Stress express

Este artigo tem como base não uma, mas algumas histórias verídicas para todo profissional de Comex

Quem atua no setor de Comércio Internacional mesmo que há pouco tempo, em algum momento, já passou pela situação de precisar enviar algo para o exterior de maneira rápida (sejam documentos, amostras, embalagens, etc) a fim de conseguir participar de algum evento expositivo ou mesmo para apresentar seus produtos a clientes em potencial. E no comércio exterior o dito "tempo é dinheiro" é mais do que real!

Este artigo tem como base não uma, mas algumas histórias verídicas...

Trabalho há pouco mais de 05 anos no Comércio exterior e sempre realizei envios de documentos para outros países através dos mais diversos serviços expressos de algumas empresas internacionais que possuem sede no Brasil. Até aí tudo bem, os documentos sempre foram entregues, bem como algumas peças pequenas e itens de baixa fragilidade.

O problema em si começou quando comecei a trabalhar em uma Comercial exportadora no ano de 2015 e precisávamos enviar algumas amostras de produto perecível congelado para análise em laboratorio no exterior (o país em questão tem muitas regras para importação de alimentos e exige certificações para que o produto possa ser comercializado). Como ainda não havia desenvolvido atividades na área de produtos perecíveis fiz uma pesquisa sobre empresas de envio expresso que atendiam a demanda da empresa e descobri algumas. Feito isso, partimos para o próximo passo de contactar tais organizações e solicitar as cotações a respeito bem como as informações para correto envio, etc.

Tudo feito: informações obtidas, repasse aos superiores, preparação de produto e todos os processos que envolvem cadeia logística inicial. Inclusive a empresa que contratamos inicialmente nos auxiliou até mesmo com os documentos necessários para envio. No dia combinado as amostras foram coletadas, registradas e ficamos aguardando as informações do trânsito da mercadoria... o dia terminou, outro começou e nada de informações... no site de rastreamento não haviam atualizações e começamos a ficar preocupados com a carga, afinal era um produto conservado em gelo e altamente perecível! Ligamos para eles e aí veio a notícia: a carga não havia nem sido levada para o aeroporto - aqui na cidade de Belém só temos dois vôos diretos regulares para o tal país, mas prometeram que ia dar tudo certo, inclusive iriam trocar o gelo da caixa térmica (isso nos deu algum alivio, mas com aquela velha desconfiança).

Passaram-se dois dias e a carga finalmente embarcou, porém mais um problema: como a Cia Aérea estava com capacidade esgotada a carga teria que ir para o aeroporto de Guarulhos e de lá para o destino (creio que perdi uns fios de cabelo nessa história, mas vamos lá). Depois de alguns dias (finalmente) as amostras chegam ao destino e, para nosso prejuízo a carga estava inteiramente perdida, a embalagem toda amassada e destruída, começava então nossa primeira decepção. Entramos em contato no mesmo dia e reclamamos com a empresa que nos forneceu o serviço, enviamos foto dos danos e solicitamos o ressarcimento... a empresa se desculpou e nos preparamos para próximo envio.

Entramos em contato com outra empresa, esta ainda mais reconhecida do que a que utilizamos anteriormente, com toda estrutura, prometendo o melhor serviço (como toda empresa faz) e fizemos todo o processo novamente... e novamente a mesma decepção, prejuízo e mais alguns fios de cabelo de todos...

Pra encurtar a história, perdemos mais uma remessa de amostras até que nos recomendaram fazer uma exportação por uma operadora normal que não era expressa e que só poderia transitar a carga até o aeroporto de destino, teríamos que ter um despachante para liberá-la no tal país. Fizemos o processo e (finalmente) para nossa felicidade, conseguimos que a carga chegasse preservada ao laboratório para análise. Conseguimos as informações, certificação e estávamos felizes por isso!

Mas como sempre acontece nesse início de empresa, tivemos mais algumas decepções na parte de serviço expresso de commodities perecíveis para o exterior. Uma das empresas chegou a nos contactar informando que as embalagens que estavam sendo usadas para transporte das amostras eram muito "frágeis", o que me fez refletir que teríamos que usar uma caixa de ferro ou aço para que chegasse tudo inteiro no destino...

Após todos esses episódios, cheguei à conclusão de que, em primeiro lugar, o Brasil tem uma cadeia logística (principalmente no setor aéreo) muito precária em recursos (até mesmo porque as empresas internacionais não podem ter aviões cargueiros no país - fica registrada minha indignação por isso!). Segundo: se você tem uma empresa na região Norte todos os problemas, burocracias e precariedade são quadriplicados, não há investimento no setor (note-se que a região é uma das maiores produtoras do setor agrícola do país).

Além do que foi citado acima, há a deficiência de informações da parte das prestadoras de serviços em orientar corretamente os clientes e dar suporte para que as operações ocorram com sucesso. Um dos grandes problemas em qualquer área é a acomodação de colaboradores e de empresas em não buscarem a excelência no atendimento e no negócio como um todo.

As exportadoras, os profissionais e o país perdem com isso tanto na parte financeira como também na imagem desleixada que é levada para o exterior. Acima de tudo a consciência profissional deve ser repensada para que não só a empresa em que trabalho, como outras que já devem ter vivido experiências parecidas com estas não passem por tantos prejuízos e que possam crescer.

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