Sobre trapézios e mudanças

Mudanças sempre assustam. Por mais preparados que estejamos, o rompimento de um ciclo sempre nos faz sentir aquele frio na barriga. Como encarar as mudanças naturais da vida? Os trapezistas tem algo a ensinar

Quando era criança, meus pais sempre me levavam para assistir aos espetáculos de circo. Me divertia bastante com todos, mas gostava em especial dos números com trapezistas. Por mais que temesse a queda de algum deles e sentisse um frio na barriga em cada movimento, adorava a forma natural que eles encaravam a altura e a confiança depositada no colega de picadeiro, já que, lançar-se na segurança de braços alheios, não é uma atitude muito simples.

Por esses dias, ao ler um texto sobre os medos que enfrentamos durante um processo de mudança, o autor fez um paralelo com o trapézio, mencionando sentir-se como um trapezista toda vez que toma uma grande decisão.

Esse paralelo tem muita razão de ser. No intervalo entre um trapézio e outro, o momento do salto tão ensaiado, aquele segundo de incerteza envolvendo o risco que, por mais calculado que seja, não deixa de existir. Tudo isso envolve processos de mudança,especialmente, as mais significativas.

Quando passamos por grandes transições, envolvendo decisões importantes, também nos sentimos assim. Aqueles segundos sem ar pela incerteza do que virá. O que acontecerá quando terminar aquele relacionamento? O que acontecerá se mudar de cidade? O que acontecerá se mudar de emprego ou até mesmo de carreira? O que acontecerá se as coisas não sairem como imaginamos? O que acontecerá?

Deixar uma situação aparentemente confortável requer confiança plena nos braços da vida, numa força superior que nos sustentará rumo ao nosso destino. Os trapezistas nos ensinam que, sem transições, não há espetáculo. Na vida é a mesma coisa. Sem transições não há aprendizado, não há renovação. Os ciclos precisam fluir. O espetáculo precisa continuar. Fica a pergunta: Como estamos lidando com nossos trapézios?

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