Sobre o tempo

Sábio aquele que um dia definiu: o tempo é um fator relativo: quando estamos felizes ele passa rápido, mas quando não, ele demora a passar. Desconheço o autor dessa celebre frase, mas, quase que diariamente, comprovo essa estranha relatividade. Chega a ser curioso o antagonismo que o tempo possui sendo, às vezes, amigo e, outras vezes, um grande inimigo. Chega a ser, inclusive, meio louca a maneira como pode num dado momento tomar outra dimensão (e de repente passaram-se anos). O tempo é notado, na maioria dos casos, quando ele é curto, quando é escasso, quando falta pouco, quando não se tem mais tempo.... talvez seja por isso que eu esteja escrevendo sobre assunto: porque me falta tempo, pra tudo! Um dia não é mais suficiente, a semana passa voando e quando me dou conta já estou num outro mês. Fazendo uma correlação com a frase do primeiro parágrafo vocês devem estar pensando: Ela deve estar muito feliz, então. Nem tanto assim, afinal quase não tenho tempo! Mas afinal com o quê estou gastando meu tempo? São tantas coisas acontecendo, há tanto que se fazer, que se ver, que se sentir... afinal, o que realmente vale a pena? Muito se tem discutido sobre o assunto qualidade de vida, sobre como equilibrar a carreira e a vida pessoal, mas por mais que eu leia e estude o assunto não consigo chegar a conclusão sobre o que é certo e o que é errado. Talvez porque não exista certo e errado, talvez eu ainda tenha muito tempo para pensar sobre isso, ou talvez pelo simples fato de que a felicidade de cada um está em lugares muito diversos. Caetano Veloso estava muito inspirado quando poetizou: cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Família, estudo, trabalho, amor, diversão... como atender a tantas demandas sendo apenas um? Fazendo apenas o que é realmente importante, dirão os especialistas em administração do tempo (acho que agora sei porque esse curso vende tanto!). Mas o que é realmente importante? Sei que esses questionamentos são muito mais do que meus e que, ironicamente, algumas pessoas ainda não tiveram tempo de refletir sobre o assunto. Mas intrigante é que as perguntas se fazem num segundo, já as respostas podem levar uma vida. Planejar pode ser uma solução. Estipular metas e prazos para a nossa vida pessoal em busca de um objetivo maior. E seguir em frente. Mas e a alegria da viagem1? E a beleza do trajeto? E todo o resto que envolve essa caminhada? Ignorar para não perder tempo, para não sair do foco? Depois de tanto escrever (e refletir sobre o assunto consequentemente) vou me arriscar a uma resposta ainda (e talvez por muito tempo) vazia: viver cada minuto, cada segundo, intensamente! Um chavão, eu sei. Mas desfrutar de todos os momentos intensamente, sejam eles o ato de escrever um rotineiro relatório ou o abraço da pessoa amada, não é uma tarefa tão fácil. Mas talvez seja a solução para que o tempo não se torne um problema, mas que o que se faz com ele se torne a solução. Para que não tenhamos mais que nos preocupar com o tempo. E muito menos passar o tempo ou deixar, simplesmente o tempo passar. 1 Hastings, Robert J., A Alegria da Viagem.
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