Sobre a acomodação

Quantas vezes nos sentimos presos em nós mesmos, dizendo que queremos muito alguma coisa, mas não nos sentimos impelidos, ou até mesmo motivados para partirmos para a ação? Será que seríamos mais felizes, nos sentiríamos mais realizados e com a sensação do dever cumprido, caso nos inclinássemos à coisa pretendida? Quando queremos, apenas dizemos ao nosso interior: “quero isso”, ou “vou fazer aquilo”. Mas, tal evento pode ou não acontecer. Quando desejamos algo, esse sentimento vem do interior de cada um, e está relacionado fortemente com os sentidos. Assim, se arraigarmos essa vontade em nosso âmago estaremos mais próximos de realizar o desejo em questão

Quantas vezes nos sentimos presos em nós mesmos, dizendo que queremos muito alguma coisa, mas não nos sentimos impelidos, ou até mesmo motivados para partirmos para a ação? Será que seríamos mais felizes, nos sentiríamos mais realizados e com a sensação do dever cumprido, caso nos inclinássemos à coisa pretendida? O que faríamos se não houvesse a acomodação? O que nos impede de agir?

Ademais, acomodar – que vem do latim “Accomodare”, de commodus, adequado, conveniente, satisfatório – parece uma verdadeira armadilha no que tange ao nosso desenvolvimento pessoal. Queremos, mas não desejamos de fato. Eis a diferença:

Quando queremos, apenas dizemos ao nosso interior: “quero isso”, ou “vou fazer aquilo”. Mas, tal evento pode ou não acontecer. Quando desejamos algo, esse sentimento vem do interior de cada um, e está relacionado fortemente com os sentidos. Assim, se arraigarmos essa vontade em nosso âmago estaremos mais próximos de realizar o desejo em questão.

Não obstante, ao estarmos num estado cômodo e conveniente, não sentimos a necessidade de agir, e a procrastinação passa a fazer parte de nossas vidas. E nos sentimos abjetos, desanimados. Nesse sentido, temos a acomodação como condição de abrir mão do que não foi, do que viria a ser. E assim vivemos por muito tempo até que enxergamos o mal que estamos fazendo ou o bem que deixamos de fazer.

O que nos leva à acomodação é não enraizarmos nossos desejos no mais profundo do ser. Se não o fizermos, nos tornaremos reféns de uma vã querência, e nosso eu começa a viver na quietude dos dias, no anonimato da existência.

Por outro lado, se levarmos em conta outras definições para a "acomodação", poderemos encontrar um alento, uma saída. Vejamos: “Proporcionar ocupação a”, “Fazer cessar o que incomoda” ou até mesmo “restabelecer a ordem, a harmonia”.

A partir do momento em que nos proporcionamos uma ocupação, já abandonamos o status quo e vislumbramos o novo, o diferente. Impulsionamo-nos ao sentimento de realização, a estar fazendo algo em prol de nós mesmos e de outrem. É quando começamos a nos tornar parte da nossa vontade em si.

Cessando o que nos incomoda, automaticamente aceleramos o processo do caminho de volta à vida e adotamos um novo modo de vivê-la. Com mais coragem e determinação, nos tornamos mais realizadores do nosso novo eu.

Assim, restabelecemos a ordem, assumimos o controle e o sentimento de realização nos inunda e passamos a estar cada vez mais próximos do que desejamos, pois o que era já não o é.

Na intermitência dos pensamentos, temos que parar e refletir: Quero ou desejo? Assim se vence a acomodação.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento