócio da cadeia de produção, que envolverá todos os agentes da cadeia. O desempenho operacional nesta cadeia não dependerá única e exclusivamente de uma organização mas de um ciclo operacional multi-organizacional, que precisará ser monitorado e mensurado constantemente.

Porém, neste processo de integração, não serão afetados somente os sistemas de informação mas também os processos internos e a cultura organizacional. Lambert e Cooper (2000) definem características importantes para o sucesso dessa integração, e as dividem em dois grupos:

Fatores técnicos e físicos - Planejamento e controle, Estrutura do trabalho, Estrutura Organizacional, Fluxo dos produtos e das informações.

Fatores gerenciais e comportamentais - Métodos de gestão, Estruturas de poder e de liderança, Riscos e recompensas, Cultura e atitudes e Visão e Missão.

Dentro desta linha, os processos chaves que serão afetados com objetivo de garantir a total integração entre os agentes envolvidos na cadeia de suprimento são:

- M2O ou Market-to-Order

Controla o ciclo que se inicia na prospecção de mercado, passando pela demanda por determinado produto e encerrando na venda.

Feito pelo agente final do ciclo, é necessário para o planejamento de todos os envolvidos no processo em relação à material e produção. As informações de demanda deverão estar disponibilizadas para todos os evolvidos.

- SRM ou Supply Relationship management

Gerencia toda a relação dos envolvidos na cadeia com os fornecedores auxiliares, desde a homologação e qualificação de fornecedores e matéria prima até a análise da qualidade dos fornecedores.

O gerenciamento dos fornecedores extrapola as necessidades da organização e passam a afetar todos os membros da cadeia. Os critérios de homologação, qualificação e controle de qualidade de fornecedores e matérias primas deverá ser acordado e compartilhado por todos os membros da cadeia.

- F2D ou Forecast-to-Delivery

Gerencia todo o processo de planejamento de produção até a entrega do produto acabado.

Com a manufatura feita por um ou mais dos membros da cadeia, de forma local ou transnacionalizada, as informações relacionadas à demanda de produção, necessidades de material, tempos de produção, lead time, interrupções entre outras deverão estar totalmente integradas ao processo, permitindo rápida reação de todos os envolvidos quando da ocorrência de qualquer não conformidade no ciclo de produção.

- I2R ou Issue-to-Resolution

Gerencia todo o processo de problemas e garantias ocorrido com o produto, desde o registro do problema até a confirmação da efetividade da solução.

Especialmente em ciclos muito longos, identificar o problema e qualificá-lo como isolado (que aconteceu de forma isolada e tende a não se repetir com frequência) ou estrutural (que acontece por conta de falha no processo de produção integrada) é fundamental para manter a viabilidade da cadeia de suprimentos.

Todos estes sistemas de informação deverão estar integrados entre múltiplas organizações, que poderão transacionar entre si, o que gera um desafio logístico e técnico imenso. Uma integração N para N entre os envolvidos na cadeia de suprimentos adiciona complexidades imensas em termos de controle e distribuição da informação.

A utilização das novas tecnologias, especialmente “Cloud Computing” e “Web Services”, facilitarão a criação de um “Supply Chain Hub” que compartilhará os processos descritos acima, facilitando a integração entre os agentes a partir de um ponto único, o que simplificaria a operação e a integração de novos membros e acelerando a disponibilização de informações sobre o processo produtivo para toda a cadeia.

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