Só um terço nas escolas

O nível de desenvolvimento de um país está intimamente relacionado com o patamar de escolarização de sua população e particularmente dos seus profissionais. Experiências contemporâneas mundiais demonstram que o progresso de nações foi fortemente alavancado com a implementação de ampla formação escolar de seus trabalhadores. Os dados do Censo Demográfico de 2000, divulgados em 02/12/03, mostram que a população brasileira freqüenta pouco os educandários. Apenas 31,4% do total de brasileiros - 1/3 da população - vão à escola, reunindo 53 milhões de pessoas num universo aproximado de 170 milhões do nosso povo. A faixa etária que mais freqüenta as escolas é formada pelos jovens de 10 a 14 anos, que tem um comparecimento escolar de 94,6%, num atendimento educacional próximo do universal. As outras faixas etárias apresentam, ainda, uma freqüência escolar relativamente pequena em comparação com a elevada necessidade do país por escolarização. Uma faixa de idade que merece especial atenção é a de 4 a 7 anos de idade, pela sua elevada importância na formação da vida escolar do cidadão, com reflexos no rendimento educacional. Conforme o Censo, nesse grupo, composto por uma totalidade de 13 milhões de crianças, pouco mais de 4 milhões (31%) não está nas escolas brasileiras. Essa realidade não acontece apenas no interior do Brasil. Os números do IBGE mostram que nas capitais o quadro de escolarização infantil também é precário: para um quantitativo de 2,8 milhões de crianças das capitais na faixa de 4 a 7 anos, em torno de 24,5% (690 mil) não estão estudando. O Censo aponta ainda para o fato de a probabilidade de freqüência escolar ser diretamente proporcional ao rendimento mensal familiar. Isto é: quanto menor a renda, menor o comparecimento à escola. Os dados do IBGE demonstram que é pequena a vinculação da população brasileira com os educandários. Isso indica que a média de tempo nas escolas na vida do cidadão no Brasil está muito aquém do que deveria ser, diante das exigências dos padrões internacionais de formação profissional para o mundo do trabalho. A modernidade e o desenvolvimento sustentado só serão possíveis quando o conjunto da população tiver um forte vinculo com os educandários e academias, tornando a educação uma prioridade brasileira efetiva, permanente, individual e coletiva. A perspectiva de inserção do Brasil no mundo desenvolvido será sempre longínqua na medida em que 2/3 da população estiverem fora do universo educacional do país.

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    Hélio Júnior

    Hélio Júnior

    Doutor em Ensino de Ciências e Matemática
    Mestre em Administração - Gestão Financeira
    Especialista em Administração Pública
    Especialista em Estatística
    Especialista em Modelagem Matemática
    Especialista em Educação
    Professor de Estatística e Métodos Quantitativos em Gestão
    Palestrante sobre Educação Tecnológica, Inclusão e Gestão

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