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Steve Jobs, Pep Guardiola e Antônio Luiz Seabra

Estas referências tem em comum um ano sabático. Saiba como essa decisão também pode elevar sua carreira a um novo nível

Steve Jobs, um dos maiores revolucionários do ramo de tecnologia. Cofundador da Apple, no seu curriculum coloca ainda a criação da Pixar, um dos maiores estúdios de animação do mundo, e a nova era da música digital inaugurada pelo Ipod. Uma referência em qualquer livro que fale de grandes líderes contemporâneos.

Josep Guardiola. Um dos jogadores que mais vestiu a camisa do Futebol Clube Barcelona. Durante anos, comandou uma das maiores máquinas da história do esporte mundial: campeão em todos os anos, liderando com maestria craques como Messi, Iniesta e Xavi, campeões mundiais, ganhando todos os títulos possíveis de disputar. Hoje treinador do Bayern de Munique, o atual campeão do mundo, e revolucionando o futebol moderno e alemão.

Luiz Seabra. Fundador da Natura, uma das mais respeitadas e admiradas empresas do Brasil. Líder no mercado de cosméticos, fragrâncias, higiene pessoal e venda direta. Considerada por pesquisas uma das 10 empresas mais inovadoras do mundo.

O que estes gênios de diferentes setores tem em comum?

Todos eles optaram por, em momentos estratégicos de sua carreira, ter uma pausa conhecida nos dias de hoje como um “período sabático”. O termo sabático tem origem do hebraico shabat, que significa cessar ou parar. Inicialmente introduzido como termo bíblico que se referia ao descanso de Deus ao sétimo dia após a gênese, também pode se referir a períodos mais extensos de parada. Neste contexto, deve ser avaliado como “que está relacionado ao intervalo de tempo entre algumas atividades regulares: períodos de folga sabática”.

Você sabia que, de acordo com o site Gap Year , mais de 500.000 pessoas por ano dedicam um período de meses ou anos de sua vida a algum período sabático. Seja para os jovens que não tem certo suas carreiras, pessoas que estão perdidas quanto à sua satisfação profissional em meio a uma carreira incessante, ou simplesmente buscando inspiração para um novo trabalho ou novo projeto.

Existem culturas em que o ano sabático chega a ser recomendado ou obrigatório. Venezuela, Israel e Iêmen são alguns dos lugares nos quais você encontra grande número de jovens vivendo esta experiência , seja por política pública ou incentivos do governo/culturais. Universidades como Harvard e Princeton já estabeleceram políticas e programas formais para que seus estudantes tomem um período longe da faculdade. E existem exemplos de empresas, como a Sagmeister & Walsh Design, que formalmente tomam um período sabático de um ano a cada septênio. Loucura? Preguiça?

Clique aqui para TED Talk de Stefan Sagmeister, legendas disponíveis em português, falando sobre o poder e benefícios de um período sabático.

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Exageros e casos especiais à parte, a existência de períodos sabáticos tem se tornado cada vez mais comum também no Brasil. As universidades brasileiras, em geral, aceitam que seu estudante tranque o curso por um período. Muitas possuem programas de intercâmbios e outras instituições que impulsionam atividades extracurriculares como trabalho voluntário e períodos longos de viagem.

Uma pesquisa da Hilton HHonors que ganhou os jornais do Reino Unido há poucas semanas indica os principais resultados dos 10 motivos mais indicados para realizar um ano sabático:

1. Quero viajar mais

2. Estou estressado no trabalho

3. Quero gastar mais tempo com minha família

4. Estou entediado no trabalho

5. Eu não gosto do meu trabalho

6. Eu não posso fazer o que gostaria durante a semana

7. Eu estou melhor financeiramente agora

8. Eu quero me dedicar a voluntariado

9. Eu quero tentar novas oportunidades de trabalho

10.Meus amigos/colegas tiveram um

Se você se identificou com algumas das frases acima, é definitivamente também um tempo para você pensar nessa possibilidade. A mudança de geração trouxe no mercado também uma pressa grande por definições: aos 17 anos, uma competição para encontrar seu lugar em algum curso da faculdade; aos 21, lutar pela colocação no mercado de trabalho; aos 25, luta entre MBAs e cursos para conseguir uma promoção mais rápida.

Não acho que nada disso está necessariamente errado. Só considero que as pessoas são diferentes e tem diferentes maneiras e tempos de aprendizado. Talvez se tivesse tirado um ano antes da faculdade para trabalhar em algum lugar diferente, ou viajar, não teria escolhido um curso que hoje não se encaixa tanto como gostaria com meu plano de carreira hoje. Se tivesse viajado e feito um intercâmbio antes, teria tido muito mais conhecimento holístico para escrever artigos e estudar as matérias que fiz; se tivesse parado e refletido com calma, não teria investido de maneira fatalmente errada todo o seguro de vida que recebi com o falecimento do meu pai em um curso de MBA que não tem nada a ver com o que gostaria de criar.

A inexperiência não cessa com estudo e livros; ela cessa também com a própria maturidade do indivíduo. E, respeitando o que coloquei antes, sou uma pessoa com muito mais aprendizado empírico do que de outras formas. O que te dá paixão de trabalhar? No que você dedicaria anos de sua vida sem ter que esperar para fazer o que gostaria na aposentadoria? Como posso tornar isso viável, financeira e de uma maneira positiva para minha carreira?

A mesma pesquisa do Hilton HHonors também identificou como idealmente a idade de 38 anos para ter uma parada na carreira, por estabilidade financeira e momento de vida. Mas tudo isso é estatística. Tudo isso são números que não podem dizer respeito à sua motivação agora. Enquanto terminava minha última posição de liderança, conversei com diversas pessoas sobre arrependimentos e vontades que tem hoje, desde jovens empreendedores até executivos sêniores. Uma constante que ouvi é: se tivesse a oportunidade que se abriu na sua carreira agora, eu não hesitaria em ter parado e construído uma história diferente antes de construir minha família, minha carreira, e seria muito mais satisfeito hoje.

Se você tem condições, pense nessa oportunidade. Se você não tem mas se interessou pelo tema, estude como criar essa janela. Veja exemplos, existem períodos menores, atividades diferentes. Mas não se deixe enganar: um ano andando sem sentido, trabalhando por osmose pode te levar a uma direção diferente do que você quer na carreira. E um ano sabático pode salvar anos de frustrações e desilusões na sua vida profissional. E mesmo os criados a contragosto, como um dos períodos de Steve Jobs, provaram no futuro serem de extrema importância para o amadurecimento do líder.

Na próxima semana contarei a história da minha decisão e como vim parar no Camboja como decorrência da mesma.

Links para saber mais:

Blog de relato de um período sabático (volta ao mundo): http://www.adeuszonadeconforto.com.br/

Artigos extras (em inglês) com dados e reflexões interessantes:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2536035/Fancy-taking-break-stress-modern-life-Age-38-best-time-sabbatical.html

http://www.careershifters.org/expert-advice/career-break-or-sabbatical-how-to-decide-what-is-right-for-you

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