Somos todos viciados
Somos todos viciados

Somos todos viciados

Vícios são mais que hábitos, são coisas e situações das quais nos tornamos dependentes e não conseguimos abrir mão com facilidade

Cada um de nós que está lendo este texto tem pelo menos um vício. E muitos de nós temos dois ou mais vícios. Não tenho fonte e dados de pesquisas – criei minha própria estatística que pode parecer “achômetro”, mas acredito estar bem próxima da realidade.

Tem os vícios clássicos que entendemos e julgamos como vícios e são conhecidos problemas médicos e tem tantos outros aparentemente mais suaves, mas também altamente tóxicos física ou emocionalmente.

Os viciados em bebida ou alcoólatras, os dependentes de cigarro ou tantas outras drogas, os hipocondríacos que se medicam para tudo e qualquer coisa, os fanáticos por estética que podem passar do limite do espelho e também usar anabolizantes e outras coisas para melhorar o visual e o desempenho físico. Ainda pela estética, tem os anoréxicos, bulímicos, os compulsivos por comida, os viciados em doce ou só os chocólatras.

Alguns vícios são mais inofensivos ou pelo menos parecerem ser ou afetam somente a pessoa e não os demais ao redor. Outros destroem famílias inteiras, ou a vida da pessoa como um todo, fazendo com que perca o emprego e não consiga manter sua rotina diária e responsabilidades básicas.

Tem os viciados em sorvete, em trabalho ou “workaholics”, em roer unha, em furtar ou cleptomaníacos, em criticar, em julgar, em comprar compulsivamente, em organização ou limpeza, em videogame ou jogos de azar, em adrenalina, em tristeza, inveja, televisão, celular, internet, em roupas de marca e esta lista não tem fim.

Vícios são mais que hábitos, são coisas e situações das quais nos tornamos dependentes e não conseguimos abrir mão com facilidade. Nós não temos o controle, embora muitas vezes pensamos que temos.

Normalmente nos tornamos dependentes porque aquilo nos dá prazer mesmo que momentâneo, mesmo que depois vire tristeza, agressividade ou depressão. Por hora nos faz bem, por pouco tempo e é por isso que sempre queremos mais, pela ilusão de que o vício traz felicidade ou prazer. São como doses ou cápsulas de alegria instantânea, com sentimento de recompensa e merecimento.

“Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo”.

Importante seria descobrir quais os gatilhos que fazem com que o próximo copo vire, o próximo cigarro acenda ou que a próxima caixa de chocolate seja devorada. O que está fazendo mal que peça esta carga de vício? Será que antes de partir para o ataque é possível refletir? O que está fazendo falta em sua vida que está tentando compensar com o vício? Será que não é possível fazer outras escolhas?

Mais saudáveis e menos radicais, mais leves e menos autocríticas, mais fortes e menos controláveis, mais conscientes e menos dependentes e porque não mais felizes e menos viciados?

Para todo mal da alma ou do corpo há uma possibilidade de cura, de melhoria e de transformação. Às vezes não é possível sair desta ou daquela situação sozinho, então procure ajuda em terapia, amigos de verdade, psiquiatra, esportes, livros, na espiritualidade, na palavra de alguém mais experiente que você, na voz de quem já passou por algo parecido ou acompanhou alguém próximo passando por isso.

A transformação começa de dentro para fora, mas pode se complementar com apoio externo, com um ou com muitos pares de mãos, olhos, ouvidos, bocas e abraços.

“Cada vez que você faz uma opção está transformando sua essência em alguma coisa um pouco diferente do que era antes”.

Se não for possível dar um grande salto, não tem problema, caminhe passo a passo mesmo que lentamente até que tenha forças para dar o grande pulo do gato.

Seja lá o que for e como for lembre-se que você não está sozinho porque somos todos viciados.

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